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Protestos no Irã: Violência, Mortes e Crise Econômica

Manifestantes protestam devido ao custo de vida e à inflação no Irã  • Redes sociais

Este artigo aborda protestos no irã: violência, mortes e crise econômica de forma detalhada e completa, explorando os principais aspectos relacionados ao tema.

Violência e Confrontos nos Protestos Irarianos

Os recentes protestos no Irã foram marcados por intensa violência e confrontos diretos entre manifestantes e forças de segurança, resultando em mortes e dezenas de feridos. Relatos da mídia iraniana e de grupos de direitos humanos indicam que, pelo menos, três pessoas perderam a vida, enquanto dezessete ficaram feridas em diversas províncias. A escalada da violência reflete a gravidade da insatisfação popular e a rigidez da resposta estatal diante das manifestações, que se espalharam por várias cidades do país, tornando-se os maiores protestos contra a piora das condições econômicas.

Os confrontos foram particularmente intensos em localidades como Lordegan, na província de Chaharmahal e Bakhtiari, onde pelo menos duas mortes foram registradas durante embates entre dezenas de manifestantes e a polícia. Vídeos não verificados que circularam nas redes sociais mostraram manifestantes atirando pedras contra policiais uniformizados. Além disso, a agência Fars noticiou que manifestantes atiraram pedras contra o gabinete do governador, bancos e outros prédios governamentais, além de incendiarem carros, intensificando o cenário de desordem. A Fars também alegou que alguns 'tumultuadores' armados se aproveitaram dos protestos, sem, contudo, apresentar provas.

A primeira morte confirmada ligada aos protestos ocorreu na província de Lorestan, onde um membro da milícia paramilitar Basij foi morto e treze outros ficaram feridos na cidade de Kuhdasht. A milícia Basij, frequentemente mobilizada pelo regime para reprimir dissidência, tem sido uma peça central na resposta governamental aos protestos. Houve também relatos de um policial incendiado por manifestantes, conforme vídeo divulgado pela Fars, que mostrava o oficial recebendo atendimento médico. Em consequência dos distúrbios, as autoridades realizaram prisões em massa, com 20 detidos em Kuhdasht e 30 em Malard, na província de Teerã, sob acusações de 'perturbação da ordem pública'. Investigadores afirmaram que alguns dos detidos vieram de condados vizinhos.

Raízes da Insatisfação: A Crise Econômica no Irã

A insatisfação generalizada que alimenta os recentes protestos no Irã tem suas raízes profundas em uma crise econômica crônica e multifacetada, que há anos vem corroendo o poder de compra e a qualidade de vida da população. A nação enfrenta uma inflação galopante, com a taxa anual frequentemente atingindo patamares alarmantes, tornando produtos básicos e essenciais cada vez mais inacessíveis. Esta realidade é agravada por um desemprego estrutural, particularmente severo entre os jovens e as mulheres, gerando desesperança e um futuro incerto para uma parcela significativa da força de trabalho.

A desvalorização contínua e acentuada do rial, a moeda nacional, é outro pilar desta crise. A cotação frente ao dólar e a outras moedas fortes tem caído drasticamente, resultando no aumento dos preços de produtos importados e na instabilidade generalizada dos mercados. Embora as sanções econômicas internacionais, impostas principalmente pelos Estados Unidos, sejam um fator relevante ao limitar o acesso do Irã a mercados globais e à sua principal fonte de receita petrolífera, a má gestão econômica interna, a corrupção sistêmica e a alocação de recursos para projetos externos e militares, em detrimento de investimentos em infraestrutura e bem-estar social, exacerbam a situação.

O impacto direto é sentido no cotidiano dos cidadãos. Lojistas e comerciantes de bazares, antes vitais para a economia local, veem seus negócios definharem devido à queda do consumo e à falta de liquidez. Trabalhadores enfrentam salários estagnados que não acompanham a escalada dos custos de vida, enquanto a pobreza se expande para camadas que antes possuíam alguma estabilidade. A falta de perspectivas econômicas, aliada a uma sensação de injustiça e de que o governo não prioriza as necessidades de seu próprio povo, atua como um potente catalisador para a frustração social e a eclosão dos protestos.

A Resposta do Regime e a Repressão aos Manifestantes

A resposta do regime iraniano aos protestos generalizados foi marcada por uma repressão severa e o uso ostensivo da força para conter as manifestações que se espalharam por diversas províncias. As forças de segurança foram rapidamente mobilizadas para as ruas, onde manifestantes entraram em confronto direto com a polícia, lançando pedras e incendiando veículos e edifícios governamentais, incluindo escritórios de governadores e bancos. A escalada da violência foi acompanhada por acusações, veiculadas pela agência de notícias estatal Fars, de que "tumultuários" armados se aproveitaram dos protestos, embora sem apresentar provas concretas da confiscação de armas de fogo.

