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ICMBio abre consulta pública para discutir reservas marinhas no Nordeste

Consulta pública do ICMBio debate a criação de unidades de conservação para proteger os montes oceânicos no Nordeste brasileiro.

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  • A discussão em torno da conservação marinha no Brasil deu um passo importante com o início das consultas públicas promovidas pelo Instituto…
  • Sob as águas dos estados do Rio Grande do Norte e do Ceará, encontram-se formações geológicas impressionantes que se elevam por até…
  • Essas estruturas abrigam mais de 100 espécies entre peixes, tubarões, corais e esponjas, além de servirem como rotas migratórias essenciais para diversas…
ICMBio abre consulta pública para discutir reservas marinhas no Nordeste
© Fernando Frazão/Agência Brasil

A discussão em torno da conservação marinha no Brasil deu um passo importante com o início das consultas públicas promovidas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Sob as águas dos estados do Rio Grande do Norte e do Ceará, encontram-se formações geológicas impressionantes que se elevam por até 5 mil metros de profundidade, superando em altura o Pico da Neblina. Essas estruturas abrigam mais de 100 espécies entre peixes, tubarões, corais e esponjas, além de servirem como rotas migratórias essenciais para diversas espécies marinhas.

O processo de debate sobre a preservação dessas áreas começou a ganhar contornos práticos com encontros presenciais na região nordestina, reunindo pesquisadores, órgãos ambientais e representantes da sociedade civil. O objetivo central é avaliar a criação de três novas Unidades de Conservação na região, englobando milhões de hectares de ecossistemas fundamentais para o equilíbrio da vida marinha no Atlântico Sul.

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A importância ecológica dos montes submarinos

Estudos desenvolvidos ao longo de anos por instituições acadêmicas e órgãos de pesquisa revelam que os montes oceânicos funcionam como verdadeiros oásis de biodiversidade no meio do oceano. Nessas áreas, correntes marinhas profundas encontram os paredões rochosos, trazendo nutrientes que alimentam uma cadeia alimentar complexa. Organismos fundamentais para a saúde dos oceanos dependem desses habitats para se reproduzir e encontrar alimento.

Além da riqueza biológica local, essas montanhas submarinas atuam como corredores ecológicos vitais para o trânsito de tartarugas marinhas e aves migratórias. A interrupção ou degradação desses pontos de parada pode comprometer populações inteiras que cruzam o oceano em ciclos sazonais de reprodução e alimentação.

Pressões da pesca industrial e conflitos econômicos

Apesar da relevância ambiental, a região enfrenta pressões econômicas significativas, com destaque para a pesca industrial de médio e grande porte voltada à captura de atuns. O setor movimenta dezenas de milhões de reais anualmente na economia nacional. Especialistas alertam que práticas anteriores, como o arrasto de fundo, deixaram marcas profundas na região, provocando reduções expressivas na biomassa de peixes de topo em determinados bancos marinhos.

Outro ponto de atrito envolve o setor energético e a mineração. Embora o potencial para a exploração de petróleo seja considerado baixo devido à formação vulcânica da área, projetos voltados à extração de fosfato para fertilizantes no topo dos montes representam uma ameaça severa. Especialistas apontam que a mineração marinha causa danos irreversíveis a ecossistemas frágeis, como os bancos de rodolitos e corais, levantando debates sobre as prioridades de desenvolvimento do país.

Caminhos para o futuro da conservação marinha

A proposta em discussão pelo ICMBio prevê diferentes categorias de proteção para equilibrar a preservação ambiental e as atividades socioeconômicas locais. Enquanto áreas de proteção integral propostas impediriam a exploração predatória, modelos mais flexíveis exigem análises rigorosas de viabilidade socioambiental antes de autorizar qualquer empreendimento na região.

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