Protagonismo e cirurgia global em Washington
A cirurgiã pediátrica e professora da Universidade Federal do Acre (Ufac), Fernanda Lage Lima Dantas, representa o Brasil na Conferência Anual da Association of Women Surgeons (AWS), realizada em Washington, nos Estados Unidos. O evento, que reúne especialistas de diversas partes do mundo, tem como foco central o debate sobre cirurgia global, a formação médica continuada e o fortalecimento do protagonismo feminino em especialidades historicamente dominadas por homens.
Fernanda, que é pioneira na implantação do serviço de cirurgia pediátrica no Acre, utiliza o espaço internacional para compartilhar os desafios e as estratégias adotadas em Rio Branco. Sua trajetória é marcada pela busca constante por excelência em um cenário de recursos limitados, servindo de modelo para a aplicação da medicina em regiões remotas. A médica também integra o American College of Surgeons (ACS), uma das organizações mais prestigiadas da área cirúrgica mundial.
A transformação no atendimento pediátrico acreano
Um dos pontos mais impactantes da atuação de Fernanda no Acre é a mudança drástica nas taxas de sobrevivência de recém-nascidos com malformações congênitas. A médica relata que, no início de seu trabalho no estado, o cenário era alarmante, com cerca de 95% de mortalidade entre os bebês diagnosticados com essas condições. Graças ao desenvolvimento de protocolos especializados e à estruturação de serviços, esse índice foi revertido.
Atualmente, a taxa de sobrevivência desses pacientes chega a 80%. O objetivo da especialista agora é consolidar um projeto de assistência integral, que vai além do procedimento cirúrgico. A proposta inclui reabilitação e acompanhamento multidisciplinar contínuo, visando garantir qualidade de vida aos pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A médica ressalta que, embora os projetos estejam estruturados, a implementação plena depende de condições logísticas e apoio institucional.
Desafios da mulher na medicina cirúrgica
A participação de Fernanda na AWS também serve como plataforma para discutir a equidade de gênero na medicina. Apesar de dados da Demografia Médica no Brasil indicarem que, em 2025, o país alcançou pela primeira vez a marca de mais mulheres do que homens em atividade médica, a cirurgia ainda enfrenta barreiras culturais. A especialista aponta que o preconceito e a necessidade de provar competência em dobro ainda são realidades enfrentadas por cirurgiãs.
Desde outubro de 2024, Fernanda integra a diretoria executiva do comitê de relações internacionais do ACS. Ela defende que a visibilidade de mulheres em cargos de liderança é essencial para mudar a cultura do ambiente hospitalar. Campanhas como a “Mulheres Cirurgiãs Causando Impacto no Mundo” têm sido fundamentais para conectar profissionais e ampliar o reconhecimento da atuação feminina, provando que a competência técnica deve ser o único critério de avaliação, independentemente do gênero.
O futuro da saúde pública e a experiência local
A experiência adquirida no Acre, com a criação do curso de medicina da Ufac e a implementação de residências médicas, é apresentada pela cirurgiã como um exemplo de como a educação e a especialização podem transformar a saúde pública. Fernanda acredita que a troca de experiências em congressos internacionais é vital para que soluções locais ganhem escala e reconhecimento global.
A médica reafirma seu compromisso com a saúde pública brasileira e pretende continuar levando a discussão sobre o papel da mulher na liderança médica para outros fóruns internacionais. Para ela, a equidade na formação profissional é o caminho para a melhoria da assistência à saúde como um todo. O Canal 1 de Notícias segue acompanhando os desdobramentos dessa atuação internacional e o impacto das políticas de saúde no Acre.
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