O advogado Aluísio Veras de Almeida Neto, de 42 anos, encontra-se no centro de uma complexa investigação criminal que abalou a capital acreana, Rio Branco. Detido em flagrante na última segunda-feira (16), ele é acusado de estupro e cárcere privado contra um jovem de 18 anos dentro de um motel. Contudo, a repercussão de sua prisão trouxe à tona uma sombra ainda mais grave: a suspeita de que o mesmo profissional seja o responsável pela morte de David Weverton Matos Araújo, ocorrida há sete meses no mesmo estabelecimento, um caso que até então aguardava desdobramentos na Justiça.
A Prisão Recente e as Novas Acusações de Abuso
A detenção de Aluísio Veras Neto foi precipitada por um chamado de emergência. Um jovem peruano, de apenas 18 anos, conseguiu contatar a Polícia Militar do Acre (PM-AC) e denunciar que estava sendo mantido à força e ameaçado de morte pelo advogado, além de ter sofrido abuso sexual, tudo isso confinado em um dos quartos do motel em Rio Branco. A ação policial resultou na prisão em flagrante de Veras Neto. Durante a audiência de custódia realizada no dia seguinte, terça-feira (17), a Justiça decretou sua prisão preventiva, e o advogado foi encaminhado ao Batalhão de Policiamento Ambiental (BPA), onde permanece à disposição da Justiça.
O Sombrio Histórico: Suspeita de Homicídio Pretérito
Embora a recente prisão tenha chocado a comunidade, ela também reacendeu um caso de homicídio ocorrido em julho do ano passado, envolvendo a morte de David Weverton Matos Araújo. A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), já havia indiciado o advogado Aluísio Veras pela autoria desse crime. Na época da investigação inicial, o inquérito já havia sido remetido ao Poder Judiciário, e Veras Neto aguardava o andamento processual em liberdade, utilizando uma tornozeleira eletrônica. O delegado Leonardo Ribeiro, responsável pelo caso de homicídio, confirmou o indiciamento e expressou a crença de que o Ministério Público Estadual (MP-AC) teria solicitado a prisão do advogado também por este crime. Questionado anteriormente sobre a morte de David Weverton, Aluísio alegou não ter "se recordava do que tinha acontecido", uma resposta que agora ganha um novo e sombrio contexto diante das acusações atuais. Sua situação na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) consta como regular desde 2015.
A Luta por Justiça da Mãe de David Weverton
A nova prisão do advogado impulsionou Lucileila da Silva Matos, de 51 anos, mãe de David Weverton, a quebrar o silêncio e clamar por justiça para o filho. David foi encontrado sem vida no pátio do mesmo motel onde Aluísio Veras foi detido na última segunda-feira. Segundo Lucileila, as informações iniciais da Polícia Militar, baseadas no relato do gerente do estabelecimento, indicavam que David havia chegado ao motel na companhia de outro homem, saiu do quarto durante a madrugada, caminhou pela calçada e caiu já sem vida. A princípio, a causa da morte foi atribuída a uma overdose. Contudo, a perícia do Instituto Médico Legal (IML) revelou achados mais complexos: além da overdose, a vítima apresentava um traumatismo craniano severo, decorrente de um "ferimento profundo na cabeça que quebrou o crânio". Lucileila refuta veementemente a ideia de que o filho teria se ferido intencionalmente, destacando que ele possuía outras cicatrizes antigas nas pernas.
A mãe relata que não tinha conhecimento do envolvimento do filho com o advogado, afirmando que David, um jovem que trabalhava com aplicação de piercing e era "querido por todos", contava a ela quase tudo. A família, à época, enfrentou a falta de informações sobre quem estava com David no motel, e a identidade do suspeito não foi divulgada pela polícia, o que levou Lucileila a cogitar que a pessoa envolvida poderia ser "influente". Ela também recorda que, na delegacia, a sexualidade de David foi questionada por uma policial, ao que ela respondeu que ele não era gay, tinha sido casado e era pai de dois filhos, sugerindo que um eventual encontro com o advogado poderia ter relação com dinheiro. Lucileila lamenta a percepção de que a morte de seu filho, um "jovem preto, pobre e tatuado", não recebeu a devida importância. Atualmente, a mãe segue em busca dos pertences de David, como seu celular e documentos, que ainda não lhe foram entregues e que ela espera conseguir acesso em breve.
Conclusão: Duas Vidas, Um Estabelecimento, Muitas Perguntas
A prisão de Aluísio Veras Neto por estupro e cárcere privado não apenas o coloca novamente sob os holofotes da justiça, mas também traz à tona um caso de homicídio não resolvido no qual ele já era suspeito. A gravidade das acusações, a coincidência do local dos crimes e o clamor da família de David Weverton Matos Araújo sublinham a urgência de uma investigação aprofundada. Este cenário complexo demanda clareza e justiça para as vítimas e para a sociedade, enquanto o sistema judiciário do Acre se prepara para lidar com a intrincada teia de eventos envolvendo o advogado.
Fonte: https://g1.globo.com