Os mercados internacionais registraram um dia de recuperação, com o dólar comercial fechando abaixo da marca de R$ 5, impulsionado por um ambiente de menor aversão ao risco. A amenização das tensões globais foi notável após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar o adiamento de uma ofensiva militar planejada contra o Irã. Enquanto a moeda norte-americana experimentava uma queda significativa, a bolsa de valores brasileira, embora tenha fechado em leve baixa, demonstrou resiliência ao se recuperar de perdas mais expressivas ao longo do pregão.
A Desvalorização do Dólar e a Reação das Moedas Emergentes
O dólar comercial encerrou as negociações desta segunda-feira vendido a R$ 4,998, registrando uma valorização de 1,34% frente ao real. A cotação, que abriu o dia em R$ 5,04, firmou-se abaixo dos R$ 5 no final da sessão, refletindo diretamente as declarações de Donald Trump sobre o Irã. Esse movimento de enfraquecimento da divisa americana não foi isolado, beneficiando diversas moedas de economias emergentes, como o peso mexicano, o peso chileno e o rand sul-africano.
No acumulado de maio, a moeda americana registra uma alta de 0,92%. Contudo, na perspectiva do ano, o dólar acumula uma queda de 8,93%, demonstrando a volatilidade e as diferentes tendências que permeiam o cenário cambial doméstico e global.
Ibovespa: Entre Quedas e Recuperação Impulsionada
O mercado de ações brasileiro enfrentou um dia de maior instabilidade. O índice Ibovespa, principal indicador da B3, fechou aos 176.975,82 pontos, com uma leve retração de 0,17%. Apesar do fechamento negativo, o Ibovespa demonstrou capacidade de recuperação, especialmente após a dissipação das preocupações com o Oriente Médio. Por volta das 15h30, o indicador chegou a registrar uma queda de 0,83%, mas conseguiu reduzir as perdas até o encerramento do pregão.
Após atingir um patamar recorde em abril, o Ibovespa acumula uma desvalorização de 5,52% em maio. Apesar disso, o índice mantém um ganho expressivo de 9,84% no acumulado do ano. Dados da B3 revelam que investidores estrangeiros retiraram R$ 3,9 bilhões da bolsa brasileira até a metade do mês, indicando um fluxo de capital cauteloso.
O Alívio da Geopolítica: Decisão de Trump Reduz Aversão ao Risco
A sinalização do presidente Donald Trump de suspender uma ofensiva militar prevista contra o Irã, visando abrir caminho para negociações diplomáticas com Teerã, foi o principal catalisador para a recuperação dos mercados globais. Essa decisão reduziu significativamente a aversão ao risco, um fator que vinha pressionando os ativos globais nos dias anteriores.
O movimento ajudou a diminuir a pressão sobre os ativos de risco, que estavam sob escrutínio devido à preocupação com uma possível escalada do conflito no Oriente Médio. A incerteza geopolítica anterior gerava temores sobre seus impactos no preço do petróleo e, consequentemente, na inflação global, cenários que foram momentaneamente aliviados pela postura diplomática anunciada por Washington.
Fatores Domésticos Complementam o Cenário para o Real
Além do cenário externo mais favorável, o mercado doméstico também contribuiu para a performance do real. Investidores realizaram ajustes técnicos após a recente valorização da moeda americana. A percepção de que as taxas de juros no Brasil permanecerão elevadas por um período mais prolongado ajudou a sustentar a moeda nacional.
Essa expectativa foi reforçada pelo Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras, que elevou a projeção para a taxa Selic no fim de 2026 para 13,25% ao ano. Em contrapartida, dados mais fracos da atividade econômica brasileira, como a queda de 0,7% do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) em março (resultado inferior às expectativas do mercado), ficaram em segundo plano diante da força do cenário externo e das expectativas de juros.
Petróleo: Ganhos Moderados pela Distensão
O mercado de petróleo, por sua vez, registrou valorização no exterior. O barril do tipo Brent, referência internacional, fechou a US$ 112,10, com um ganho de 2,6%. Da mesma forma, o barril WTI, negociado nos Estados Unidos, encerrou a US$ 104,38, com avanço de 3,33%. Contudo, é importante notar que a decisão de Trump de adiar a ofensiva militar no Irã atuou como um freio, desacelerando um potencial de alta ainda maior, ao aliviar as preocupações com a oferta global que uma escalada no Oriente Médio poderia gerar.
Em suma, o dia nos mercados financeiros foi um complexo intercâmbio entre decisões geopolíticas globais e fundamentos econômicos internos. A pausa na escalada do conflito no Oriente Médio trouxe um alívio momentâneo, permitindo que moedas emergentes como o real ganhassem terreno, enquanto as projeções de juros mais altos no Brasil continuam a moldar as expectativas dos investidores, mantendo um olho atento nas futuras dinâmicas econômicas e políticas.
