Vik Muniz: Maior Retrospectiva Chega ao CCBB Rio com Inéditos e Instalações Grandiosas

O Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB RJ) se prepara para receber uma das mais aguardadas exposições de arte contemporânea do ano. A partir do próximo dia 20, a cidade maravilhosa será palco da maior retrospectiva dedicada à prolífica trajetória do artista plástico Vik Muniz, intitulada “Vik Muniz – A Olho Nu”. Após passagens bem-sucedidas pelo Instituto Ricardo Brennand, em Recife, e pelo Museu de Arte Contemporânea da Bahia, em Salvador, onde atraiu mais de 150 mil visitantes, a mostra chega à capital fluminense em uma versão ampliada, com acréscimos significativos e obras inéditas.

Com entrada gratuita, a exposição estará disponível para visitação de quarta a segunda-feira, das 9h às 20h, até o dia 7 de setembro. Os ingressos podem ser retirados diretamente na bilheteria do CCBB RJ ou de forma antecipada pelo site oficial, oferecendo ampla acessibilidade a um panorama completo da obra do renomado artista.

Uma Retrospectiva Abrangente e Surpreendente

Curada por Daniel Rangel, “Vik Muniz – A Olho Nu” é descrita como a mais extensa exposição já realizada sobre o artista, reunindo cerca de 250 trabalhos, que incluem tanto suas icônicas fotografias quanto esculturas que marcam o início de sua carreira. Rangel destaca que a versão carioca da mostra é especialmente enriquecida, apresentando uma vasta seleção de obras que não foram exibidas nas cidades anteriores e muitas peças criadas especificamente para esta ocasião. Segundo o curador, a exposição oferece uma experiência completa, capaz de surpreender até mesmo os admiradores mais familiarizados com a produção de Muniz.

A Poética da Aproximação: Arte e Cotidiano em Diálogo

A arte de Vik Muniz é conhecida por sua capacidade única de capturar a atenção do público, um feito alcançado através do uso inteligente do humor, da recriação de imagens amplamente reconhecidas e da manipulação de materiais prosaicos do dia a dia. Elementos como brinquedos, chocolate, revistas e outros objetos banais são transformados em composições complexas que desafiam a percepção e convidam à reflexão. Essa abordagem permite que o público "mergulhe" no processo criativo do artista, identificando-se com as narrativas visuais que frequentemente espelham seu próprio universo e suas memórias afetivas.

Diferentemente de outros criadores que buscam um distanciamento deliberado, Muniz cultiva uma proximidade com sua audiência, não apenas por meio de suas obras de arte, mas também por suas extensões criativas em diversas mídias, como capas de discos e aberturas de novelas. Ele transcende as fronteiras convencionais das artes visuais, convidando o público a uma curiosa imersão na prática artística. Essa filosofia democratiza o espaço da arte e o próprio ato de fazer arte, dissolvendo a barreira entre o artista e o observador comum.

Grandes Instalações e Obras Inéditas no Coração do Rio

A edição carioca da exposição se distingue pela inclusão de instalações monumentais e obras inéditas, algumas criadas especialmente para o CCBB RJ. Essas peças não apenas adicionam camadas de significado à mostra, mas também transformam o espaço expositivo em uma experiência imersiva.

O Pterossauro do Museu Nacional: Uma Homenagem e Reflexão

Uma das grandes novidades é o imponente "Tropeognathusmesembrinus", uma escultura de pterossauro gigante desenvolvida em parceria com o laboratório do Museu Nacional. A obra, que integra a série "Museu de Cinzas", foi construída com polímero infundido com cinzas do próprio equipamento cultural, tragicamente atingido por um incêndio em 2018. Com uma envergadura de 8,20 metros e 2,55 metros de comprimento, a peça estará suspensa na Rotunda do CCBB RJ, visível também do segundo andar, funcionando como uma poderosa memória e um símbolo de resiliência.

De Medusa a Ferrari: Diálogos entre o Mito e a Memória

Outras duas obras marcantes, não expostas anteriormente em Recife e Salvador, também adornarão o térreo do CCBB RJ. Uma delas é um tapete redondo de dez metros de diâmetro, que cobrirá o chão da Rotunda com a imagem da famosa "Medusa Marinara" (1997), em que o mito greco-romano é reinventado com molho de tomate. A obra original, uma impressão em jato de tinta sobre papel archival de 1,70 metro de diâmetro, também poderá ser apreciada no primeiro andar.

Ao lado destas, a escultura "Ferrari Berlinetta" (2014/2026), da série "Veículos Mnemônicos", chega diretamente de Turim, Itália, onde foi produzida. Com mais de quatro metros de comprimento e 650 quilos, a obra reproduz em tamanho real um carrinho de brinquedo da infância do artista, completo com seus arranhões e imperfeições. Esta peça singular ilustra a capacidade de Muniz de transformar objetos cotidianos e memórias pessoais em experiências visuais monumentais e profundas.

Explorando Quatro Décadas de Criação: As Novas Séries

A retrospectiva no Rio de Janeiro abarca 43 diferentes séries de fotografias e esculturas, oferecendo um panorama que percorre mais de 40 anos da trajetória de Vik Muniz. Além das cinco obras especialmente criadas para esta edição, a mostra conta com trabalhos restaurados, recriados em novas versões e novas edições que enriquecem a narrativa da exposição.

Em relação às exibições anteriores, seis novas séries foram incorporadas exclusivamente para o público carioca: "Principia" (1997–2002), que oferece uma dimensão interativa; "Verso" (2008/2012); "Veículos Mnemônicos" (2014/2026); "Museu de Cinzas" (2019/2026); "Colônias" (2014-2016); e "Os Arquivos de Weimar" (2004). Essas adições garantem uma experiência ainda mais completa e multifacetada, revelando a constante evolução e a inesgotável criatividade do artista.

Um Convite à Imersão no Universo de Vik Muniz

A exposição "Vik Muniz – A Olho Nu" no CCBB RJ se configura como um convite irrecusável para um mergulho profundo no universo de um dos mais inovadores artistas contemporâneos. Através de sua genialidade em transformar o ordinário em extraordinário, Vik Muniz não apenas entretém, mas provoca o pensamento, instiga a curiosidade e celebra a capacidade da arte de dialogar com as memórias e experiências humanas. É uma celebração da arte acessível e engajadora, que promete deixar uma marca duradoura na cena cultural carioca.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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