A Polícia Civil do Paraná concluiu o inquérito que apurava a morte de Irmã Nadia Gavanski, uma religiosa de 82 anos, encontrada sem vida no convento Irmãs Servas de Maria Imaculada, em Ivaí, na região dos Campos Gerais. As investigações revelaram a natureza hedionda do crime, confirmando que a freira foi vítima de homicídio qualificado e estupro, um caso que chocou profundamente a comunidade e o país. A documentação foi agora formalmente encaminhada ao Ministério Público do Paraná (MP-PR) para as devidas providências legais contra o suspeito.
A Brutalidade Revelada pela Perícia
Os resultados do laudo pericial foram cruciais para a compreensão da extensão da violência sofrida por Irmã Nadia. O exame apontou que, além da causa-mortis por asfixia, a religiosa foi vítima de violência sexual, evidenciada pelas graves lesões constatadas. O delegado Hugo Santos Fonseca confirmou que o suspeito foi indiciado pela prática dos crimes de homicídio qualificado, estupro qualificado, resistência e violação de domicílio qualificada. As provas coletadas, incluindo imagens de câmeras de segurança e vestígios de sangue encontrados nas vestes do investigado, solidificaram a autoria dos crimes.
A Invasão do Convento e o Cenário do Crime
O trágico evento ocorreu por volta das 13h30 de um sábado, dia 21, quando o agressor invadiu o convento após pular o muro. Ao ser questionado pela freira sobre sua presença no local, o homem alegou estar ali para trabalhar. Contudo, ao perceber a desconfiança da idosa, ele a empurrou. Em seu depoimento, o suspeito admitiu ter asfixiado a vítima porque ela começou a gritar, culminando no brutal assassinato da religiosa.
As Alegações do Suspeito e a Desqualificação pela Perícia
Durante o interrogatório, o investigado apresentou uma versão na qual alegava ter agido sob o efeito de álcool e drogas, afirmando ter passado a madrugada ouvindo vozes que o mandavam matar alguém. Ele confessou parte das agressões, mas tentou minimizar o aspecto sexual dos atos cometidos. Entretanto, a perícia técnica foi categórica em refutar essas alegações, desqualificando qualquer tentativa de diminuir a gravidade e a natureza sexual da violência perpetrada contra a freira. O suspeito também admitiu ter entrado no convento com a intenção de cometer um assassinato, negando qualquer intenção de furto de bens do local.
O Suspeito e Seu Histórico Criminal
A investigação revelou que o autor do crime possuía um histórico criminal prévio. Ele havia sido detido por furto qualificado em dezembro do ano anterior e, dois dias depois, foi colocado em liberdade provisória. Conforme informações do delegado Hugo Fonseca, o indivíduo possuía registros de passagens pela polícia que datam de anos anteriores, envolvendo crimes como roubo, furto e violência doméstica, demonstrando um padrão de comportamento delituoso que culminou na tragédia em Ivaí.
A Atuação Decisiva de uma Testemunha-Chave e a Captura
A identificação e posterior captura do suspeito foram significativamente auxiliadas pela ação de uma fotógrafa que estava registrando um evento no convento. Pouco após o assassinato, a mulher foi abordada pelo homem, que exibia nervosismo, roupas sujas de sangue e arranhões no pescoço. Apesar de sua versão de que a freira havia caído, a testemunha desconfiou, pois nunca o havia visto trabalhando no local em nove anos de experiência. Discretamente, ela filmou a interação, o que se tornou uma prova vital para a polícia.
A fotógrafa pediu ajuda de outras pessoas para acionar a ambulância e a Polícia Militar; nesse intervalo, o suspeito fugiu. No entanto, a gravação permitiu a rápida identificação e localização do agressor em sua residência. Ao perceber a chegada da equipe policial, ele tentou fugir e agrediu os agentes, mas foi contido e, durante a abordagem, admitiu a autoria do crime. A contribuição da testemunha foi fundamental para a elucidação do caso.
A Vida Dedicada de Irmã Nadia Gavanski
Irmã Nadia Gavanski dedicou a maior parte de sua vida à fé e ao serviço religioso. Ela ingressou na congregação Irmãs Servas de Maria Imaculada em 1971, aos 27 anos, somando 55 anos de vida religiosa. Era descrita por suas irmãs de congregação, como Deonisia Diadio, como uma pessoa 'humilde, confiante e profundamente mariana', em referência à sua grande devoção à Virgem Maria. Apesar de ter desenvolvido dificuldade na fala após um acidente vascular cerebral (AVC), ela permanecia ativamente engajada nas rotinas e atividades do convento, sendo um exemplo de resiliência e fé para todos ao seu redor.
A conclusão deste inquérito traz à luz a brutalidade de um crime que tirou a vida de uma mulher idosa e dedicada à religião. A celeridade e a precisão da investigação policial, aliadas à coragem de uma testemunha, foram fundamentais para a identificação e indiciamento do responsável. Agora, o caso segue para o Ministério Público, onde a expectativa é que a justiça seja feita, proporcionando alguma reparação à memória de Irmã Nadia Gavanski e à comunidade que lamenta sua trágica perda.
Fonte: https://g1.globo.com