
RAQUEL DÍAS
CRÉDITOS: https://revistaoeste.com/economia/intervencao-no-banco-master-e-a-maior-da-historia-do-brasil/

O BC decretou a liquidação extrajudicial e administração especial temporária da instituição financeira
Logotipo do Banco Master, que passa a ser gerido pelo Banco Central | Foto: Reprodução/Redes sociais
O Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master S.A. e colocou o Banco Master Múltiplo sob administração especial temporária. O conglomerado, com R$ 86,3 bilhões em ativos, tornou-se o maior caso de intervenção bancária já registrado no Brasil, superando episódios como Nacional, Econômico e Bamerindus, nos anos 1990.
A liquidação encerra as operações do Master S.A. e transfere a um administrador nomeado pelo BC a tarefa de vender bens e recuperar créditos para pagar credores. O Master Múltiplo continua em funcionamento, porém sob controle direto da autoridade monetária.
Os depósitos elegíveis ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) somam R$ 62,2 bilhões — volume inédito para o mecanismo, que cobre até R$ 250 mil por cliente. Em 30 anos, o fundo atuou em cerca de 40 quebras, mas nunca enfrentou risco dessa magnitude.
Além do Banco Master: outros bancos que já sofreram intervenção

A intervenção no conglomerado do Banco Master não é um episódio isolado na história do Sistema Financeiro Nacional.
O Brasil já registrou outras quebras e regimes de administração especial em instituições de grande porte, especialmente nos anos 1990 e 2000, quando fraudes contábeis, má gestão e desequilíbrios depois do Plano Real se tornaram recorrentes.
- Banco Nacional (1995): o rombo estimado gira entre R$ 5 bilhões e R$ 10 bilhões da época (R$ 25 bilhões a 50 bilhões corrigidos). Fraude contábil e risco sistêmico depois do Plano Real. Parte saudável foi transferida ao Unibanco;
- Banco Econômico (1995): o déficit registrado é de cerca de R$ 3 bilhões (R$ 15 bilhões a 25 bilhões atualizados). O processo foi prolongado, e a venda de ativos viáveis foi direcionada ao Banco Excel;
- Bamerindus (1997): custo de R$ 3,7 bilhões na época (R$ 19,6 bilhões atualizados). Depois de saneamento pelo Banco Central e FGC, a carteira saudável foi vendida ao HSBC;
- Banco Santos (2004): ativos próximos de R$ 10 bilhões (R$ 25 bilhões a R$ 30 bilhões atuais). O caso foi marcado por má gestão e fraudes. Bens de luxo foram leiloados;
- PanAmericano (2010): rombo de R$ 2,5 bilhões (R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões atualizados), coberto pelo FGC e pelo Grupo Silvio Santos. Operação saneada e vendida ao BTG Pactual;
- Cruzeiro do Sul (2012): fraude contábil e rombo de cerca de R$ 1,3 bilhão (R$ 2 bilhões atualizados). Venda de ativos ao Banco Original e BTG Pactual;
- Banco Rural (2013): liquidação depois de sucessivos prejuízos e envolvimento no Mensalão. Processo tradicional de venda de ativos para pagar credores; e
- Conglomerado Banco Master (2025): R$ 86,3 bilhões em ativos e R$ 62,2 bilhões em depósitos cobertos pelo FGC. Maior intervenção bancária da história, com liquidação do Master S.A. e controle direto do BC sobre o Master Múltiplo.