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Doze Anos Depois: Obras da Copa do Mundo de 2014 em Natal Ainda Inconclusas

G1

Doze anos após sediar jogos da Copa do Mundo de 2014, Natal, a capital potiguar, ainda convive com um cenário de obras de infraestrutura e mobilidade urbana que, prometidas para o grande evento, permanecem inacabadas ou foram completamente descontinuadas. A expectativa de um legado duradouro de modernização para a cidade se choca com a realidade de projetos paralisados e orçamentos elevados, gerando questionamentos sobre a efetividade do planejamento e a gestão dos recursos investidos.

As intervenções, que somavam aproximadamente R$ 6 bilhões em investimentos além da construção da Arena das Dunas, visavam transformar a infraestrutura local, impactando diretamente a vida dos cidadãos. Contudo, exemplos como o túnel de macrodrenagem da Avenida Jerônimo Câmara e a expansão do sistema de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) são marcadores de um futuro prometido que se arrasta no presente.

A Persistente Inconclusão da Macrodrenagem na Avenida Jerônimo Câmara

Um dos projetos de maior relevância e mais emblemáticos dos atrasos é a macrodrenagem da Avenida Jerônimo Câmara. Iniciada em 2013, a obra, fundamental para mitigar problemas de alagamento nas Zonas Oeste e Sul da cidade, prevê a instalação de quase cinco quilômetros de tubulações, visando integrar os sistemas de drenagem dessas regiões. Após uma série de interrupções e atrasos, o investimento total para sua conclusão já ultrapassa os R$ 200 milhões.

A boa notícia, segundo a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra), é que a conclusão dessa etapa vital está agora prevista para setembro deste ano. Os recursos necessários para finalizar os trabalhos teriam sido assegurados através do novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Governo Federal, o que gera uma nova esperança para os moradores da região.

O Sonho do VLT: Um Anel Ferroviário Abandonado

Outra grande promessa da Copa que não saiu do papel foi a criação de um anel ferroviário de 56 quilômetros na Região Metropolitana de Natal. Este projeto ambicioso visava expandir significativamente o sistema de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), incluindo uma conexão direta com o Aeroporto Internacional, o que transformaria a mobilidade entre o centro e a periferia, além de facilitar o acesso de turistas.

No entanto, a proposta nunca foi executada. Conforme informações da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), o projeto foi descontinuado devido a decisões tomadas pelo governo federal entre 2016 e 2022. Atualmente, a CBTU busca reverter essa situação, tentando novamente incluir a obra no escopo do Novo PAC, na esperança de resgatar o que um dia foi visto como uma solução inovadora para o transporte público.

Intervenções Parciais e Planos Não Executados em Vias Estratégicas

A Avenida Engenheiro Roberto Freire, na Zona Sul, também estava na lista das intervenções planejadas para o Mundial. O projeto original para essa importante via contemplava a construção de túneis, viadutos, ciclovias e a instalação de novas passarelas, com o objetivo de desafogar o trânsito e modernizar a infraestrutura local. Contudo, essas melhorias abrangentes nunca foram efetivadas, deixando a avenida aguardando por uma prometida reestruturação.

Na Zona Norte, as obras do Pró-Transporte, iniciadas em 2007, foram posteriormente incorporadas ao conjunto de investimentos relacionados à Copa. A Secretaria de Estado da Infraestrutura (SIN) informou que a etapa da Avenida Moema Tinoco foi concluída em abril deste ano. Agora, uma nova fase está em planejamento, prevendo a ligação entre o viaduto da Avenida das Fronteiras e a BR-101, passando pelo Gancho de Igapó, com um investimento de R$ 33 milhões, visando aprimorar a mobilidade e facilitar o acesso ao Aeroporto Internacional de Natal.

Um Legado de Desafios e Expectativas Futuras

Doze anos depois do apito inicial da Copa do Mundo, a realidade de Natal é um misto de conquistas e, principalmente, de promessas de infraestrutura ainda por cumprir. A cidade, que se preparou para receber o mundo, ainda enfrenta os reflexos de projetos ambiciosos que não foram totalmente concretizados. Enquanto algumas obras seguem em andamento com novos prazos e fontes de financiamento, como a macrodrenagem da Jerônimo Câmara, outras, como o VLT, dependem de uma nova rodada de articulações e investimentos para saírem do papel.

Este cenário ressalta os desafios persistentes na gestão de grandes projetos de infraestrutura no Brasil e a importância de um planejamento robusto e contínuo, para que os megaeventos deixem um legado de fato transformador e não apenas uma série de canteiros de obras inacabados.

Fonte: https://g1.globo.com

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