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Estratégias digitais e o peso dos seguidores nas eleições de São Paulo

Deputados mais votados de SP somam 18 milhões de seguidores, mas estratégias de campanha variam entre digital e material impresso.

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  • A influência das redes sociais no cenário eleitoral paulista O desempenho dos candidatos nas urnas em São Paulo tem revelado uma mudança…
  • Um levantamento recente aponta que os seis candidatos a deputado mais votados no estado, cada um superando a marca de 500 mil…
  • Esse volume massivo de audiência, no entanto, não se traduz de forma uniforme em estratégias de campanha, revelando que o capital digital…
Estratégias digitais e o peso dos seguidores nas eleições de São Paulo
Foto: Reprodução

A influência das redes sociais no cenário eleitoral paulista

O desempenho dos candidatos nas urnas em São Paulo tem revelado uma mudança profunda na forma como a política é feita no Brasil. Um levantamento recente aponta que os seis candidatos a deputado mais votados no estado, cada um superando a marca de 500 mil votos, acumulam juntos mais de 18 milhões de seguidores apenas no Instagram. Esse volume massivo de audiência, no entanto, não se traduz de forma uniforme em estratégias de campanha, revelando que o capital digital é utilizado de maneiras distintas pelos parlamentares.

A análise das prestações de contas enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) demonstra que, embora a presença digital seja um denominador comum, a alocação de recursos financeiros varia drasticamente. Enquanto alguns candidatos priorizam o impulsionamento e a produção de conteúdo para redes sociais, outros mantêm investimentos robustos em materiais gráficos tradicionais, sugerindo que o engajamento online e o voto físico ainda operam sob lógicas complementares, mas distintas.

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Investimento digital versus métodos tradicionais

Entre os nomes de maior votação, o contraste nas estratégias é evidente. Lucas Pavanato (PL), o mais votado com mais de 3 milhões de votos, destinou cerca de 50% de suas despesas de campanha para a comunicação digital e impulsionamento. Em um movimento semelhante, Eduarda Campopiano (PL), que também construiu sua base com forte presença online, direcionou mais de 60% de seus gastos para o mesmo setor. Para esses candidatos, o investimento financeiro atua como um acelerador de uma audiência que já havia sido cultivada previamente.

Por outro lado, figuras como Erika Hilton (PSOL) e Sâmia Bomfim (PSOL), que possuem comunidades digitais vastas e consolidadas, optaram por uma distribuição de verbas diferente. Erika Hilton, por exemplo, destinou uma parcela maior de seus recursos a materiais impressos do que ao impulsionamento digital. Esse comportamento reforça a tese de que, para políticos com alta capilaridade social, o capital digital já está consolidado, permitindo que o orçamento de campanha seja direcionado para outras frentes de mobilização.

O papel do capital político na era da digitalização

A cientista política Tathiana Chicarino, da FESP-SP, observa que o fenômeno não é isolado, mas parte de uma “digitalização da vida” que permeia a sociedade brasileira desde o início do século. Segundo ela, as redes sociais tornaram-se espaços fundamentais de sociabilidade, o que altera a forma como o eleitor consome informação. “Ter milhões de seguidores é um ativo, um capital político digital, mas não significa que você terá milhões de votos”, explica a especialista.

A dinâmica de circulação de conteúdo é o diferencial. O professor Paulo Faltay, da UFPE, destaca que as plataformas possuem arquiteturas próprias que valorizam determinados formatos. O sucesso de um candidato hoje depende de sua capacidade de transformar o seguidor em um agente de distribuição de conteúdo. “O grande feito é poder contar com essa audiência que não é apenas destinatária da comunicação, mas passa a trabalhar na própria produção de visibilidade”, pontua Faltay.

Fragmentação e o futuro da comunicação política

A personalização dos algoritmos cria um cenário onde cada eleitor é exposto a uma realidade informacional distinta. Isso leva a uma fragmentação da experiência política, onde as campanhas precisam adaptar suas mensagens para nichos específicos. Candidatos como Kim Kataguiri (Missão) e Eduardo Suplicy (PT) ilustram bem essa diversidade de abordagens, cada um com um perfil de gasto e de público que foge de uma regra única de sucesso eleitoral.

A desigualdade financeira também desempenha um papel crucial. A capacidade de adaptar a comunicação às métricas das plataformas exige não apenas criatividade, mas poder econômico para sustentar o alcance dentro desses ambientes. O cenário eleitoral, portanto, permanece em constante transformação, exigindo dos candidatos um equilíbrio complexo entre a presença digital e a eficácia das estratégias de mobilização tradicionais.

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