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Ministério da Saúde Cria Comitê Permanente para Otimizar Compra de Medicamentos e Ampliar Acesso no SUS

© Marcello Casal/Arquivo/Agência Brasil

O Ministério da Saúde (MS) deu um passo estratégico para aprimorar a gestão de recursos e o acesso a tratamentos no Sistema Único de Saúde (SUS) com a instituição, nesta quinta-feira (23), de um comitê permanente dedicado à negociação de preços para a compra de medicamentos. A iniciativa visa não apenas otimizar os gastos públicos, mas também liberar orçamento para a inclusão de novas e vitais terapias na rede pública de saúde, beneficiando milhões de brasileiros.

Estratégia para Economia e Expansão do Acesso

A principal motivação por trás da criação deste comitê é a busca por uma maior eficiência na aquisição de fármacos. Ao negociar a compra de medicamentos em grande volume, o Ministério da Saúde espera obter preços significativamente mais baixos. Essa economia não será apenas um alívio para os cofres públicos, mas uma estratégia deliberada para viabilizar a incorporação de novos tratamentos, especialmente aqueles de alto custo destinados a doenças complexas como o câncer e condições autoimunes. Fernanda De Negri, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do MS, enfatizou que a medida representa uma modernização na forma de negociação, estabelecendo regras mais transparentes e garantias para se alcançar um valor justo, permitindo que o orçamento remanescente seja direcionado a outros investimentos em saúde e novas tecnologias.

Mecanismos de Atuação e Cenários de Negociação

Com um caráter técnico e permanente, o novo comitê será acionado em situações estratégicas para a saúde pública. Sua atuação primordial ocorrerá a pedido da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), órgão que detém a responsabilidade final sobre a inclusão de novas tecnologias e medicamentos no SUS. Este mecanismo garante que as negociações de preços sejam integradas ao processo decisório de incorporação de novas terapias. O comitê também terá um papel crucial em cenários onde a concorrência de mercado é limitada. Em casos de medicamentos únicos, produzidos por um só laboratório e que impossibilitam a aquisição por licitação tradicional, a equipe de negociação intervirá para buscar valores mais acessíveis. Dada a escala do SUS, que anualmente movimenta cerca de R$ 31,3 bilhões na compra de vacinas, medicamentos e insumos, há um considerável poder de barganha a ser explorado. Além disso, a iniciativa prevê a intervenção do comitê quando um medicamento já incorporado ao SUS apresentar um aumento de preço expressivo, sendo acionado pela Secretaria do Ministério da Saúde responsável por tal demanda.

Impacto Esperado e Precedentes Internacionais

A expectativa do Ministério da Saúde com este novo modelo de negociação é ambiciosa: alcançar descontos superiores a 50% em relação aos preços atuais de medicamentos novos ou recém-incorporados. Tal otimização orçamentária é vista como essencial para ampliar a capacidade do SUS de ofertar tratamentos avançados à população. A implementação deste comitê não é uma inovação isolada no cenário global. Mais de 40 países já adotam modelos semelhantes de negociação centralizada para medicamentos, incluindo nações como Canadá, Inglaterra, Austrália e França. Embora a ideia de um mecanismo como este circule há bastante tempo dentro da pasta da saúde brasileira, somente agora ela se concretiza como uma política institucionalizada, marcando uma evolução na gestão e planejamento estratégico do SUS.

Em suma, a criação do comitê de negociação de preços representa um marco na política de saúde brasileira, prometendo uma gestão mais eficiente dos recursos e um acesso mais equitativo a tratamentos inovadores. Ao modernizar seus processos de compra e alavancar seu poder de negociação, o Ministério da Saúde fortalece o SUS, assegurando que mais cidadãos possam se beneficiar das mais recentes descobertas médicas, consolidando o compromisso com a saúde pública universal e de qualidade.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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