Search

Governo Projeta Superávit Primário de R$ 73 Bilhões para 2027, mas Despesas Excluídas Reduzem o Ganhador Efetivo

© José Cruz/Agência Brasil/Arquivo

A equipe econômica do governo federal apresentou uma ambiciosa proposta de meta de superávit primário de <b>R$ 73,2 bilhões para o ano de 2027</b>, correspondendo a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB). A projeção foi detalhada no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO), documento crucial que traça as bases para o orçamento do primeiro ano do próximo mandato presidencial, encaminhado ao Congresso Nacional. Embora o valor nominal seja expressivo, as estimativas apontam para um resultado efetivo consideravelmente menor nas contas públicas, devido à previsão de substanciais descontos.

A Meta Fiscal e Suas Nuances

Apesar da meta inicial de R$ 73,2 bilhões, a realidade fiscal projetada pelo governo para 2027 revela um cenário mais complexo. A expectativa é que sejam deduzidos R$ 65,7 bilhões em despesas que, embora legítimas, não são consideradas dentro das regras fiscais. Isso reduziria o superávit final para aproximadamente <b>R$ 8 bilhões</b>. Caso essa projeção se concretize, marcaria o primeiro resultado positivo nas contas federais, incluindo todos os gastos públicos, desde 2022. É importante ressaltar que o superávit primário mede o resultado das contas governamentais antes do pagamento dos juros da dívida pública. Para o ano corrente, a previsão oficial é de um pequeno superávit de R$ 3,5 bilhões, mas, ao considerar os gastos fora do arcabouço, o governo antecipa um déficit de R$ 59,8 bilhões.

O Arcabouço Fiscal e a Margem de Manobra

O novo arcabouço fiscal, instituído para guiar a política orçamentária do país, incorpora uma margem de tolerância que oferece certa flexibilidade ao governo. Essa margem, fixada em 0,25% do PIB, traduz-se em <b>R$ 36,6 bilhões</b>. Na prática, essa folga permite que o governo, mesmo diante de uma frustração de receitas, possa eventualmente registrar um déficit primário sem descumprir totalmente a regra estabelecida. A proposta do PLDO, que define essas diretrizes, precisará ser submetida à aprovação do Congresso Nacional, e suas regras terão validade para o próximo presidente eleito, que terá a prerrogativa de mantê-las ou propor alterações, sempre com o aval parlamentar.

Despesas Excluídas: Precatórios e Tendências

A significativa parcela de gastos excluídos do cálculo da meta fiscal, estimada em R$ 65,7 bilhões para 2027, é um elemento central na dinâmica das contas públicas. Uma porção considerável desse alívio orçamentário decorre da inclusão de 39,4% dos precatórios – dívidas judiciais definitivas da União – fora da meta fiscal. Esse percentual é notavelmente superior ao mínimo de 10% anual previsto na emenda constitucional que rege o tema até 2036. Essa estratégia tem como objetivo evitar uma deterioração ainda maior da saúde fiscal do país e da trajetória da dívida pública, mantendo o volume de despesas excluídas em <b>R$ 57,8 bilhões</b>, patamar similar ao projetado para 2026. A prática de excluir gastos do cálculo fiscal tem sido recorrente desde o início do atual governo, período em que as contas federais operaram no vermelho entre 2023 e 2025, com a previsão de um novo déficit em 2026.

Limites de Gastos: Um Novo Teto Atenuado

O arcabouço fiscal também estabelece limites rígidos para o crescimento das despesas federais. A regra geral permite que os gastos aumentem em termos reais (acima da inflação) até 70% do crescimento real da receita. Com base nisso, as despesas federais poderiam ter um incremento real de 3,3% em 2027, 5,09% em 2028, 3,88% em 2029 e 3,22% em 2029. Contudo, na prática, um <b>teto de 2,5% de crescimento real</b> é imposto para as despesas até 2030, funcionando como uma versão atenuada do antigo teto de gastos. Em termos absolutos, o governo federal terá um limite de gastos de até R$ 2,541 trilhões em 2027, atingindo R$ 2,995 trilhões em 2030. Desse montante, a maior parte é destinada ao Poder Executivo. Os limites para os demais Poderes – Legislativo, Judiciário, Ministério Público da União e Defensoria Pública da União – foram definidos em R$ 100,1 bilhões em 2027, escalonando para R$ 117,9 bilhões em 2030.

Próximos Passos e o Desafio Fiscal

O PLDO serve como um documento de diretrizes gerais para a elaboração do Orçamento da União. Os pormenores referentes às receitas e despesas serão apresentados ao Congresso Nacional até o dia 31 de agosto, com o envio do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA). A proposta de superávit para 2027, mesmo com as deduções, reitera o contínuo desafio que o próximo governo enfrentará para alcançar o equilíbrio das contas públicas. Este cenário é ainda marcado por persistentes pressões fiscais e um crescimento econômico que se mantém em patamares moderados, exigindo uma gestão fiscal cautelosa e eficaz.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Mais recentes

Rolar para cima