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PGR Solicita Condenação de Cinco Acusados Pela Morte de Marielle Franco e Anderson Gomes

A vereadora Marielle Franco, em foto de abril de 2017  • Renan Olaz/CMRJ

A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou um pedido formal de condenação para os cinco indivíduos acusados de orquestrar e executar o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, um crime que chocou o país em março de 2018, no Rio de Janeiro. Oito anos após o brutal atentado, os réus começaram a ser julgados pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), marcando um passo crucial na busca por justiça.

Os Mandantes e a Rede Criminosa

O vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand, reforçou a solidez das provas coletadas durante a instrução processual, que, segundo a PGR, confirmam a responsabilidade criminal dos denunciados tanto pelos homicídios quanto pela participação ativa em uma organização criminosa. No centro das acusações como mandantes estão os irmãos Domingos Brazão e João Francisco Brazão, conhecido como Chiquinho Brazão. A promotoria aponta que ambos faziam parte de um grupo criminoso armado com forte atuação na Zona Oeste do Rio de Janeiro, envolvido em atividades ilícitas como a exploração de milícias, grilagem de terras e a criação de currais eleitorais.

A Motivação e a Natureza dos Homicídios

De acordo com o Ministério Público, a decisão de eliminar Marielle e Anderson partiu diretamente dos irmãos Brazão. A motivação para o crime teria sido o incômodo gerado pelas intervenções da vereadora, inicialmente em confronto com o PSOL e posteriormente com suas próprias ações, que contrariavam os interesses da organização. Os homicídios foram qualificados por motivo torpe, promessa de recompensa e o uso de recurso que impediu qualquer chance de defesa para as vítimas, evidenciando a premeditação e a crueldade do ato.

A Obstrução da Justiça e o Apoio Logístico

A trama de impunidade, conforme a PGR, contava com a colaboração de Rivaldo Barbosa, que à época exercia o cargo de chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Ele é acusado de ter utilizado a autoridade de sua posição para blindar os mandantes, assegurando que as investigações não chegassem aos verdadeiros autores intelectuais do crime. Essa articulação teria sido fundamental para a tentativa de acobertamento dos fatos.

No âmbito do apoio operacional, o major da Polícia Militar Ronald Paulo de Alves Pereira, conhecido como Major Ronald, é apontado como peça chave. Sua função teria sido monitorar a rotina de Marielle Franco e repassar informações críticas, consideradas indispensáveis para o planejamento e a execução do atentado que ceifou as vidas da vereadora e de seu motorista.

A Estrutura de Suporte da Organização Criminosa

Robson Calixto Fonseca, apelidado de “Peixe”, também figura entre os acusados por sua integração à organização criminosa liderada pelos irmãos Brazão. A PGR detalha que Fonseca desempenhava um papel crucial em atividades relacionadas à estrutura financeira e territorial do grupo, incluindo a intermediação com milicianos e a gestão de loteamentos irregulares na região de Jacarepaguá, consolidando a rede de influência e o poder econômico do esquema.

O Caminho para a Justiça

O pedido de condenação da PGR representa um avanço significativo em um caso que se tornou um símbolo da violência política e da fragilidade democrática no Brasil. A análise das provas e a manifestação do vice-procurador-geral reafirmam o compromisso em desvendar todas as camadas de um crime complexo, envolvendo desde a mandante até a tentativa de acobertamento. O julgamento em andamento no STF se configura como um marco essencial para a responsabilização dos envolvidos e a concretização da tão esperada justiça para Marielle Franco e Anderson Gomes.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br

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