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Agência Lupa aponta que quase 90% dos posts virais sobre saúde na web são falsos

Estudo da Agência Lupa aponta que 87,3% dos conteúdos virais sobre saúde analisados na internet eram falsos. Confira os dados.

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  • Um levantamento inédito divulgado pela Agência Lupa revelou que 87,3% dos conteúdos virais voltados à área da saúde analisados ao longo de…
  • O estudo faz parte de uma amostra de 764 materiais checados pela entidade, dos quais 667 foram considerados inverídicos.
  • A publicação intitulada Raio-X da Desinformação em Saúde detalha esses números e contou com o apoio da Afya, um dos principais grupos…
Agência Lupa aponta que quase 90% dos posts virais sobre saúde na web são falsos
© Tomaz Silva/Agência Brasil

Um levantamento inédito divulgado pela Agência Lupa revelou que 87,3% dos conteúdos virais voltados à área da saúde analisados ao longo de vários anos eram falsos. O estudo faz parte de uma amostra de 764 materiais checados pela entidade, dos quais 667 foram considerados inverídicos. A publicação intitulada Raio-X da Desinformação em Saúde detalha esses números e contou com o apoio da Afya, um dos principais grupos de ensino médico do país.

Em média, conforme apontado pelo relatório, foram registrados quase 72 conteúdos falsos de grande repercussão por ano, o que representa cerca de seis casos mensais. O conceito de conteúdo viral abrange publicações que se espalham rapidamente na internet, alcançando públicos massivos em curto espaço de tempo e gerando forte engajamento por meio de curtidas, visualizações e compartilhamentos acelerados nas redes sociais.

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O impacto da pandemia e a explosão de mentiras

O volume de informações inverídicas apresentou um salto expressivo durante a crise sanitária global. Entre os anos de 2020 e 2021, a Lupa checou aproximadamente dez vezes mais conteúdos sobre saúde em comparação ao triênio anterior, somando 452 materiais virais investigados. Essas narrativas falsas ganharam força impulsionadas por estratégias como falsas autoridades que prometiam curas milagrosas e soluções simplistas para mazelas complexas.

Apesar desse boom durante a emergência sanitária, o padrão já podia ser identificado em menor escala antes de 2020. Especialistas apontam que a desinformação frequentemente se apropria da linguagem e da credibilidade de médicos, pesquisadores e instituições conceituadas para conferir uma aparência de legitimidade a dados inventados ou distorcidos.

Principais estratégias e temas recorrentes

Entre as táticas mais utilizadas pelos criadores de boatos, a simulação de falsa autoridade médica correspondeu a 21,6% dos casos mapeados. Na sequência, o apelo ao medo e o uso de linguagem alarmista apareceram em 17% das publicações falsas. A distorção de estudos científicos (15,7%) e a promessa de soluções simples para problemas complexos (12,6%) completam o panorama das abordagens mais frequentes.

Ao longo do período analisado pela Agência Lupa, os tópicos que mais dominaram as checagens foram a covid-19, respondendo por 61% dos casos, seguida por tratamentos, curas e métodos de prevenção, com 34%, além de discussões sobre alimentos, bebidas e nutrição, que somaram 24%.

Desinformação sobre vacina continua

O debate em torno dos imunizantes também se tornou um dos alvos preferenciais de redes de desinformação. Antes da crise sanitária, conteúdos falsos sobre vacinas representavam 9,1% das checagens da Lupa, proporção que saltou para 33,2% durante o período de emergência e alcançou 38,9% entre os anos seguintes. Do total de 244 alegações sobre vacinação avaliadas, 212 foram classificadas como falsas.

O levantamento identificou ainda a presença de figuras públicas em pelo menos 142 conteúdos investigados, incluindo nomes como Jair Bolsonaro, Bill Gates, Drauzio Varella, João Doria e Luiz Inácio Lula da Silva. A agência ressalta que tal presença não indica o endosso por parte dessas personalidades, mas evidencia o uso de suas reputações por terceiros para conferir falsa credibilidade às mensagens.

Canais de circulação e plataformas

O aplicativo de mensagens WhatsApp lidera o ranking de circulação de conteúdos falsos sobre saúde identificados nas verificações da Lupa, estando presente em mais de 70% das 498 checagens analisadas. O Facebook aparece na sequência, com 25,3% dos registros, enquanto o Instagram responde por 7% dos casos mapeados.

A pesquisa pondera, contudo, que os números não atestam necessariamente que o aplicativo de mensagens seja o criador original das fraudes, refletindo também a metodologia de recebimento de denúncias por meio de canais próprios da agência. Continue acompanhando o Canal 1 de Notícias para manter-se informado com análises aprofundadas, reportagens especiais e cobertura jornalística isenta sobre os principais fatos do Brasil e do mundo.

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