Este artigo aborda estátua de iemanjá em teresina: vandalismo e intolerância religiosa de forma detalhada e completa, explorando os principais aspectos relacionados ao tema.
O Ataque à Estátua de Iemanjá em Teresina: Detalhes e Contexto
Na noite de domingo, 1º de outubro, véspera do Dia de Iemanjá, a estátua da orixá localizada na Avenida Marechal Castelo Branco, em Teresina, foi alvo de um ataque de vandalismo e intolerância religiosa. O incidente resultou na quebra do vidro que protegia a imagem e na danificação de uma de suas mãos. Este ato ocorreu em um momento de grande simbolismo para os praticantes das religiões de matriz africana, para quem Iemanjá, a orixá das águas, dos mares e oceanos, representa uma figura central no candomblé e na umbanda, além de um ícone cultural de relevância no Brasil.
Não se trata de um episódio isolado. A mesma estátua já havia sido alvo de um ataque semelhante em junho de 2024, poucos meses após sua inauguração. A imagem foi instalada para substituir uma versão anterior e, notavelmente, representa Iemanjá com feições de mulher preta, o que gerou, inclusive, ofensas racistas nas redes sociais antes mesmo de sua instalação. A recorrência desses ataques levanta sérias preocupações sobre a natureza dos atos.
Diante da gravidade e da persistência dos ataques, a Articulação Nacional de Povos de Matriz Africana e Ameríndia (ANPMA-Brasil) emitiu uma nota de repúdio, classificando o ato como intolerância religiosa e não como mero vandalismo. A entidade reiterou seu pedido, feito há mais de dois anos, pela instalação de câmeras de monitoramento na área do monumento. A ANPMA-Brasil cobrou a utilização dos sistemas de videomonitoramento existentes, como o SPIA, para identificar e responsabilizar os autores do crime, que, segundo a legislação, prevê pena de dois a cinco anos de reclusão e multa por intolerância religiosa. A entidade também ressaltou que o Piauí ocupa a preocupante quarta posição entre os estados brasileiros com maior registro de violência contra comunidades tradicionais de matriz africana, exigindo investigação imediata e políticas públicas efetivas.
Iemanjá: Símbolo de Fé, Cultura e Resistência no Brasil
Iemanjá, a venerada orixá das águas, mares e oceanos na religião iorubá, transcendeu suas raízes africanas para se firmar como um dos mais potentes símbolos de fé e cultura no Brasil. Rainha das águas, sua figura matriarcal é central nas religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda, onde é cultuada como a grande mãe, protetora e provedora da vida. Sua chegada ao Brasil, trazida pelos africanos escravizados, marcou o início de uma complexa trajetória de resistência e adaptação cultural, consolidando sua presença no imaginário popular.
A devoção a Iemanjá é um fenômeno cultural vasto, expressa em festas populares, rituais e oferendas que adornam as praias brasileiras, especialmente em datas como 2 de fevereiro e 8 de dezembro. Ela simboliza a fertilidade, a maternidade, a purificação e a proteção, sendo invocada por fiéis que buscam consolo, esperança e renovação. Seu sincretismo com Nossa Senhora dos Navegantes ou da Conceição em diversas regiões do país demonstra a capacidade de assimilação e a profundidade de sua influência, unindo diferentes esferas da religiosidade brasileira.
Mais do que uma divindade, Iemanjá é um estandarte de resistência para os povos afro-brasileiros. Sua imagem representa a preservação da identidade cultural africana e a luta contínua contra a intolerância religiosa e o preconceito. Atos de vandalismo contra seus monumentos, como o ocorrido em Teresina, não apenas atacam um símbolo religioso, mas agridem a história, a fé e a dignidade de comunidades que há séculos buscam reconhecimento e respeito. A manutenção de sua fé e a celebração de sua figura são atos de afirmação da liberdade religiosa e da riqueza da diversidade cultural brasileira.
Um Padrão de Intolerância: Histórico de Vandalismo e Racismo
O recente vandalismo à estátua de Iemanjá em Teresina, com o vidro do aquário de proteção quebrado e a mão danificada na véspera do Dia de Iemanjá, não é um incidente isolado, mas parte de um preocupante padrão de intolerância religiosa e racismo. Este ataque segue-se a um incidente similar ocorrido em junho de 2024, poucos meses após a inauguração da nova imagem. A substituição da estátua anterior, que possuía feições de mulher branca, por uma que retrata uma mulher preta, símbolo de maior representatividade para as religiões de matriz africana, parece ter catalisado uma onda de hostilidade que transcende o mero vandalismo.
Antes mesmo de sua inauguração, a estátua já havia sido alvo de ofensas racistas na internet, evidenciando que os ataques físicos são a manifestação de um preconceito arraigado. A Articulação Nacional de Povos de Matriz Africana e Ameríndia (ANPMA-Brasil) categoriza esses atos não como vandalismo isolado, mas como ações diretas contra a liberdade religiosa, a cultura e a dignidade desses povos. A entidade tem cobrado, há mais de dois anos, a instalação de câmeras de monitoramento na área do monumento, um pedido que ganha urgência diante da reincidência dos ataques e da clara intenção de desrespeito e agressão.
