Uma noite que deveria ser de celebração esportiva plena para o Real Madrid na Liga dos Campeões foi ofuscada por um lamentável episódio de racismo. O atacante brasileiro Vinícius Júnior, peça central na vitória por 1 a 0 sobre o Benfica, em Lisboa, não apenas marcou um golaço decisivo, mas também se viu obrigado a denunciar insultos racistas vindos das arquibancadas e de um adversário. O incidente, que paralisou a partida por cerca de dez minutos, reacendeu o debate urgente sobre a intolerância no futebol europeu.
O Brilho em Campo e a Celebração que Virou Confronto
O momento de maior brilho individual na partida ocorreu aos quatro minutos da etapa complementar, quando Vinícius Júnior recebeu uma assistência primorosa de Kylian Mbappé pelo lado esquerdo. Com maestria, o camisa 7 do Real Madrid arrematou da entrada da área, desferindo um chute que descreveu um arco perfeito antes de se aninhar no ângulo superior do goleiro Anatoliy Trubin. A celebração do gol, com a tradicional dança de Vini Jr. em frente à bandeira de escanteio, próximo à torcida do Benfica no Estádio da Luz, rapidamente escalou para uma discussão. Jogadores da equipe portuguesa prontamente cercaram o brasileiro, que acabou sendo advertido com cartão amarelo pelo árbitro François Letexier.
A Denúncia de Racismo e o Protocolo Antirracismo Ativado
Mal a confusão inicial parecia arrefecer, Vinícius Júnior voltou-se ao juiz para relatar ter sido alvo de ofensas racistas. Segundo o atacante, ele foi chamado de 'mono', termo em espanhol que significa macaco, durante um entrevero com Gianluca Prestianni, jogador do Benfica. As imagens da transmissão televisiva capturaram Prestianni realizando um gesto de levar a camisa em direção à boca, enquanto o brasileiro expressava sua indignação. Diante da grave denúncia, o árbitro agiu de imediato, erguendo os braços em 'X' para acionar o protocolo antirracismo, resultando na interrupção do jogo. A paralisação se estendeu por cerca de dez minutos, período em que membros da equipe do Real Madrid chegaram a cogitar a possibilidade de deixar o campo em protesto. Contudo, a partida foi retomada sem que fossem aplicadas punições adicionais. A partir daí, Vini Jr. passou a ser incessantemente vaiado pela torcida adversária a cada toque na bola.
Recorde Pessoal e a Vantagem Merengue para a Classificação
Apesar do clima hostil, o gol contra o Benfica solidificou a posição de Vinícius Júnior entre os maiores artilheiros brasileiros da Liga dos Campeões. Com 31 gols, ele agora se isola como o segundo jogador brasileiro com mais bolas na rede na história da competição, superando o ícone Kaká, que somou 30 gols por Real Madrid e Milan. À frente de Vini Jr. nesta seleta lista está apenas Neymar, que ostenta 42 gols marcados por Barcelona e Paris Saint-Germain. No contexto da competição, a vitória por 1 a 0 concedeu ao Real Madrid uma importante vantagem para o jogo de volta. O confronto decisivo, que vale vaga nas oitavas de final, será disputado na próxima quarta-feira (25), às 17h (horário de Brasília), no Estádio Santiago Bernabéu, em Madri, onde os Merengues terão a chance de selar sua classificação com um simples empate.
A partida em Lisboa, portanto, deixou um legado agridoce. Enquanto o Real Madrid celebra uma vitória crucial e Vinícius Júnior consolida sua posição como uma estrela ascendente do futebol mundial, o incidente de racismo serve como um doloroso lembrete de que a luta contra a discriminação no esporte está longe de terminar. A capacidade de um atleta superar tamanha adversidade em campo é notável, mas a persistência de tais atos clama por ações mais rigorosas e efetivas por parte das autoridades do futebol.