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Conselho do MPF avança com votos pela permanência de Paulo Gonet no caso Master

Conselho do MPF avança com votos pela permanência de Paulo Gonet no caso Master
© Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF) iniciou nesta sexta-feira (25) o julgamento de uma notícia-crime que questiona a atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, nas investigações da Operação Compliance Zero. Até o momento, três conselheiros votaram pelo arquivamento do pedido de afastamento do PGR do caso Master, prevalecendo o entendimento do relator, Francisco de Assis Sanseverino.

Análise da conduta e independência funcional

O relator, subprocurador-geral da República Francisco de Assis Sanseverino, defendeu em seu voto que não existem elementos concretos que comprovem a prática de crime ou prevaricação por parte de Gonet. Segundo Sanseverino, a análise de mensagens e anotações extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro deve ser feita com cautela, evitando interpretações descontextualizadas que criem cenários artificiais.

O magistrado ressaltou que a atuação do gabinete da PGR seguiu os princípios da legalidade e da independência funcional. Sobre a divergência anterior envolvendo a prisão preventiva de Vorcaro, o relator acolheu a justificativa de Gonet, que na época argumentou que o prazo de 72 horas concedido pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), era insuficiente para a análise técnica de milhares de páginas de documentos.

Contexto das suspeitas e o papel de Vorcaro

A representação contra o PGR foi movida pelo Partido Novo, que utilizou como base relatórios da Polícia Federal (PF) derivados de dados do aparelho celular de Daniel Vorcaro. O ex-banqueiro, principal alvo da Operação Compliance Zero, está preso preventivamente desde novembro de 2025 sob acusações de corrupção e fraudes financeiras bilionárias.

As suspeitas levantadas pela legenda giram em torno de menções ao nome de Gonet em anotações de Vorcaro e diálogos com terceiros. Em um dos trechos citados, o investigado mencionava a necessidade de “reforçar” contatos com o PGR e com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, para evitar entraves nas apurações. Contudo, o relator pontuou que não há provas de que tais mensagens tenham sido efetivamente enviadas ou que tenham gerado qualquer influência indevida.

Esclarecimentos sobre encontros sociais

Um dos pontos centrais da controvérsia envolveu a circulação de uma fotografia em que Paulo Gonet aparece em um ambiente social com Vorcaro. O relator descartou a tese de “amizade íntima”, classificando o episódio como um encontro superficial ocorrido durante um fórum jurídico em Londres, em 2024. Sanseverino reforçou que a presença de outras pessoas no local e o caráter público do evento enfraquecem a ideia de um vínculo pessoal capaz de comprometer a imparcialidade do procurador.

Além disso, o subprocurador afastou a relevância de outras menções feitas pelo advogado Ciro Soares, amigo do PGR, sobre supostos favores ou contatos. Gonet já havia esclarecido anteriormente que suas interações foram pautadas pela cordialidade e ocorreram em um momento anterior ao surgimento das denúncias graves contra o ex-banqueiro. O julgamento no Conselho Superior, órgão composto por nove subprocuradores-gerais, segue em análise para definir o encerramento definitivo da questão.

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