Este histórico coloca Teresina e o Piauí em um cenário alarmante, que precisa ser tratado com seriedade pelas autoridades. A ANPMA-Brasil destaca que o estado ocupa a quarta posição entre os estados brasileiros com maior número de registros de violência contra comunidades tradicionais de matriz africana, refletindo uma realidade de discriminação sistêmica. Essa estatística sublinha a necessidade urgente de uma investigação rigorosa e de políticas públicas eficazes de combate à intolerância religiosa. Os sucessivos ataques à estátua de Iemanjá servem como um doloroso lembrete da persistência do racismo religioso, que busca deslegitimar e violentar símbolos sagrados de uma parcela significativa da população brasileira, exigindo uma resposta firme das autoridades e da sociedade.
A Intolerância Religiosa como Crime: Legislação e Desafios no Piauí
A intolerância religiosa, como a que motivou o ataque à estátua de Iemanjá em Teresina, é tipificada como crime no Brasil, amparada pela Lei nº 7.716/89, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor, e suas alterações posteriores, como a Lei nº 14.532/23, que equiparou a injúria racial ao racismo. Esta legislação visa proteger a liberdade de crença e culto, um direito fundamental garantido pela Constituição Federal. Atos que impedem ou empregam violência contra manifestações ou práticas religiosas, como a depredação de símbolos ou locais de culto, são crimes passíveis de punição, refletindo o compromisso do Estado com a laicidade e a diversidade religiosa.
Especificamente, a legislação prevê pena de reclusão de dois a cinco anos e pagamento de multa para quem cometer o crime de intolerância religiosa. Essa pena pode ser aumentada pela metade se o ato for praticado por duas ou mais pessoas, evidenciando a gravidade quando há uma ação coordenada ou em grupo. O caso da estátua de Iemanjá, que teve seu vidro de proteção quebrado e a mão danificada na véspera do Dia de Iemanjá, enquadra-se claramente nessa tipificação, configurando um atentado direto à fé, à cultura e à dignidade dos povos de matriz africana, que celebram a orixá em Teresina e em todo o país.
No Piauí, a situação é particularmente desafiadora. O estado, conforme dados de entidades como a Articulação Nacional de Povos de Matriz Africana e Ameríndia (ANPMA-Brasil), ocupa a preocupante quarta posição entre as unidades federativas com maior número de registros de violência contra comunidades tradicionais de matriz africana. Esse cenário realça a urgência de uma atuação mais efetiva das autoridades. A dificuldade na identificação e responsabilização dos criminosos, aliada à carência de políticas públicas permanentes de combate à intolerância religiosa e à falta de monitoramento adequado de monumentos, como o cobrado para a estátua de Iemanjá, perpetua um ciclo de impunidade e vulnerabiliza ainda mais esses grupos. A cobrança por investigação imediata e o uso de sistemas como o SPIA para identificar os responsáveis são passos cruciais para reverter esse quadro e garantir a plena liberdade religiosa.
O Clamor por Proteção e Políticas Públicas Efetivas
O recente e covarde ato de vandalismo contra a estátua de Iemanjá em Teresina, ocorrido na véspera de seu dia sagrado, intensificou o clamor por proteção e políticas públicas efetivas por parte das comunidades de matriz africana. A Articulação Nacional de Povos de Matriz Africana e Ameríndia (ANPMA-Brasil) prontamente repudiou o ataque, reiterando uma demanda que se estende por mais de dois anos: a instalação de câmeras de videomonitoramento na área do monumento. A entidade exige que sistemas de segurança existentes, como o SPIA, sejam mobilizados para identificar e responsabilizar os agressores, sublinhando que este não é um incidente isolado, mas uma reiteração de hostilidades, incluindo um ataque semelhante em junho de 2024 e ofensas racistas online antes mesmo da inauguração da nova estátua.
O clamor por proteção, portanto, transcende a mera vigilância patrimonial. A ANPMA-Brasil enfatiza que o vandalismo é, na verdade, um crime de intolerância religiosa que atinge diretamente a liberdade de culto, a cultura e a dignidade dos povos de matriz africana. Este contexto ganha ainda mais relevância ao considerar que o Piauí ocupa a alarmante quarta posição entre os estados brasileiros com maior registro de violência contra comunidades tradicionais de matriz africana. Diante disso, a cobrança se direciona à implementação urgente de políticas públicas permanentes e abrangentes, que não apenas garantam a investigação imediata e a responsabilização dos culpados, com a aplicação das penas previstas em lei, mas que também promovam a educação para o respeito à diversidade religiosa e a proteção efetiva de todos os monumentos e espaços sagrados, combatendo proativamente o racismo religioso.
Fonte: https://g1.globo.com