A repressão foi intensificada com a mobilização da milícia paramilitar Basij, um braço do regime frequentemente utilizado para sufocar dissidências internas. Em incidentes de violência, a primeira morte conhecida ligada aos protestos envolveu um membro da milícia Basij, que foi morto, e outros 13 ficaram feridos na cidade de Kuhdasht, província de Lorestan, evidenciando a intensidade dos confrontos. A narrativa oficial buscou deslegitimar os manifestantes, rotulando-os como perturbadores da ordem e criminosos, e difundindo vídeos de violência atribuída aos protestos, como o de um policial supostamente incendiado.

Além da força física, o regime recorreu a prisões em massa para reprimir a dissidência. Em Kuhdasht, 20 pessoas foram detidas, enquanto no condado de Malard, na província de Teerã, 30 indivíduos foram presos, acusados de "perturbação da ordem pública" e de "abusar do direito legal dos cidadãos de protestar", segundo autoridades locais e a agência Fars. A alegação de que vários dos manifestantes presos vieram de condados vizinhos foi utilizada para implicar uma orquestração externa ou a participação de indivíduos não locais, reforçando a estratégia de criminalização e desmobilização dos protestos.

O Contexto Histórico da Dissidência no Irã

O Irã possui uma história rica e complexa de dissidência, profundamente enraizada em sua trajetória política e social, que antecede e permeia a própria República Islâmica. A luta por direitos civis, liberdades políticas e justiça econômica tem sido uma constante, manifestando-se em diferentes formas e intensidades ao longo dos séculos. Desde as revoltas contra monarquias anteriores, como a Revolução Constitucional de 1906, que buscou limitar o poder absolutista do xá, até os movimentos populares que culminaram na Revolução Islâmica de 1979, a população iraniana demonstrou repetidamente sua capacidade de mobilização em face da opressão e da busca por autonomia e representatividade. Este legado de resistência é crucial para entender os atuais protestos e a persistente tensão entre a sociedade e o Estado.

A Revolução Islâmica de 1979, embora tenha derrubado a monarquia Pahlavi e prometido uma era de justiça e independência, rapidamente se voltou contra elementos que não se alinhavam com a nova teocracia. Grupos liberais, esquerdistas, minorias étnicas e até mesmo facções islamistas divergentes que inicialmente apoiaram a revolução foram marginalizados ou violentamente suprimidos, estabelecendo um padrão de repressão a vozes divergentes. Desde então, o Estado iraniano tem utilizado a milícia paramilitar Basij, a Guarda Revolucionária Islâmica e vastos aparatos de segurança para conter qualquer forma de oposição, muitas vezes justificando as ações como defesa contra 'inimigos internos e externos' e ameaças à segurança nacional.

As décadas seguintes viram ondas de protestos significativas, evidenciando o contínuo descontentamento. Os levantes estudantis de 1999, por exemplo, exigiam reformas e maior abertura política. O auge dessa dissidência moderna ocorreu em 2009 com o Movimento Verde, após alegações de fraude eleitoral, que mobilizou milhões de iranianos em desafios sem precedentes à legitimidade do regime e sua estrutura teocrática. Embora brutalmente reprimido, o Movimento Verde expôs a profunda fissura entre a população, especialmente a juventude e a classe média, e o governo. Mais recentemente, protestos em 2017-2018, 2019 e os atuais levantes têm sido impulsionados por uma combinação de frustrações econômicas — alta inflação, desemprego, corrupção endêmica — e demandas por liberdades sociais e políticas, incluindo a crescente insatisfação com as restrições impostas às mulheres e a falta de liberdades individuais.

Reação Internacional: A Posição dos Estados Unidos

Os Estados Unidos têm monitorado de perto os protestos no Irã, expressando consistentemente sua profunda preocupação com a violência estatal e as mortes reportadas. Washington tem reiterado seu apoio ao povo iraniano e ao direito fundamental de manifestação pacífica e liberdade de expressão, condenando veementemente a repressão brutal exercida pelas forças de segurança iranianas contra os manifestantes. Autoridades americanas, incluindo o Presidente e o Secretário de Estado, têm emitido declarações públicas pedindo ao regime iraniano que cesse o uso desproporcional da força e respeite os direitos humanos básicos de seus cidadãos.

Em resposta à escalada da violência e à deterioração da situação dos direitos humanos, os Estados Unidos têm frequentemente considerado ou implementado sanções adicionais contra indivíduos e entidades iranianas ligadas à repressão. Essas medidas punitivas visam principalmente as forças de segurança, como a Guarda Revolucionária Islâmica e a milícia Basij, bem como os responsáveis por violar os direitos humanos dos manifestantes. A Casa Branca também tem buscado apoio internacional para sua postura, levantando a questão em fóruns multilaterais e encorajando aliados a adotarem posições similares de condenação e pressão diplomática sobre Teerã.

A posição dos EUA reflete uma política de longa data de oposição às violações de direitos humanos no Irã e de apoio à democracia, embora com nuances dependendo da administração. A narrativa americana muitas vezes destaca que as sanções não visam o povo iraniano, mas sim o regime, e que a crise econômica que alimenta parte dos protestos é resultado da má gestão interna e da corrupção, e não apenas das pressões externas. A solidariedade com os manifestantes é articulada através de mensagens que buscam encorajar o movimento popular por reformas e maior liberdade dentro do país.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br

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