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PIB do Brasil em 2025: Desaceleração Econômica e os Riscos Geopolíticos para um Ano Eleitoral

G1

A economia brasileira registrou um crescimento de 2,3% em 2025, conforme dados divulgados nesta terça-feira (3/3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este desempenho representa uma desaceleração significativa em comparação com a alta de 3,4% observada em 2024 e marca o ritmo de expansão mais lento desde a retração de 3,3% em 2020, período impactado pela pandemia de COVID-19. O cenário, já desafiador, é agravado por projeções de um crescimento ainda menor para 2026, com a sombra de um conflito no Irã adicionando uma camada de incerteza em um ano crucial de eleições presidenciais.

Desaceleração Econômica em 2025: Juros Elevados e o Freio da Atividade

O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025, que totalizou 2,3% de crescimento, veio em linha com as expectativas do mercado, que já antecipava uma moderação da atividade econômica. A principal razão para essa desaceleração reside na política monetária restritiva, impulsionada pela taxa Selic – a taxa básica de juros da economia brasileira – que permaneceu em patamares elevados, fixada em 15% desde junho de 2025. Juros altos encarecem o crédito para empresas e famílias, funcionando como um 'freio' para o consumo e o investimento, principal mecanismo do Banco Central para conter a inflação.

Projeções para 2026: Um Ano Eleitoral sob a Perspectiva de Mais Desaceleração

Para o ano de 2026, as perspectivas econômicas indicam uma continuidade da desaceleração. Analistas de mercado, segundo a mediana de projeções colhidas pelo jornal Valor Econômico, preveem uma alta de apenas 1,8% para o PIB. Este cenário é particularmente sensível, pois coincide com as eleições presidenciais, momento em que a estabilidade econômica e as expectativas futuras desempenham um papel crucial no debate político e nas decisões de investimento e consumo. É neste contexto que os desenvolvimentos geopolíticos ganham relevância e podem alterar significativamente as projeções.

O Cenário Geopolítico: Como o Conflito no Irã Ameaça a Recuperação

A emergência de um conflito envolvendo o Irã introduz um risco adicional considerável para a trajetória econômica brasileira. Peterson Rizzo, gerente de relações institucionais da gestora de crédito Multiplike, alerta que a extensão prolongada de uma guerra entre potências como Estados Unidos e Irã pode comprometer o crescimento global e, por consequência, o doméstico. O impacto mais direto e imediato se manifestaria através da elevação dos preços do petróleo no mercado internacional.

Essa alta no preço do barril de petróleo teria uma cascata de efeitos negativos na economia brasileira. Primeiramente, encareceria combustíveis, energia e transporte, pressionando a inflação interna. Com a inflação em patamares mais elevados, o Banco Central seria induzido a manter as taxas de juros altas por um período estendido, dificultando a retomada do crédito e, consequentemente, inibindo o consumo das famílias e o investimento produtivo das empresas. Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, corrobora essa visão, destacando que, apesar da aparente resiliência do PIB, o ambiente geopolítico adiciona um vetor de risco que pode limitar o ritmo de crescimento ao longo de 2026. Assim, mesmo que o Brasil possa se beneficiar parcialmente como exportador de petróleo, os efeitos inflacionários e financeiros do conflito tendem a sobrepujar os potenciais ganhos no curto e médio prazo.

Análise Detalhada do PIB: Desempenho Setorial e Componentes da Demanda

Desempenho no Quarto Trimestre de 2025

No último trimestre de 2025, o PIB brasileiro apresentou um crescimento modesto de 0,1% em relação ao trimestre anterior, alinhado às expectativas do mercado. Comparado ao mesmo período do ano anterior, a alta foi de 1,8%. O avanço na margem foi impulsionado principalmente pelo setor de serviços, que cresceu 0,8%, e pela agropecuária, com expansão de 0,5%. Em contrapartida, a indústria registrou uma queda de 0,7% nessa mesma comparação. Na ótica da demanda, o consumo do governo avançou 1%, enquanto o consumo das famílias manteve-se estável (0%), e o investimento registrou uma acentuada queda de 3,5%. O setor externo contribuiu positivamente, com as exportações crescendo 3,7% e as importações caindo 1,8%.

Matheus Pizzani, economista do PicPay, atribui a forte retração do investimento e a estagnação do consumo das famílias ao elevado endividamento de ambos. Esse cenário mitigou os impactos positivos de um mercado de trabalho dinâmico e da expansão da renda, beneficiada pela queda da inflação ao longo do ano. O resultado ligeiramente positivo no trimestre foi, em grande parte, sustentado pela contribuição favorável do setor externo, com uma balança comercial robusta.

O Ano de 2025 em Perspectiva Anual

No acumulado de 2025, a desaceleração do PIB foi sentida tanto na indústria, que cresceu 1,4% (frente a 3,1% em 2024), quanto nos serviços, com alta de 1,8% (contra 3,8% em 2024). A agropecuária, no entanto, foi um destaque, registrando um crescimento expressivo de 11,7% em 2025, revertendo a queda de 3,7% de 2024, graças a uma safra recorde. Pelo lado da demanda, o consumo das famílias desacelerou para 1,3% (ante 5,1% em 2024), enquanto o investimento mostrou uma recuperação de 2,9% após um recuo de 6,9% no ano anterior. O consumo do governo avançou 2,1%, similar à alta de 2% de 2024. O setor externo também teve um saldo positivo no ano, com as exportações crescendo 6,2%, superando o avanço de 4,5% nas importações, mesmo diante das tarifas impostas por Donald Trump ao Brasil a partir de julho.

Conclusão: Desafios Internos e Externos Marcando o Horizonte Econômico

A economia brasileira encerrou 2025 em um ritmo de desaceleração, marcada por juros altos e um consumo das famílias contido pelo endividamento. As projeções para 2026 indicam uma continuidade desse cenário de baixo crescimento, agravado agora por uma nova e imprevisível variável: o risco de um conflito geopolítico no Irã. Em um ano eleitoral, a capacidade do governo de equilibrar a gestão da inflação com o estímulo ao crescimento econômico será testada de forma rigorosa, em meio a desafios que extrapolam as fronteiras nacionais e impactam diretamente a mesa do brasileiro.

Fonte: https://g1.globo.com

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