A Santa Casa de Capão Bonito, no interior de São Paulo, iniciou uma investigação interna após uma grave denúncia de injúria contra um médico anestesista. O incidente, que ocorreu na última quarta-feira, dia 25, foi formalizado por uma paciente através de um boletim de ocorrência online no sábado subsequente, dia 28, e envolve acusações de conduta inadequada que resultaram no cancelamento de uma cirurgia aguardada pela mulher.
Relato da Paciente: Acusações e o Cancelamento da Cirurgia
A paciente, que optou por não ter sua identidade revelada e que também é funcionária da instituição de saúde, detalhou que havia cumprido todos os exames e procedimentos pré-operatórios para uma cirurgia de hérnia incisional. Segundo seu depoimento, após ser internada às 6h e aguardar por aproximadamente quatro horas, foi encaminhada ao centro cirúrgico. No entanto, momentos antes de entrar na sala de operação, ainda na maca e à porta do local, ela afirma ter sido abordada de forma totalmente agressiva pelo médico anestesista. A mulher alega que o profissional a chamou de “mentirosa” e a acusou de aplicar medicamentos emagrecedores diariamente, o que, em sua avaliação, comprometeria a realização do procedimento.
A paciente nega veementemente as acusações, afirmando que não utiliza tais medicamentos diariamente e que as informações do médico não procedem. Em decorrência do desentendimento e das alegações supostamente feitas pelo profissional, a cirurgia foi desmarcada prontamente. A mulher ressaltou que não recebeu nenhum documento oficial justificando o cancelamento, o que a motivou a buscar seus direitos e um esclarecimento formal sobre o ocorrido.
O Drama da Espera e a Perda de Confiança
A intervenção cirúrgica para correção da hérnia era esperada pela paciente há cerca de três anos, conforme seu relato, e a condição tem gerado dores diárias e um impacto significativo em sua qualidade de vida e desempenho profissional. Devido à dor, ela afirma ter precisado de atestados médicos e do uso frequente de analgésicos, especialmente por trabalhar em um setor que exige o transporte de objetos pesados. O sofrimento físico e emocional a levou a um profundo desgaste.
Após o incidente e a sensação de humilhação e exposição em seu ambiente de trabalho, a paciente recusou a proposta da Santa Casa de Capão Bonito de reagendar a cirurgia com outro anestesista. Ela expressou ter perdido completamente a confiança na instituição e no processo, sentindo-se emocionalmente exaurida e considerando a internação prévia como desnecessária, dado o desfecho inesperado.
A Resposta da Santa Casa de Capão Bonito
Em resposta às acusações, a Santa Casa de Capão Bonito confirmou que a denúncia está sob rigorosa apuração por sua gerência. A instituição enfatizou seu compromisso em ouvir todas as partes envolvidas no incidente e garantiu que as medidas cabíveis serão tomadas para resolver a situação. O hospital reiterou seu posicionamento de não compactuar com qualquer conduta que desrespeite a integridade e os direitos dos pacientes.
A Santa Casa, no entanto, divergiu do relato da paciente quanto ao tempo de espera pela cirurgia, informando que desconhece a alegação de três anos e que o tempo médio para tais procedimentos na instituição é de aproximadamente três meses. Adicionalmente, o hospital informou que, em um esforço assistencial, já havia providenciado o reagendamento do procedimento da paciente para o mês de abril, sob a responsabilidade de um profissional diferente, buscando assegurar a continuidade de seu tratamento e minimizar os transtornos causados pelo ocorrido.
Investigação em Andamento
O caso em Capão Bonito ressalta a importância da conduta ética e profissional, bem como do respeito no ambiente hospitalar. Enquanto a investigação interna da Santa Casa prossegue para esclarecer todos os fatos e garantir a apuração necessária, a paciente permanece em sua busca por justiça e pela realização da cirurgia que, segundo ela, é fundamental para sua saúde e bem-estar. A resolução deste incidente é aguardada com expectativa pela comunidade local e pelas partes envolvidas, visando o restabelecimento da integridade e da confiança nos serviços de saúde.
Fonte: https://g1.globo.com