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Megaoperação da PF Desarticula Esquema de R$ 1,6 Bilhão Envolvendo Funkeiros, Influenciadores e Empresários

G1

Uma vasta operação da Polícia Federal (PF) abalou o cenário do show business e das redes sociais no Brasil, revelando um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão. Intitulada Operação Narco Fluxo, a ação mirou funkeiros de renome como MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além de influenciadores digitais e empresários, suspeitos de integrar uma complexa rede criminosa. O objetivo é desmantelar uma organização que mesclava o tráfico de drogas, jogos de azar e rifas digitais com a imagem de personalidades influentes.

Operação Narco Fluxo: O Combate à Lavagem de Dinheiro

A Operação Narco Fluxo, desencadeada recentemente, é resultado de uma investigação aprofundada da Polícia Federal sobre uma organização criminosa dedicada à lavagem de dinheiro e transações ilegais. A engrenagem desse esquema, conforme detalhado pela Justiça Federal, se apoiava na exploração da indústria audiovisual e do showbusiness digital, utilizando a visibilidade de figuras públicas para impulsionar atividades ilícitas. Foram cumpridos 90 mandados judiciais, incluindo buscas, apreensões e prisões temporárias, em oito estados e no Distrito Federal, com a determinação de sequestro de bens como medida para descapitalizar o grupo.

A Intrincada Rede Financeira: Da 'Golden Cat' aos PIXs Milionários

No coração da infraestrutura financeira do esquema, as investigações apontam para a empresa 'Golden Cat', controlada por indivíduos de origem chinesa. Esta companhia é descrita como uma "grande processadora de pagamentos" que gerenciava centenas de milhões de reais, funcionando como o eixo central para a arrecadação de fundos provenientes de apostas ilegais. Para mitigar riscos de bloqueio e burlar os sistemas de segurança bancários, a organização empregava uma tática de fragmentação, pulverizando grandes somas através de múltiplas contas e centenas de transferências.

Um dos alvos detidos, o empresário português Fernando de Sousa, sócio de uma padaria de luxo em Santos, exemplifica essa dinâmica. Fernando, de 68 anos, é investigado por ter efetuado um total de R$ 360 mil em 16 transferências via PIX para a 'Golden Cat' entre 1º de junho e 30 de agosto de 2024. Sua detenção ocorreu no bairro Ponta da Praia, e a PF ressaltou que ele, juntamente com outros dois investigados, teria realizado inúmeras transações cruciais para a manutenção da estrutura financeira da rede criminosa.

Celebridades e Influenciadores: Rostos na Mira da Lei

A Polícia Federal identificou MC Ryan SP como o suposto líder e principal beneficiário econômico do esquema, sublinhando a gravidade da inserção de figuras públicas em atividades criminosas. Além dele, outros nomes conhecidos foram atingidos pela operação, incluindo MC Poze do Rodo, o criador da página Choquei, Raphael Sousa Oliveira, e o influenciador Chrys Dias, todos detidos ou alvo de mandados judiciais.

O empresário Rodrigo Morgado, também listado entre os alvos, já se encontrava detido por envolvimento em outra operação da PF, o que evidencia a amplitude e as conexões do crime organizado. A operação também resultou na apreensão de itens simbólicos e incriminadores, como um colar com a imagem de Pablo Escobar e diversas armas, em endereços ligados a alguns dos funkeiros investigados, reforçando o elo entre a imagem pública e as atividades ilícitas apuradas.

Desdobramentos e Sigilo Judicial

A investigação prossegue sob sigilo judicial, o que limita o acesso a detalhes específicos do processo. O advogado de Fernando de Sousa, Armando de Mattos Júnior, confirmou a impossibilidade de comentar sobre as minúcias do caso, citando a lealdade ao juízo. A Operação Narco Fluxo representa um marco no combate a esquemas de lavagem de dinheiro que se utilizam de plataformas digitais e da influência de celebridades, destacando a capacidade das organizações criminosas de se adaptar e explorar novas mídias para seus propósitos ilícitos.

A Polícia Federal segue empenhada em desvendar todas as ramificações da rede, garantindo que os responsáveis sejam levados à justiça e que os bens adquiridos ilicitamente sejam sequestrados, buscando coibir a prática de crimes financeiros que corroem a economia e a segurança pública.

Fonte: https://g1.globo.com

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