Um sonho adiado pela necessidade
Aos 76 anos, a aposentada Deusaline Castro, residente no município de Nazária, no Piauí, protagoniza uma história de superação que ressoa como um exemplo de persistência. O que para muitos é uma etapa básica da vida escolar, para ela representa a realização de um desejo guardado por décadas. Na juventude, a necessidade de auxiliar os pais no trabalho em uma olaria forçou a interrupção precoce de sua trajetória acadêmica, um cenário comum para gerações de brasileiros que priorizaram a sobrevivência em detrimento da educação formal.
Hoje, ao retornar às salas de aula, Deusaline celebra uma conquista que carrega um valor simbólico imenso: a capacidade de escrever o próprio nome. “Estou aprendendo aos poucos e estou conseguindo escrever o meu nome”, relata com entusiasmo. O aprendizado, para além das letras e palavras, representa a conquista de uma autonomia que a acompanhou como um sonho latente durante toda a vida adulta.
A escola como espaço de convivência
Para além da alfabetização técnica, a experiência de retornar aos estudos trouxe à aposentada um novo horizonte de socialização. A escola, em sua rotina atual, funciona como um centro de acolhimento e troca de experiências. A interação constante com o professor e o convívio com os colegas de turma têm sido fundamentais para manter a motivação elevada, transformando o ambiente escolar em um ponto de encontro e valorização pessoal.
O caso de Deusaline não é isolado no estado. Recentemente, o Piauí tem registrado histórias inspiradoras de idosos, como um estudante de 91 anos que também buscou a alfabetização tardia, reforçando a importância de políticas públicas que não limitem o acesso ao conhecimento pela idade.
O impacto do programa Alfabetiza Piauí
A jornada de Deusaline Castro é viabilizada pelo programa Alfabetiza Piauí, uma iniciativa estadual voltada especificamente para jovens, adultos e idosos que, por diversos motivos, não tiveram a oportunidade de se alfabetizar na idade regular. O projeto já atingiu a marca expressiva de 100 mil matrículas, evidenciando uma demanda reprimida por educação básica em diversas regiões do estado.
Para incentivar a permanência dos alunos, o programa oferece uma bolsa de R$ 800, distribuída em quatro parcelas, além de garantir suporte logístico com alimentação e transporte gratuitos. As aulas são estrategicamente ministradas no período noturno, em escolas estaduais e polos municipais, facilitando a conciliação com as responsabilidades domésticas e a rotina dos estudantes.
Perspectivas após a alfabetização
O processo de aprendizagem da escrita é apenas o primeiro passo de um caminho mais amplo. Após a conclusão da etapa de alfabetização, os participantes são incentivados a dar continuidade aos estudos por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Essa estrutura permite que o aluno não apenas aprenda a ler e escrever, mas que possa concluir o ensino fundamental e médio, ampliando suas perspectivas de cidadania e participação social.
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