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Guerra de Narrativas: Irã Acusa Trump de Propagar ‘Grandes Mentiras’ Após Discurso do Estado da União

Presidente dos EUA, Donald Trump, fala ao Congresso em discurso do Estado da União  • Reuters

A retórica entre Teerã e Washington intensificou-se significativamente após o discurso do Estado da União do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O Ministério das Relações Exteriores do Irã reagiu veementemente às declarações de Trump, classificando-as como uma sucessão de 'grandes mentiras' e acusando a Casa Branca de orquestrar uma campanha deliberada de desinformação contra a nação persa, acentuando a já profunda crise de confiança entre os dois países.

A Dura Resposta Iraniana e a Acusação de Desinformação

Em um comunicado divulgado na rede social X, na manhã de quarta-feira (25), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, não poupou críticas às afirmações de Donald Trump. Baqaei acusou abertamente a administração norte-americana de conduzir uma 'campanha de desinformação e informações errôneas', visando distorcer a percepção internacional sobre o Irã. As críticas iranianas concentraram-se em três pilares principais: o programa nuclear do país, a natureza de seus mísseis balísticos e o balanço de vítimas durante os distúrbios internos ocorridos em janeiro. Segundo o porta-voz, todas as alegações de Trump nessas áreas eram meras 'repetições de 'grandes mentiras'', e ele acrescentou que 'mentirosos profissionais são bons em criar a 'ilusão da verdade''.

O Discurso de Trump: Ameaça Nuclear e Controvérsias sobre Protestos

Durante seu pronunciamento anual perante o Congresso, o presidente Donald Trump reiterou sua postura rígida em relação ao Irã, declarando que estava concentrando recursos militares dos EUA na região para assegurar que Teerã jamais desenvolvesse armas nucleares. Trump expressou ceticismo sobre as intenções iranianas, afirmando: 'Eles querem fechar um acordo, mas ainda não ouvimos aquelas palavras secretas: ‘Nunca teremos uma arma nuclear’'. Além da questão nuclear, o líder americano fez uma grave acusação sobre a repressão aos protestos internos no Irã, alegando que o regime iraniano teria matado 'aparentemente 32 mil manifestantes', uma cifra que rapidamente gerou forte controvérsia e indignação por parte de Teerã.

As Divergências Fatuais: Programa Nuclear, Mísseis e Contagem de Mortos

Em contrapartida às alegações de Trump, o Irã tem mantido uma posição consistente de que não busca desenvolver armamento nuclear. Inclusive, um dia antes do discurso de Trump, na terça-feira (24), o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, havia afirmado categoricamente que Teerã 'em hipótese alguma desenvolverá uma arma nuclear', reiterando o compromisso do país com a não-proliferação nuclear. A controvérsia sobre o número de vítimas dos distúrbios de janeiro também revelou uma profunda divergência. Enquanto Trump citava 32 mil mortos, o Irã reportou um número significativamente menor, de 3.117 pessoas, incluindo cerca de 200 membros das forças policiais. Por outro lado, a Human Rights Activists News Agency (HRANA), uma agência de notícias com sede nos EUA, apresentou um balanço ainda diferente, estimando que pelo menos 6.490 manifestantes teriam sido mortos desde o início dos protestos em massa, no final de dezembro. A complexidade e a impossibilidade de verificação independente por fontes como a CNN ressaltam a dificuldade de se obter um consenso sobre os fatos em meio a esse cenário de intensa desinformação.

Conclusão: Um Cenário de Tensão e Narrativas Conflitantes

A troca de acusações entre os Estados Unidos e o Irã sublinha a profunda crise de confiança e a escalada da tensão geopolítica. As declarações de Donald Trump e a enérgica réplica iraniana, acusando-o de proferir 'grandes mentiras' e orquestrar uma campanha de desinformação, ilustram a persistente guerra de narrativas em torno de questões cruciais como o programa nuclear iraniano, a segurança regional e os direitos humanos. Este embate retórico não apenas reflete as visões diametralmente opostas de ambos os países, mas também complica os esforços para qualquer tipo de engajamento diplomático ou resolução de conflitos, mantendo o panorama político entre as nações em um estado de incerteza e confrontação.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br

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