O setor de mineração no Brasil vive um momento de intensa transformação, impulsionado por uma corrida global por minerais críticos e pela reestruturação estratégica de grandes grupos. Desde janeiro de 2025, o país registrou um volume expressivo de US$ 8,2 bilhões em fusões e aquisições, consolidando-se como um destino prioritário para o capital estrangeiro que busca segurança e diversificação de suprimentos fora da China.
Dados compilados pela consultoria Alvarez & Marsal (A&M) revelam que, somente em 2026, o mercado movimentou US$ 5,9 bilhões, um salto significativo em comparação aos US$ 2,3 bilhões observados ao longo de todo o ano anterior. Esse volume reflete a conclusão de oito grandes operações, totalizando US$ 4,6 bilhões, enquanto outras cinco transações, avaliadas em US$ 3,6 bilhões, seguem em fase de finalização ou aguardam aprovações regulatórias.
A força estratégica das terras raras
O segmento de terras raras tem sido o grande protagonista dessa movimentação, respondendo por 42% do valor total das transações mapeadas. O destaque vai para a aquisição da Serra Verde, operadora da mina Pela Ema em Minaçu (GO), pela americana USA Rare Earth, em um negócio avaliado em US$ 2,8 bilhões. Outro movimento relevante foi o acordo da australiana Lynas para adquirir a Meteoric Resources, controladora do projeto Caldeira, em Minas Gerais, por cerca de US$ 672 milhões.
Para Rafael Marchi, Managing Director da A&M, o interesse crescente no Brasil não é apenas financeiro, mas geopolítico. “Toda a discussão estratégica está sendo transformada em números. Há uma procura pelo Brasil num timing muito bom”, explica o executivo. Segundo ele, o chamado “prêmio geopolítico” reside na capacidade de tirar projetos do papel, transformando recursos minerais em operações efetivas que ancoram o desenvolvimento de toda a cadeia produtiva.
Revisão de portfólio e novos players
O cenário de consolidação também é explicado por uma mudança de rota das grandes mineradoras globais. Empresas como Anglo American, BHP, Equinox Gold, AngloGold Ashanti, Mosaic, South32 e Votorantim optaram por vender ou colocar ativos brasileiros à venda para otimizar seus portfólios. Esse movimento abriu espaço para a entrada de novos investidores, com destaque para o capital chinês, que responde por cerca de 30% do valor anunciado no período.
A diversificação não se limita às terras raras. O níquel, componente essencial para a fabricação de baterias de veículos elétricos, também tem atraído atenção. A MMG, por exemplo, fechou acordo para adquirir ativos de níquel da Anglo American em Goiás e no Pará por até US$ 500 milhões, operação que atualmente passa por análise regulatória na União Europeia.
Cenário regulatório e perspectivas futuras
Apesar das mudanças recentes na legislação brasileira para minerais críticos, Marchi avalia que o ambiente regulatório não foi o principal motor de antecipação dos negócios. Pelo contrário, o executivo aponta que as discussões sobre novas regras geraram, em momentos pontuais, uma sensação de insegurança que chegou a atrasar alguns processos. Contudo, a tendência é que o novo conselho estratégico atue como uma etapa de validação, similar ao papel do Cade, sem representar uma barreira generalizada.
O mercado segue aquecido, com grandes operações ainda no radar. Entre os destaques estão a venda conjunta do Porto Sudeste e da Mineração Morro do Ipê, que buscam cerca de US$ 5 bilhões, além de processos envolvendo a BAMIN. O Canal 1 de Notícias continuará acompanhando os desdobramentos desses investimentos e o impacto da mineração na economia nacional, mantendo você informado sobre as movimentações que moldam o futuro do setor no Brasil.
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