Fortalecimento institucional e autonomia financeira
O Programa Marielle Franco, iniciativa gerida pelo Fundo Baobá, deu início ao processo de seleção para a sua segunda edição, voltada ao fortalecimento de organizações, grupos e movimentos sociais liderados por mulheres negras. O edital busca oferecer suporte estrutural para que essas iniciativas possam ampliar seu impacto social e sustentabilidade a longo prazo.
Ao todo, serão selecionados dez grupos que receberão um aporte financeiro de R$ 300 mil cada, distribuídos ao longo de um período de 20 meses. O objetivo central é fornecer as condições necessárias para o desenvolvimento institucional e o investimento direto nas lideranças que compõem esses coletivos, permitindo que alcancem maior autonomia em suas atuações comunitárias e políticas.
Critérios de participação e processo seletivo
As inscrições permanecem abertas até o dia 19 de outubro e podem ser realizadas diretamente pelo site oficial do Fundo Baobá. Podem participar organizações com ou sem CNPJ, desde que tenham iniciado suas atividades até o ano de 2024. Uma exigência fundamental é a representatividade: pelo menos 85% do quadro de integrantes e da diretoria deve ser composto por mulheres negras.
O processo de seleção é estruturado em quatro etapas distintas, que incluem a análise de pré-requisitos, avaliação do formulário de inscrição, entrevistas e uma análise final conduzida por um Comitê de Seleção. A metodologia busca respeitar a diversidade das formas de organização e os diferentes contextos territoriais onde essas iniciativas estão inseridas.
Prioridade para grupos historicamente invisibilizados
O edital estabelece critérios de desempate que privilegiam grupos que enfrentam maiores barreiras no acesso a financiamentos convencionais. Entre os perfis priorizados estão iniciativas localizadas nas regiões Norte e Nordeste, além de coletivos formados por mulheres quilombolas, ribeirinhas e de comunidades tradicionais. A atuação em territórios rurais ou periferias urbanas também é um diferencial na avaliação.
Além disso, o programa valoriza a diversidade interna dos grupos, dando peso extra a projetos que promovam a participação intergeracional, a inclusão de mulheres com deficiência e o protagonismo de mulheres negras LGBTQIAPN+. A busca por organizações que possuam menor número de financiadores ou que nunca tenham recebido apoio prévio do Fundo Baobá reforça o compromisso da iniciativa com a democratização do acesso aos recursos.
Legado e continuidade do impacto social
A primeira edição do programa, realizada em 2019, serviu como base para a estruturação atual. Naquela ocasião, 15 grupos foram contemplados com investimentos que variaram entre R$ 70 mil e R$ 170 mil. O sucesso da iniciativa permitiu que organizações enraizadas em seus territórios fortalecessem sua gestão administrativa, estabelecessem novas parcerias estratégicas e ocupassem espaços de decisão antes inacessíveis.
Segundo Tainá Medeiros, gerente de programas do Fundo Baobá, o suporte financeiro é apenas uma parte de um processo mais amplo de ampliação de capacidades. A sustentabilidade dessas organizações é vista como a condição central para que elas continuem enfrentando os desafios estruturais e cumprindo suas missões sociais. O Canal 1 de Notícias segue acompanhando os desdobramentos desta iniciativa e os impactos dessas políticas de fomento para a sociedade brasileira.
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