Search

Menopausa e Saúde Cardiovascular: Um Panorama Essencial para a Mulher

O Dr Kalil recebeu a cardiologista Salete Nacif e o ginecologista José Maria Soares Jr. para fal...

A transição para a menopausa é um período marcado por profundas mudanças hormonais e fisiológicas no corpo feminino, que vão muito além dos sintomas conhecidos como fogachos e ressecamento vaginal. Essa fase da vida de uma mulher demanda atenção especial, pois impacta diretamente a saúde cardíaca, um aspecto crucial que, muitas vezes, é subestimado. Especialistas alertam que a diminuição da produção hormonal pode reconfigurar o perfil de risco cardiovascular, tornando fundamental um acompanhamento médico abrangente.

As Transformações Fisiológicas da Menopausa e o Coração

Com a cessação da menstruação e a consequente queda nos níveis hormonais, o organismo feminino sofre adaptações significativas que predispõem a um maior risco de doenças cardiovasculares. O ginecologista José Maria Soares Jr. e a cardiologista Salete Nacif, em debate com Roberto Kalil, destacaram que nesse período há uma tendência ao acúmulo de gordura visceral, aquela localizada na região abdominal e entre os órgãos, que é particularmente prejudicial à saúde. Além disso, observa-se um aumento da resistência insulínica, condição que pode levar ao diabetes tipo 2, e uma elevação da pressão arterial, fatores de risco conhecidos para problemas cardíacos.

Os impactos vão além das alterações metabólicas diretas. Sintomas como os fogachos, que perturbam o sono, podem levar à insônia crônica, agravando o estresse e contribuindo para o ganho de peso. Esses elementos combinados criam um cenário em que a saúde do coração fica mais vulnerável, reforçando a necessidade de uma abordagem holística que considere todos os aspectos da vida da mulher.

Terapia de Reposição Hormonal: Indicações, Riscos e Alternativas

A terapia de reposição hormonal (TRH) surge como uma opção para aliviar os sintomas da menopausa, mas sua indicação exige uma avaliação médica minuciosa. Conforme Soares Jr., a TRH é considerada para mulheres no período fisiológico adequado (entre 45 e 55 anos) que apresentem sintomas vasomotores severos, atrofia dos órgãos genitais ou predisposição à perda de massa óssea. No entanto, é imperativo que cada caso seja individualizado.

A cardiologista Salete Nacif enfatiza que a avaliação do risco cardiovascular é crucial antes de prescrever qualquer tratamento hormonal. Mulheres com histórico de infarto ou AVC, por exemplo, apresentam contraindicações importantes, pois a reposição, mesmo com hormônios baixos, poderia aumentar o risco. Já para pacientes com diabetes, colesterol ou pressão alta, a TRH pode ser considerada, mas sob estrita orientação e monitoramento médico. Para aquelas que têm ou tiveram câncer de mama, ou outras condições de alto risco, existem alternativas não hormonais, como os psicotrópicos, ou medicamentos mais recentes, como o agonista dos receptores de neurocinina três, aprovado pela Anvisa, que atua nas ondas de calor com um mecanismo de ação distinto.

O Estilo de Vida como Pilar da Saúde Cardíaca Pós-Menopausa

Mais do que qualquer intervenção farmacológica, a adoção de um estilo de vida saudável é apontada pelos especialistas como a ferramenta mais poderosa para proteger o coração na menopausa. A atividade física regular é fundamental, seguindo as diretrizes da Organização Mundial da Saúde de 150 minutos de exercícios moderados ou 75 minutos de atividades mais intensas por semana. É crucial combinar atividades aeróbicas, como caminhada ou ciclismo, com exercícios de resistência, como pilates ou musculação, que beneficiam não apenas o sistema cardiovascular, mas também a massa óssea e muscular.

Além do exercício, um cuidado holístico envolve a atenção à alimentação, o controle do consumo de álcool e tabaco, e a gestão do estresse. A menopausa é uma fase de grandes transformações, e a manutenção desses hábitos saudáveis é um tratamento não farmacológico que impacta positivamente a saúde geral, mitigando os riscos associados às mudanças hormonais e prevenindo uma série de doenças.

Prevenção e Alerta: Reconhecendo Riscos e Sintomas Específicos

É vital que as mulheres e seus médicos estejam cientes dos grupos de maior risco e da importância do estrogênio na proteção cardiovascular antes da menopausa. A menopausa precoce e a induzida (por cirurgia ou tratamento médico) merecem atenção redobrada, pois aumentam o tempo de exposição a um ambiente hormonal desfavorável ao coração. A realização de exames periódicos é indispensável para monitorar os níveis de colesterol, glicose e pressão arterial, permitindo um diagnóstico precoce de quaisquer alterações.

As mulheres devem estar atentas aos sintomas que não devem ser atribuídos apenas às alterações hormonais, buscando avaliação médica para diferenciar causas. Em relação a um infarto, os sinais podem ser diferentes dos apresentados por homens, frequentemente manifestando-se como dor no peito, falta de ar, náuseas, fadiga incomum ou dor nos ombros e pescoço. O reconhecimento precoce desses sintomas é crucial, assim como a adoção proativa de hábitos saudáveis, que se configuram como a principal estratégia para reduzir significativamente o risco de doenças cardiovasculares durante e após a menopausa.

Em suma, a menopausa representa um período de vulnerabilidade cardiovascular que exige uma abordagem atenta e individualizada. A compreensão das mudanças fisiológicas, a avaliação criteriosa da terapia hormonal, e a adoção de um estilo de vida ativo e saudável são pilares para garantir a qualidade de vida e a longevidade das mulheres nesta fase fundamental da vida.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br

Mais recentes

Rolar para cima