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Mobilização Nacional: Ato por Tainara Souza Santos Abre o Mês das Mulheres e Impulsiona Luta Contra o Feminicídio

© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O Brasil inicia o mês de março com um forte chamado à ação contra a violência de gênero. Um ato solene, agendado para o domingo (1º), na Marginal Tietê, Zona Norte de São Paulo, prestará homenagem a Tainara Souza Santos, de 31 anos. A vítima faleceu após ser brutalmente atropelada e arrastada por seu ex-companheiro em novembro do ano passado. Organizado pelo Ministério das Mulheres, este evento simboliza o ponto de partida das mobilizações em todo o país pelo Dia Internacional das Mulheres, marcando uma data crucial para a conscientização e a luta contra o feminicídio.

Um Símbolo de Luta: A Homenagem a Tainara Souza Santos

A escolha da Marginal Tietê como local do ato é carregada de significado, sendo o mesmo cenário da agressão que culminou na morte de Tainara. O ex-companheiro, Douglas Alves da Silva, está detido e responde por feminicídio. A iniciativa vai além da memória individual, estendendo-se a todas as mulheres vítimas de violência. Conforme anunciou a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, em entrevista ao programa 'Bom Dia, Ministra', o objetivo é iniciar o mês de março com um processo de solidariedade e de conscientização que mobilize parlamentares, gestores públicos, o sistema de Justiça e toda a sociedade.

Para enriquecer a homenagem, grafiteiras realizarão intervenções artísticas em muros de prédios próximos, como os dos Correios e da prefeitura, transformando a paisagem em um painel de resistência. Além disso, um mastro será erguido com mensagens impactantes contra o feminicídio, e um trio elétrico acompanhará o trajeto, contando com a presença da família de Tainara e de diversos movimentos sociais, amplificando a voz de um país que clama por justiça e respeito.

Avanço e Desafios no Combate ao Feminicídio

A ministra Márcia Lopes destacou os avanços na adesão ao 'Pacto Nacional – Brasil contra o Feminicídio', informando que 19 estados já firmaram compromisso com a iniciativa federal. Em março, a ministra visitará as localidades que ainda não aderiram, reforçando a importância da integração e padronização das políticas públicas entre União, estados e municípios. Essa coordenação é crucial para a prevenção eficaz do feminicídio, que é a manifestação extrema da discriminação e menosprezo à condição feminina.

A implementação de um Sistema Nacional de Política para as Mulheres é vista como essencial, exigindo órgãos gestores e conselhos atuantes, além de uma rede de serviços amplamente divulgada e acessível. A ministra enfatiza a necessidade de superar a desconfiança que muitas mulheres sentem em relação às denúncias, seja por medo de perseguição ou falta de crença na eficácia do sistema. Para isso, são fundamentais a formação e o engajamento profissional de todos os agentes envolvidos, desde a polícia até os profissionais de apoio, garantindo sigilo e acolhimento. A urgência dessas medidas é sublinhada pelos dados alarmantes: em 2023, o Brasil registrou um recorde de 1.518 vítimas de feminicídio, uma média de quatro mortes por dia, evidenciando a gravidade do problema.

Prevenção e Conscientização: Da Escola ao Esporte

O Ministério das Mulheres também mira na educação como ferramenta preventiva. O projeto 'Maria da Penha vai à escola' será regulamentado pelo Ministério da Educação (MEC) ainda em março, com o objetivo de instruir estudantes e profissionais da educação sobre a prevenção da violência doméstica e familiar contra a mulher. A iniciativa visa ensinar a igualdade de gênero desde cedo, contribuindo para a construção de uma sociedade mais equitativa e combatendo a normalização da inferiorização feminina.

No âmbito esportivo, a ministra não hesitou em repudiar publicamente as declarações misóginas do zagueiro Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, contra a árbitra Daiane Muniz. Lopes classificou o episódio como 'mais um caso de violência de gênero, de absoluto desprezo, de absoluto machismo', reforçando que as mulheres já comprovaram sua capacidade em todas as esferas. Ademais, o ministério está engajado na parceria com a CBF e outras instituições para que a Copa do Mundo Feminina de 2027, a ser realizada no Brasil, seja um marco de mobilização e respeito às mulheres no esporte, consolidando a ideia de que 'o esporte não pode ser crime, tem que ser para uma vida saudável'.

Conclusão: Um Chamado à Mobilização Contínua

O ato em memória de Tainara Souza Santos é, portanto, mais do que uma homenagem; é um grito de alerta e um catalisador para uma mobilização contínua. Ao integrar ações que perpassam a memória, a legislação, a educação e o esporte, o Brasil demonstra um compromisso renovado na construção de uma sociedade onde a violência de gênero não tenha lugar. A jornada é longa, mas a união e a conscientização de todos são passos fundamentais para erradicar essa chaga e garantir a segurança e a dignidade de todas as mulheres.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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