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Manobras no Congresso: Votação da Dosimetria e o Pacto Silencioso sobre a CPMI do Banco Master

G1

O cenário político em Brasília ferve com a expectativa de uma sessão decisiva do Congresso Nacional, onde a urgência em votar a derrubada de vetos presidenciais à chamada 'PL da Dosimetria' se entrelaça com intensas negociações de bastidores. Nos corredores do poder, parlamentares da base governista interpretam a celeridade do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), como parte de um complexo acordo. A percepção é que a prioridade à dosimetria seria uma contrapartida da oposição para não se pressionar pela instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master, em um movimento que revela a intricada teia de interesses e conveniências no Legislativo.

A Urgência da Dosimetria e a Controvérsia dos Vetos

A proposta conhecida como 'PL da Dosimetria' ganhou destaque por ter o potencial de impactar diretamente as penas de indivíduos condenados por atos considerados golpistas, incluindo os envolvidos nos episódios de vandalismo de 8 de janeiro de 2023. Notadamente, as sanções aplicadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a outros réus poderiam ser mitigadas caso os vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que rejeitou integralmente o texto, sejam derrubados. Davi Alcolumbre anunciou que a análise desses vetos será o 'único item na pauta' da sessão do Congresso agendada para 30 de abril, um movimento que seus aliados veem como uma clara sinalização de suas intenções para a agenda da Casa.

A CPMI do Banco Master e o Jogo de Bastidores

Paralelamente à pauta da dosimetria, paira a questão da CPMI do Banco Master, uma comissão que visa investigar o banco de Daniel Vorcaro e que conta com assinaturas suficientes para sua criação. Pelo regimento interno, o presidente do Congresso é obrigado a proceder com a leitura do requerimento de instalação da CPMI na primeira sessão conjunta após a validação das assinaturas. Embora a oposição tenha inicialmente defendido a instalação da comissão, há uma avaliação nos bastidores de que a cúpula do Congresso e os principais líderes partidários, de ambos os espectros políticos, não demonstram real interesse político em sua efetivação neste momento, pavimentando o caminho para possíveis negociações.

Declarações dos Líderes: Sinais de um Acordo Subentendido?

As recentes declarações de figuras-chave do Congresso reforçam a percepção de um possível acordo. O líder da Oposição na Câmara, Cabo Gilberto (PL-PB), admitiu concordar que a sessão conjunta se dedique exclusivamente à votação dos vetos da dosimetria, comprometendo-se a não pressionar pela CPMI caso esse entendimento se concretize. Na mesma linha, o líder do PL, Carlos Portinho (RJ), sugeriu a viabilidade de tal costura política, priorizando uma 'resposta' para as pessoas presas pelo 8 de janeiro. Contudo, essa narrativa é confrontada pelo vice-líder do governo, Lindbergh Farias, que negou qualquer acordo e prometeu, pessoalmente, pressionar pela abertura da CPMI do Banco Master caso a sessão seja aberta para outros temas além da dosimetria.

As Múltiplas Manobras de Alcolumbre: Dosimetria e a Indicação ao STF

A complexidade da estratégia de Davi Alcolumbre transcende a pauta dos vetos e da CPMI, estendendo-se à indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Interlocutores do presidente do Senado desmentem um acordo explícito com a oposição, argumentando que Alcolumbre age de forma 'republicana', buscando equilibrar as demandas dos diferentes grupos políticos. Seu gesto de despachar a indicação de Messias para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), após mais de quatro meses de espera e críticas públicas do próprio Alcolumbre pela demora do governo, foi interpretado como um aceno ao Palácio do Planalto.

A agenda do Congresso, com a sabatina de Messias agendada para 29 de abril e a votação da dosimetria no dia seguinte, é vista por líderes do Centrão como uma distribuição estratégica de 'doces' — um para a oposição, outro para o governo. Essa orquestração também reflete a visão de que Alcolumbre, mesmo dando andamento à nomeação de Messias, não permite que o governo se sinta completamente confortável, especialmente com a votação da dosimetria logo em seguida. A preferência histórica de Alcolumbre pelo nome do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para o STF e as investigações envolvendo o Banco Master, que o tornaram mais 'recluso' e sob pressão pela CPMI, teriam influenciado o Palácio do Planalto a finalmente enviar a mensagem de Messias, evitando riscos eleitorais futuros.

Conclusão: O Palco Político de Alto Risco

O Congresso Nacional se prepara para uma semana de intensas articulações, onde cada movimento do presidente Davi Alcolumbre e dos líderes partidários pode redefinir alianças e resultados. A votação da dosimetria e o destino da CPMI do Banco Master não são apenas questões legislativas isoladas, mas peças de um complexo xadrez político que envolve concessões, pressões e a busca por equilíbrio de forças. Os desdobramentos desses eventos terão profundas implicações para os atores políticos envolvidos, para a agenda do governo e para a própria percepção de como o poder é exercido e negociado nos mais altos escalões da República.

Fonte: https://g1.globo.com

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