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Tragédia em Cariacica: Criança de Dois Anos Morre Afogada e Polícia Apura Abandono e Maus-Tratos

G1

Uma profunda consternação tomou conta da comunidade do bairro Jardim Botânico, em Cariacica, na Grande Vitória, após a trágica morte de um menino de apenas dois anos. A criança foi encontrada afogada em uma piscina na manhã da última sexta-feira (20). O caso, que inicialmente mobilizou vizinhos para os primeiros socorros, rapidamente ganhou contornos de investigação policial, com a polícia apurando suspeitas de maus-tratos e a detenção da madrasta do menor, uma adolescente de 17 anos.

A situação é complexa e está sob rigorosa investigação, com a jovem sendo autuada por ato infracional análogo ao crime de abandono de incapaz. As autoridades buscam esclarecer as circunstâncias que levaram à fatalidade e se há omissão ou negligência envolvidas na custódia da criança.

O Descoberto e o Esforço de Socorro

O alerta foi dado por volta das 8h da manhã, quando o menino foi descoberto sozinho e inconsciente dentro de uma piscina. Segundo relatos de uma vizinha, que participou ativamente dos esforços de socorro, o local onde a piscina está instalada costuma permanecer fechado e a profundidade da água é considerável. Diante da cena desesperadora, os vizinhos agiram prontamente, retirando a criança da água e realizando manobras de reanimação, com o menino cuspindo bastante água durante o processo. Ele foi então encaminhado às pressas para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Alto Laje, em Cariacica.

As Primeiras Investigações e a Versão Paterna

A Polícia Militar foi acionada para verificar a entrada da criança na UPA. No local, assistentes sociais informaram os policiais sobre a gravidade do caso. O pai da criança, que chegou à unidade de saúde logo após ser avisado no barbeiro onde cortava o cabelo, relatou às autoridades que havia deixado o filho em casa sob os cuidados da atual companheira, a adolescente de 17 anos, e da avó paterna, que, segundo ele, estariam dormindo no momento do ocorrido. Os pais da criança são separados, e o menino estava sob a guarda do pai.

Alegações de Maus-Tratos Anteriores Marcam o Histórico Familiar

A investigação ganhou uma nova e preocupante dimensão com o depoimento de um tio da vítima. Presente no Pronto Atendimento, o familiar revelou aos policiais que sua esposa já havia registrado ocorrências de maus-tratos contra o pai da criança. Ele também afirmou ter presenciado agressões e ter ouvido o menino reclamar de fome em outras ocasiões. Essas informações são cruciais e serão consideradas pela Polícia Civil na apuração das responsabilidades e no aprofundamento do inquérito sobre as circunstâncias que antecederam a tragédia.

O Percurso Hospitalar e a Confirmação da Causa da Morte

Após os primeiros atendimentos na UPA de Alto Laje, a criança foi transferida para o Pronto-Socorro do Hospital Estadual Infantil, em Vitória, onde recebeu tratamento intensivo. Infelizmente, apesar dos esforços médicos, o menino não resistiu. A Polícia Científica (PCIES) confirmou que o serviço de transporte de cadáver foi acionado no dia seguinte à ocorrência para recolher o corpo do Hospital Infantil Milena Gottardi, onde a equipe médica atestou o afogamento como causa da morte. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Vitória para a necropsia necessária, antes de ser liberado aos familiares para o sepultamento.

Madrasta Detida e Desdobramentos Legais da Investigação

A Polícia Civil informou que a adolescente de 17 anos, madrasta da criança, foi conduzida à Delegacia Especializada do Adolescente em Conflito com a Lei (Deacle). Lá, ela foi autuada por ato infracional análogo ao crime de abandono de incapaz, dada a sua responsabilidade pelos cuidados do menino no momento do incidente. Após os procedimentos cabíveis, a jovem foi encaminhada ao Centro Integrado de Atendimento Socioeducativo (Ciase), onde permanece à disposição da Justiça. As investigações prosseguirão sob a condução da Polícia Civil, que destacou a possibilidade de a tipificação do crime ser modificada durante o processo, conforme novas provas e análises forenses sejam incorporadas ao inquérito.

Este lamentável episódio ressalta a importância da vigilância e do cuidado com crianças, especialmente as mais vulneráveis. A comunidade e as autoridades aguardam a conclusão das investigações para que todas as responsabilidades sejam devidamente apuradas e a justiça seja feita diante de uma perda tão precoce e dolorosa.

Fonte: https://g1.globo.com

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