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Agentes do ICE Recebem Treinamento Reduzido, Levantando Preocupações sobre Preparação Operacional

CNN Brasil

Uma análise aprofundada da CNN revelou que os oficiais do Serviço de Imigração e Controle Aduaneiro dos EUA (ICE), a agência encarregada da aplicação da lei migratória, recebem significativamente menos treinamento do que a vasta maioria dos agentes federais que portam distintivo e arma no país. Essa disparidade não é apenas histórica, mas foi agravada por uma recente redução pela metade na duração da capacitação para novos recrutas, gerando sérias preocupações sobre a preparação desses agentes para suas complexas e muitas vezes delicadas funções.

A Chocante Disparidade na Capacitação Federal

Os dados compilados pela CNN, que examinaram os requisitos de treinamento de aproximadamente 30 cargos de oficiais juramentados nas 20 maiores agências federais de aplicação da lei, apontam para uma realidade preocupante. Apenas oficiais de liberdade condicional dos tribunais dos EUA e guardas prisionais federais recebem menos dias de instrução do que os agentes de deportação do ICE. Agências como o Serviço de Receita Federal (investigadores criminais), o Serviço Secreto e a Polícia do Capitólio exigem mais que o dobro do tempo de treinamento.

Mesmo funções federais menos proeminentes, como agentes da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, que protegem áreas de pesca, e policiais do Escritório de Gravação e Impressão, responsáveis pela segurança de instalações monetárias, passam por uma formação mais extensa. Essa ampla diferença sublinha um padrão de menor investimento na preparação dos agentes do ICE em comparação com seus pares federais, incluindo até mesmo funcionários encarregados de investigar contrabando de animais exóticos e fraude de hodômetros.

Redução Drástica do Treinamento e suas Consequências

Historicamente, os oficiais de deportação do ICE já operavam com um período de treinamento mais curto. No entanto, em meio a rigorosas cotas de deportação e uma intensa campanha de contratação durante a administração Trump, a agência reduziu drasticamente a duração da formação inicial. O que antes eram 20 semanas, ou aproximadamente 100 dias, de treinamento obrigatório para os agentes de deportação, foi cortado para apenas 42 dias. Essa decisão tem levantado críticas severas de especialistas na área.

Marc Brown, que atuou como instrutor no Centro Federal de Treinamento para Aplicação da Lei (FLETC) até 2024 – local onde os recrutas do ICE são capacitados – expressou profunda preocupação. 'Eles não estão sendo adequadamente treinados para as tarefas que lhes são atribuídas', afirmou. Brown ressaltou que 'alguns dos erros que você cometeria durante o treinamento, agora você está cometendo em campo', sugerindo um aumento potencial de incidentes problemáticos devido à inexperiência e à falta de preparação adequada para lidar com as complexidades das operações migratórias.

Diferenças entre Divisões do ICE e Prioridades de Contratação

É crucial distinguir entre os diferentes braços de aplicação da lei dentro do ICE. Enquanto os oficiais de Operações de Execução e Remoção (ERO) são responsáveis pela prisão, detenção e remoção de imigrantes indocumentados, existe uma divisão separada de agentes especiais, as Investigações de Segurança Interna (HSI). Esses agentes da HSI recebem um treinamento significativamente mais longo, pois são encarregados de conduzir investigações criminais complexas relacionadas a terrorismo e ameaças à segurança nacional.

No entanto, os planos de expansão do ICE não refletem um equilíbrio entre essas funções. A agência tem focado sua recente onda de contratações predominantemente em agentes de deportação da ERO, planejando recrutar dez vezes mais agentes de deportação do que agentes da HSI, exacerbando a preocupação com a qualificação geral da força de trabalho em suas operações mais visíveis e de alto contato com a população. Além disso, o pessoal da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP), que frequentemente colabora com o ICE em operações internas, também passa por programas de treinamento consideravelmente mais longos do que os agentes de deportação do ICE, reforçando a anomalia na formação dos oficiais de remoção.

Falta de Transparência e Respostas Insatisfatórias

Diante das críticas, o ICE declarou à CNN que nenhum conteúdo de treinamento foi removido para os agentes de deportação, alegando que a instrução agora ocorre em jornadas de 12 horas diárias, em vez das 8 horas habituais. Contudo, a agência se recusou a especificar quando essa mudança foi implementada. Além disso, documentos de treinamento recentes, fornecidos ao Congresso por um denunciante, não corroboram a alegação de dias de 12 horas, levantando dúvidas sobre a veracidade das informações.

Mesmo quando as horas extras foram consideradas na comparação da CNN, os agentes de deportação do ICE permaneceram próximos ao último lugar na lista de treinamento federal. A duração exigida do treinamento em vagas de emprego ativas, comunicados à imprensa e reportagens da mídia tem flutuado, atraindo críticas de legisladores e do público sobre a falta de transparência.

Deborah Fleischaker, ex-chefe de gabinete do ICE e funcionária do Departamento de Segurança Interna que deixou a agência no ano passado, expressou seu ceticismo. 'Eles têm dado várias respostas, e elas não fazem sentido', disse ela. Fleischaker concluiu que a situação 'deixa ainda mais questões sobre qual é a duração e a qualidade do treinamento que os novos agentes estão recebendo', evidenciando a crescente preocupação pública e legislativa.

Implicações e o Caminho a Seguir

A persistente subcapacitação dos agentes do ICE, aliada à redução recente do treinamento e à falta de transparência da agência, levanta questões fundamentais sobre a segurança pública e a eficácia das operações de aplicação da lei migratória. Em um cenário onde os agentes enfrentam situações de alta complexidade e potencial de confronto, a preparação inadequada pode ter consequências graves, tanto para os oficiais quanto para a população sob sua jurisdição.

A disparidade no treinamento em comparação com outras forças federais sugere uma desvalorização da complexidade das funções do ICE. A necessidade de uma revisão abrangente e um investimento substancial na formação desses profissionais é imperativa para garantir a responsabilidade, a competência e a adesão aos mais altos padrões em um setor tão sensível e crucial da segurança nacional e das relações sociais.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br

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