O encerramento das operações de apostas no Brasil
O cenário das apostas esportivas no Brasil sofreu uma mudança drástica nesta terça-feira (6). Com a entrada em vigor da Medida Provisória (MP) nº 1.394/2026, todos os sites e aplicativos de apostas de quota fixa foram obrigados a encerrar suas operações no país. A norma veda integralmente a oferta, a intermediação e qualquer tipo de publicidade relacionada a essas plataformas em território nacional.
A medida, que impacta milhões de usuários, marca uma ofensiva do governo federal para conter o crescimento acelerado do setor e seus reflexos sociais. Segundo dados do Ministério da Fazenda, o volume de recursos movimentados diariamente nessas plataformas era expressivo, chegando a R$ 600 milhões, conforme apontado pelo ministro Dario Durigan. O Banco Central indicou que, com a interrupção, parte desse capital começou a ser redirecionada para outros setores da economia real.
Saldo retido e o processo de resgate
A transição para o fim das atividades das bets gerou uma corrida aos saques nos últimos dias. Até a noite de segunda-feira (5), prazo final para a retirada voluntária, cerca de R$ 1,33 bilhão ainda permanecia retido nas contas dos usuários. O governo informou que, desde o anúncio da MP em 26 de setembro, aproximadamente R$ 775,6 milhões foram resgatados pelos apostadores.
A queda no número de CPF’s com saldo positivo nas plataformas foi notável, passando de 28,9 milhões para 26,54 milhões no mesmo período. Para aqueles que não conseguiram realizar o saque voluntário dentro do prazo, o governo estabeleceu um cronograma de restituição que envolve o sistema bancário e a Caixa Econômica Federal.
Cronograma de restituição de valores
O processo de devolução dos saldos remanescentes segue um rito administrativo rigoroso. Entre os dias 7 e 8 de outubro, as empresas de apostas têm a obrigação de repassar às instituições financeiras o detalhamento dos saldos por CPF. Na sequência, entre 9 e 14 de outubro, os bancos ficam responsáveis por processar a devolução desses valores aos respectivos titulares.
Caso ocorra algum impedimento técnico ou operacional que inviabilize o crédito direto na conta do usuário, o montante será transferido para a Caixa Econômica Federal a partir de 14 de outubro. A instituição pública assumirá, então, a responsabilidade final pela restituição dos valores aos apostadores, garantindo que o dinheiro não fique retido indevidamente pelas empresas.
Disputa jurídica e o papel do STF
A proibição das apostas não ocorre sem resistência. Entidades do setor, como a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) e a Associação Nacional pela Segurança Jurídica dos Jogos e Apostas (Anseja), recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Luiz Fux foi designado relator das ações que pedem a suspensão da MP.
Os argumentos das associações giram em torno da falta de urgência para a edição de uma Medida Provisória e da suposta violação à segurança jurídica, dado que muitas empresas haviam investido para se adequar a normas anteriores. Por outro lado, o governo sustenta que a medida é essencial para mitigar o endividamento das famílias e os graves problemas de saúde pública decorrentes da dependência em jogos. O texto da MP ainda passará pelo crivo do Congresso Nacional, que tem até 120 dias para deliberar sobre a sua conversão em lei definitiva.
O Canal 1 de Notícias segue acompanhando os desdobramentos desta decisão, trazendo atualizações sobre os impactos econômicos e as movimentações no Judiciário e no Legislativo. Continue conosco para se manter informado com credibilidade e profundidade sobre os temas que definem o cotidiano do Brasil.
Mais sobre este assunto
Eleições 2026 em Serraria: confira o desempenho dos candidatos no primeiro turno


