O estado do Acre está em alerta epidemiológico, conforme o mais recente boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado na última sexta-feira. O levantamento, que analisou dados referentes à Semana Epidemiológica 8 (22 a 28 de fevereiro), revela um crescimento contínuo nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) nas últimas seis semanas, marcando uma preocupante ascensão das doenças respiratórias na região.
Alerta Regional na Amazônia Ocidental
A capital acreana, Rio Branco, figura entre as capitais brasileiras que apresentam um nível de atividade de SRAG classificado como alerta, risco ou alto risco, compartilhando essa preocupação com outras metrópoles da Amazônia como Manaus (AM), Belém (PA) e Porto Velho (RO). Esse cenário não se restringe apenas ao Acre; vários outros estados da Região Norte, incluindo Amazonas, Pará, Amapá e Rondônia, também demonstram tendência de crescimento ou já atingiram níveis de alerta para SRAG nas últimas duas semanas epidemiológicas analisadas pela Fiocruz. É importante notar que, embora o boletim anterior (SE7, 15 a 21 de fevereiro) já classificasse a incidência de SRAG no Acre em nível de risco, o estado agora evidencia uma clara tendência de crescimento a longo prazo, intensificando a necessidade de monitoramento.
Vírus Predominantes e Demografia Afetada
O aumento recente de casos de síndromes respiratórias no Acre tem sido particularmente notável entre crianças e adolescentes. Essa concentração sugere uma possível ligação com o retorno às aulas presenciais e a maior circulação viral em ambientes escolares, que facilitam a transmissão de patógenos respiratórios. Para crianças de até dois anos, o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é o principal associado ao incremento de casos e hospitalizações. No público mais amplo, o rinovírus também é identificado como causa de aumento de internações em crianças e adolescentes, enquanto a influenza A tem demonstrado impacto em jovens, adultos e idosos, ressaltando a abrangência etária da crise de saúde.
Panorama Nacional da SRAG
Em escala nacional, o cenário da Síndrome Respiratória Aguda Grave também aponta para um crescimento, com um total de 14.370 casos notificados no Brasil no período analisado do corrente ano. A análise laboratorial desses casos mostra que 35% foram positivos para algum vírus respiratório, enquanto 43,1% testaram negativo e 14,4% ainda aguardam resultado. Entre os vírus mais frequentemente identificados nos casos positivos em todo o país, o rinovírus lidera com 40%, seguido pela influenza A (20%), Sars-CoV-2 (causador da Covid-19) com 17%, Vírus Sincicial Respiratório (13,6%) e influenza B (1,7%). Os dados da Fiocruz ainda indicam que, nacionalmente, a incidência de SRAG é mais elevada entre crianças de baixa idade, ao passo que a mortalidade concentra-se majoritariamente na população idosa, com a maioria dos óbitos no período associados à Covid-19, seguida pela influenza A.
Conclusão e Recomendações
O persistente crescimento das síndromes gripais graves no Acre e em boa parte da Região Norte, conforme os dados da Fiocruz, acende um sinal de alerta para as autoridades de saúde e para a população. A particular vulnerabilidade de crianças e adolescentes, somada à circulação de diversos vírus respiratórios, exige vigilância contínua e a adoção de medidas preventivas eficazes. A monitorização constante do cenário epidemiológico é crucial para direcionar ações de saúde pública, incluindo campanhas de vacinação, reforço na testagem e a conscientização sobre higiene e etiqueta respiratória, visando mitigar o impacto dessas doenças na saúde da população.
Fonte: https://g1.globo.com