Search

Sobrecarga e Luta: A Realidade das Mães de Filhos Autistas em Teresina

G1

Em Teresina, a dedicação integral de mães a filhos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA) revela uma rotina de amor incondicional, mas também de profunda exaustão e renúncias. Essas mulheres, frequentemente chamadas de 'mães atípicas', enfrentam uma sobrecarga física e mental diária, com pouco ou nenhum tempo para si mesmas, em meio aos desafios de cuidados intensivos, terapias e demandas domésticas.

Um exemplo marcante é Desterro Lustosa, que dedica sua vida ao filho Anderson, de 32 anos, com TEA nível 3 de suporte. Ela descreve sua jornada como 'cansativa física e mentalmente', onde a rotina de terapias, cuidados com Anderson e afazeres domésticos a impede de ter momentos de lazer ou autocuidado. De forma similar, Joice Rodrigues, mãe de dois filhos com TEA, de 7 e 18 anos, lida com a agitação constante e a falta de sono noturno, exigindo um revezamento contínuo nos cuidados.

A Exaustão Silenciosa: Falta de Apoio e Isolamento Social

A falta de tempo para atividades pessoais, como ir ao salão ou passear, não é um mero capricho, mas uma grave consequência da sobrecarga que essas mães vivenciam. A impossibilidade de desfrutar de momentos de lazer ou autocuidado leva a um isolamento social significativo. Além do cansaço físico e mental, muitas enfrentam o preconceito e a constante batalha por direitos, marcadores de uma vida dedicada integralmente ao cuidado dos filhos.

A presidente da Associação de Amigos dos Autistas do Piauí (AMA), Soraia Martins, corrobora essa realidade, afirmando que os responsáveis por pessoas com TEA frequentemente se encontram em situações de fragilidade. A luta transcende a busca por direitos básicos de educação e saúde para os filhos, estendendo-se à própria vivência da mulher e ser humano que se dedica por longos anos ao cuidado ininterrupto.

A Carteira de Identificação do Autista: Um Recurso Essencial no Piauí

No contexto do Piauí, a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA) representa um avanço importante. Implementada desde 2019 e disponível em formato digital desde 2023, mais de 20 mil pessoas já possuem o documento no estado. Este recurso simplifica o acesso a direitos fundamentais e o atendimento prioritário.

Lidiane Matos, coordenadora da Carteira do Autista da Secretaria para Inclusão da Pessoa com Deficiência (Seid), esclarece que a carteira garante atendimento preferencial, eliminando a necessidade de apresentar laudos médicos repetidamente. Isso agiliza processos e proporciona maior dignidade às famílias, embora não resolva por completo a complexidade da rotina de cuidados.

Em Busca de Políticas Públicas: Audiência Pública em Teresina

A conscientização sobre as dificuldades enfrentadas pelos cuidadores tem mobilizado esforços para a criação de políticas públicas mais eficazes. A Câmara Municipal de Teresina sediará, na próxima terça-feira (23), uma audiência pública focada na saúde mental, apoio psicológico e prevenção ao suicídio entre pais e cuidadores de pessoas com TEA. Esta iniciativa, solicitada pela AMA, busca dar voz às demandas dessas famílias e impulsionar a implementação de medidas de suporte.

O evento é um passo crucial para reconhecer e endereçar as necessidades de uma parcela da população que, embora fundamental, muitas vezes se sente invisível. O objetivo é discutir e propor soluções que ofereçam um suporte mais robusto, tanto para as pessoas com TEA quanto para aqueles que dedicam suas vidas a cuidar delas.

Guia Prático: Como Obter a Carteira de Identificação do Autista

Para facilitar o acesso a este importante documento, o processo de solicitação da Carteira de Identificação da Pessoa com TEA pode ser realizado de forma digital. Os interessados devem baixar o aplicativo Gov.pi Cidadão ou acessar o site pidigital.pi.gov.br. Após fazer login com o ID Piauí ou gov.br, é necessário selecionar a aba 'Serviços', escolher o órgão 'Seid-PI' e clicar em 'Solicitar Carteira de Identificação do Autista'. Finalmente, deve-se acessar o serviço digital, preencher os dados do beneficiário e anexar os documentos exigidos, que incluem RG ou certidão de nascimento do requerente, laudo médico com o CID do autismo assinado por neurologista ou psiquiatra, comprovante de residência atualizado, foto 3×4 nítida e, se aplicável, termo de curatela ou tutela.

Em suma, a realidade das mães de filhos autistas em Teresina é um testemunho de resiliência e amor, mas também um alerta para a urgência de apoio e reconhecimento. Enquanto a dedicação dessas mulheres é inquestionável, é imperativo que a sociedade e o poder público forneçam as ferramentas e o suporte necessários para aliviar a sobrecarga, garantir direitos e promover a qualidade de vida tanto para as pessoas com TEA quanto para seus incansáveis cuidadores.

Fonte: https://g1.globo.com

Mais recentes

Rolar para cima