Em um importante avanço contra a produção e comercialização de materiais perigosos, a Polícia Civil do Rio de Janeiro desmantelou uma fábrica clandestina de linha chilena em Jacarepaguá, na zona sudoeste da capital fluminense. A operação, conduzida por agentes da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), resultou na prisão de dois homens e na apreensão de uma vasta quantidade de material ilícito, reforçando o combate a uma prática que anualmente causa inúmeros acidentes graves e fatais.
A linha chilena, reconhecida por sua capacidade de corte devido à composição de elementos abrasivos, é expressamente proibida pela legislação estadual desde novembro de 2017. Esta ação policial visa coibir a proliferação desse material que representa um risco iminente, especialmente para motociclistas, mas também para a fauna e a infraestrutura elétrica.
Desarticulação de Rede de Produção Ilegal
A ação desta quinta-feira (7) foi fruto de um meticuloso trabalho de inteligência, que incluiu o cruzamento de dados e a troca de informações estratégicas por parte da Polícia Civil. As investigações revelaram a existência de uma estrutura clandestina de grande porte, dedicada à fabricação de linha chilena. A fábrica não apenas atendia ao mercado carioca, mas também tinha a capacidade de abastecer diversos outros estados brasileiros, evidenciando a amplitude e a organização da rede criminosa.
Durante a incursão na fábrica, os agentes flagraram em plena atividade a produção do material proibido, apreendendo uma considerável quantidade de linha chilena já pronta para distribuição, bem como todos os utensílios e insumos utilizados em seu processo de fabricação. A desarticulação dessa cadeia produtiva representa um golpe significativo no fornecimento desse produto de alto risco.
A Periculosidade da Linha Chilena e a Legislação Vigente
A linha chilena é notória por sua alta periculosidade, fabricada com materiais cortantes e de extrema resistência, como quartzo moído, algodão e óxido de alumínio. Sua estrutura a torna capaz de provocar ferimentos severos, mutilações e, em muitos casos, levar à morte, principalmente quando atinge motociclistas na região do pescoço, como tem sido registrado em diversas ocorrências trágicas.
A legislação estadual, promulgada em novembro de 2017, é clara ao proibir não apenas a linha chilena, mas também o cerol – uma mistura de vidro moído e cola –, e qualquer outro produto utilizado na prática de soltar pipas que contenha elementos cortantes. A proibição abrange a comercialização, uso, porte e posse desses materiais, ressaltando o compromisso das autoridades com a segurança pública. Além dos danos humanos, o uso dessas linhas representa um perigo para a rede elétrica e para a vida animal, ampliando o espectro de riscos que sua prática acarreta.
Crescimento Alarmante de Denúncias e Vítimas
Os números de denúncias relacionadas ao uso e comercialização de linha chilena e cerol no Rio de Janeiro revelam uma tendência preocupante de aumento. Em 2025, foram contabilizados 1.203 casos, mais que o dobro dos 561 registrados no ano anterior, 2024. Nos primeiros três meses de 2026, a Polícia Civil já havia registrado 110 novas denúncias, indicando que o problema persiste e se agrava.
Motociclistas permanecem como as principais vítimas dessa prática ilegal. Um exemplo doloroso e recente é o caso de Leandro Rezende Cardoso, de 45 anos, que faleceu em abril deste ano após ter o pescoço cortado por uma linha chilena enquanto trafegava em Cascadura, na zona norte do Rio. Este trágico incidente sublinha a urgência e a necessidade de operações contínuas para erradicar a produção e o uso desses materiais mortais.
Conclusão e Próximos Passos
A desativação da fábrica de linha chilena em Jacarepaguá representa um marco na luta contra um dos mais perigosos artigos ilegais que circulam no estado do Rio de Janeiro. A Polícia Civil reitera seu compromisso em combater essas atividades criminosas que colocam em risco a vida de milhares de cidadãos, especialmente daqueles que dependem de motocicletas para seu deslocamento diário.
Para além das ações repressivas, a conscientização sobre os perigos da linha chilena e do cerol é fundamental. A colaboração da população, através de denúncias, é crucial para que as autoridades possam seguir identificando e desmantelando redes de produção e comercialização, garantindo um ambiente mais seguro para todos e evitando novas tragédias causadas por essa prática irresponsável.