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Benedito Ruy Barbosa: O Imortal Legado de um Gênio que Contou o Brasil

G1

O cenário da teledramaturgia brasileira perdeu um de seus maiores mestres com o falecimento de Benedito Ruy Barbosa, aos 95 anos, nesta terça-feira (7). Internado em São Paulo devido a complicações de uma insuficiência renal, o autor deixa uma obra vasta e um legado inestimável, reverenciado por colegas de profissão, atores e familiares que destacam sua singular criatividade e a notável generosidade que marcava sua trajetória.

Um Olhar Profundo sobre o Brasil: Histórias que Desafiam o Tempo

Benedito Ruy Barbosa foi o arquiteto de narrativas que, por décadas, trouxeram as mais diversas faces do Brasil para a tela da televisão. Sua capacidade de criar tramas que se mantêm atuais e relevantes é um testamento de seu gênio, como observou Amauri Soares, diretor-executivo dos Estúdios Globo. Para ele, as obras de Benedito são mágicas, pois capturam a essência da formação do povo brasileiro. A prova disso foi a ressonância de remakes como 'Pantanal' e 'Renascer', que conectaram uma nova geração de espectadores com os sentimentos de pais e avós que já haviam se emocionado com as histórias originais. Sua paixão por contar o Brasil, pontuando a dignidade do brasileiro e enaltecendo suas lutas, foi uma marca autoral, conforme destacado por seu neto e também autor, Bruno Luperi, que o vê como um percursor, um inventor de um gênero único.

A Força da Emoção: Personagens que Tocaram Vidas

A maestria de Benedito em criar personagens não se limitava a esboços no papel; eles ganhavam vida, emoção e impactavam profundamente aqueles que os interpretavam. O ator Osmar Prado, por exemplo, recorda a emoção compartilhada com o autor ao falar de Tião Galinha, de 'Renascer', evidenciando que Benedito era um artista que se emocionava com a própria criação. Cristiana Oliveira jamais deixou de ser 'Juma Marruá' após a primeira versão de 'Pantanal', sendo apresentada não só à personagem, mas ao bioma que hoje defende como ativista. Marcos Palmeira, que participou de ambas as versões de 'Pantanal', enfatiza a habilidade do autor em levar o 'Brasil profundo' para o horário nobre, discutindo problemas sociais e políticos de forma brilhante e impactante. Almir Sater, por sua vez, atribui a Benedito a chance de sua vida ter sido 'iluminada' após interpretar Trindade na novela. Tony Ramos, um dos grandes nomes da teledramaturgia brasileira, ressalta que Benedito olhava o país com a preocupação de um brasileiro, resultando em obras vigorosas e atemporais.

O Homem por Trás do Gênio: Simplicidade e Paixão

Além do roteirista prolífico, Benedito Ruy Barbosa era um homem de paixões e hábitos simples. Um são-paulino 'roxo' e conselheiro vitalício do clube, sua devoção ao time era tão intensa que, para o filho Ruy Maurício Barbosa, ele era mais torcedor do São Paulo do que da Seleção. Edilene Barbosa, sua filha, revela um de seus segredos de escrita: 'a gente precisa escrever como se fala', adaptando a linguagem à realidade dos personagens, como o famoso 'uai' dos mineiros. Longe de se trancar para criar, Benedito escrevia seus roteiros na mesa da copa, um ambiente familiar que reflete sua proximidade com a vida real. Essa abordagem íntima e pessoal, onde ele dizia ter se colocado em cada personagem que criou, assegura que suas histórias e seu espírito viverão, permitindo que netos e bisnetos ainda tenham a chance de conhecer o avô e o bisavô através da riqueza de sua obra.

O adeus a Benedito Ruy Barbosa marca o fim de uma era, mas o início da celebração contínua de um legado que transcende gerações. Sua criatividade e a generosidade de sua escrita permanecerão vivas nas memórias afetivas de milhões de brasileiros e na eternidade de cada personagem que ele meticulosamente deu vida, consolidando-o como um dos maiores e mais sensíveis contadores de histórias do nosso tempo. Seu trabalho não apenas entreteve, mas também educou e emocionou, deixando uma marca indelével na cultura nacional.

Fonte: https://g1.globo.com

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