A tranquilidade de uma família em Teresina foi abruptamente interrompida por um grave incidente na Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, onde uma recém-nascida foi alvo de uma suposta tentativa de sequestro. Apesar do susto e do profundo abalo emocional, a família agora celebra o retorno da bebê ao lar, em segurança, enquanto as autoridades e a instituição de saúde prosseguem com as investigações para esclarecer os fatos e responsabilizar os envolvidos. O caso, ocorrido na tarde da última segunda-feira (6), lançou luz sobre a fragilidade da segurança hospitalar e o impacto devastador de tais eventos.
O Retorno Marcado pelo Alívio e o Trauma Familiar
A chegada da recém-nascida em casa foi recebida com uma "sensação de alívio" por seus familiares. Marcos Lima, tio da bebê, expressou a gratidão por sua sobrinha estar de volta e bem, contrastando com o temor de um desfecho trágico. No entanto, o alívio não apagou o trauma vivenciado, especialmente pela mãe da criança. A jovem, que optou por não ter sua identidade revelada, descreveu seu estado psicológico como "acabado", confessando que a situação a deixou sem reação e com a crença de segurança em uma maternidade renomada completamente abalada. A noite que se seguiu ao parto e ao incidente foi marcada por insônia e angústia, revelando a extensão do sofrimento imposto à família.
A Dinâmica do Incidente e as Questões Levantadas pela Família
A mãe relatou que, enquanto se recuperava do parto, sua irmã acompanhava a recém-nascida para a realização de exames de rotina. Foi nesse período que a tentativa de sequestro teria ocorrido. Ao despertar, ela se deparou com uma mulher desconhecida segurando sua filha e a irmã em estado de choque. Inicialmente, a irmã hesitou em contar a gravidade da situação, tentando poupar a mãe já fragilizada. Após ser informada, a família foi encaminhada para uma sala da maternidade, onde recebeu atendimento psicológico. Durante a sessão, segundo a mãe, uma psicóloga teria solicitado que ela "ajudasse a maternidade", o que foi prontamente interrompido pela irmã, que considerou o pedido inadequado para o momento de vulnerabilidade. A família também relata ter sido orientada a deixar o hospital por uma saída secundária, o que sugeriu uma tentativa de evitar contato com a imprensa presente na entrada principal. Adicionalmente, a mãe afirma que, desde a alta hospitalar, não houve contato da maternidade para prestar esclarecimentos e que um pedido para acessar as imagens das câmeras de segurança não foi atendido.
A Resposta Institucional e o Andamento da Investigação
A Polícia Civil do Piauí está tratando o episódio como tentativa de sequestro. Uma técnica de enfermagem, apontada como suspeita de envolvimento, foi afastada de suas funções pela maternidade um dia após o ocorrido. O delegado Hugo Alcântara informou que a pessoa já está identificada, e as diligências para verificar seu vínculo funcional e outras informações pertinentes estão em curso. Até o momento, a polícia não confirmou se a suspeita prestou depoimento ou se há mandados judiciais contra ela. A Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa (NMDER) divulgou uma nota afirmando ter registrado um Boletim de Ocorrência e estar cooperando integralmente com as autoridades, fornecendo todas as informações solicitadas, incluindo imagens do circuito interno de monitoramento. A instituição assegurou que a mãe, o bebê e a acompanhante receberam suporte completo das equipes médica, de Serviço Social e Psicologia, além de confirmar o afastamento administrativo da profissional supostamente envolvida até a conclusão das investigações. Por sua vez, o Conselho Regional de Enfermagem do Piauí (Coren-PI) anunciou que acompanhará o caso com rigor, comprometendo-se a apurar a situação com seriedade, imparcialidade e observância ao devido processo legal, reafirmando seu compromisso com a ética profissional e a segurança assistencial.
Enquanto a bebê se recupera em casa, o caso na Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa continua sendo um ponto de atenção para as autoridades e para a comunidade. A investigação policial e os processos administrativos em andamento buscarão não apenas desvendar a totalidade dos fatos e a extensão do envolvimento da profissional, mas também garantir que medidas preventivas sejam reforçadas para evitar que incidentes tão traumáticos se repitam. A família, embora aliviada pela segurança de sua filha, permanece em busca de respostas e justiça, desejando clareza sobre o ocorrido em um ambiente que deveria ser sinônimo de segurança e cuidado.
Fonte: https://g1.globo.com
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