Estratégia de ocultação de patrimônio
Uma investigação minuciosa da Polícia Civil desmantelou um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro que utilizava o mercado de cavalos de raça e o agenciamento de artistas de forró para ocultar fortunas oriundas do tráfico de drogas. O grupo, vinculado à facção criminosa Nova Okáida, uma das mais atuantes na Paraíba, teria movimentado cerca de R$ 150 milhões em um período de apenas dois anos. A estratégia visava conferir aparência de legalidade a valores obtidos com a venda de entorpecentes como cocaína, crack e skank.
O foco dos criminosos em setores de alta visibilidade, como leilões de animais de elite e eventos culturais, tinha como objetivo principal a “automonetização”. Ao adquirir cavalos por valores inflacionados em leilões, os suspeitos conseguiam justificar a entrada de recursos em suas contas bancárias através da posterior revenda desses bens. Entre os nomes centrais da operação estão Ivan Moura, conhecido como “Mauro Maromba”, e seu sócio Yago Cavalcanti, ex-candidato a vereador em Campina Grande.
Conexões com o entretenimento e o poder público
Além dos leilões, o grupo buscava infiltrar-se em prefeituras do Nordeste por meio do agenciamento de cantores de forró. Em áudios interceptados pela polícia, os investigados discutiam a necessidade de contratos com o poder público para garantir lucros mais expressivos. Essa vertente do negócio funcionava como uma fachada para a circulação de grandes somas de dinheiro, misturando o cotidiano de shows e vaquejadas com a logística de uma facção criminosa.
Apesar da associação de nomes de artistas famosos aos eventos, as autoridades esclareceram que não há indícios de envolvimento dos cantores nas atividades ilícitas. A assessoria de Wesley Safadão, por exemplo, reforçou que as compras nos leilões são realizadas de forma direta entre o interessado e a leiloeira, sem qualquer contato pessoal com o artista. O delegado Afrânio Brito, coordenador da DRE, destacou que os criminosos tentavam se aproximar de figuras públicas para ganhar credibilidade social.
Vida de luxo e o fim da ostentação
O estilo de vida dos envolvidos era marcado pela ostentação, com o uso de jet-skis, veículos de luxo e residências em condomínios fechados. A esposa de Ivan, Miriam Ferreira, que declarava uma renda mensal de R$ 1.412, operava uma empresa de fachada que movimentou R$ 144 milhões em apenas quatro meses. A disparidade entre a renda declarada e a movimentação financeira foi um dos pontos cruciais para o avanço das investigações.
A operação policial resultou na prisão de 13 suspeitos. A captura de Ivan Maromba ocorreu de forma inusitada: ele foi encontrado escondido no compartimento interno de uma cama box. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 144 milhões nas contas dos envolvidos, que agora respondem por crimes como organização criminosa, tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e lavagem de dinheiro. O caso reforça a mudança de paradigma das forças de segurança, que buscam atingir o núcleo financeiro das facções em vez de focar apenas na ponta do tráfico.
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