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Estudo aponta que quase metade dos policiais federais sofre com desgaste mental

Estudo da UFPR aponta que quase metade dos policiais federais em Curitiba relata sofrimento psíquico, problemas de sono e tensão.

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  • Uma pesquisa recente desenvolvida pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem do Setor de Ciências da Saúde da UFPR (Universidade Federal do Paraná)…
  • O levantamento revelou que mais da metade dos policiais federais ouvidos em Curitiba, no Paraná, relata problemas persistentes relacionados ao sono, tensão…
  • Os índices acendem alertas importantes para a gestão pública e para a sociedade, uma vez que a atividade policial exige controle emocional…
Estudo aponta que quase metade dos policiais federais sofre com desgaste mental
Polícia Federal do Paraná

Uma pesquisa recente desenvolvida pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem do Setor de Ciências da Saúde da UFPR (Universidade Federal do Paraná) jogou luz sobre um tema sensível e muitas vezes invisibilizado nas forças de segurança: a saúde mental dos servidores. O levantamento revelou que mais da metade dos policiais federais ouvidos em Curitiba, no Paraná, relata problemas persistentes relacionados ao sono, tensão e nervosismos cotidianos, evidenciando desafios estruturais e operacionais na corporação.

O estudo buscou investigar a fundo os fatores psicossociais ligados ao trabalho na PF (Polícia Federal), ouvindo voluntariamente 146 profissionais da Superintendência Regional localizada na capital paranaense. Os índices acendem alertas importantes para a gestão pública e para a sociedade, uma vez que a atividade policial exige controle emocional constante, tomada rápida de decisões sob pressão e exposição crônica a cenários de alta periculosidade.

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Impactos na rotina e diferenças de gênero na corporação

Dentre os participantes do levantamento realizado pela UFPR, 47,26% afirmaram dormir mal, enquanto 43,15% relataram tensão e nervosismos constantes ao longo da semana. O dado mais alarmante da investigação acadêmica envolveu menções diretas à ideação suicida, com seis policiais relatando vontade de tirar a própria vida. Os dados foram coletados entre outubro e novembro de 2025, utilizando questionários impressos e estruturados para garantir a privacidade e evitar qualquer receio de rastreamento digital entre os servidores.

A investigação também mapeou discrepâncias significativas entre os impactos sofridos por homens e mulheres na corporação. Segundo os pesquisadores, as servidoras apresentaram índices expressivamente maiores de sofrimento psíquico e desmotivação no ambiente de trabalho. De acordo com a análise institucional, esse cenário desfavorável é o resultado direto do acúmulo de sobrecarga gerada pela dupla jornada e pela persistência de um ambiente historicamente masculinizado dentro das estruturas de segurança pública.

Rotinas operacionais e a percepção do tempo de carreira

A rotina dos policiais federais ouvidos é predominantemente mista, com 68,49% dos servidores realizando atividades tanto internas quanto externas. Outros 30,82% atuavam exclusivamente em escritórios, cumprindo majoritariamente jornadas semanais de 40 horas sem rotinas noturnas fixas, salvo em operações excepcionais. Com alto nível de escolaridade — mais de 95% possuem ensino superior completo ou pós-graduação —, o efetivo pesquisado possui média de 48 anos de idade e pelo menos 18 anos de atuação na corporação.

Um dos aspectos mais reveladores da pesquisa foi a correlação identificada entre o tempo de serviço e a satisfação com o ambiente laboral. Os dados indicam que, quanto maior o tempo de carreira do servidor na instituição, menos positiva tende a ser a sua percepção em relação às condições de trabalho. Contudo, os autores ponderam que o estudo é transversal e aponta associações, mas não estabelece isoladamente uma relação direta de causa e efeito entre o tempo de atuação e o adoecimento psíquico.

Caminhos e propostas para a melhoria do ambiente institucional

Apesar de a Polícia Federal contar com equipes próprias de médicos, psicólogos e assistentes sociais, além do Programa Rosa dos Ventos — iniciativa voltada ao atendimento psiquiátrico e à prevenção do suicídio —, os gargalhos no acolhimento continuam evidentes. Relatos colhidos durante a pesquisa apontam para a presença de episódios de assédio moral e receio de retaliações institucionais, o que reforça a necessidade de modernizar as instâncias de apoio interno e escuta ativa.

Com o objetivo de mitigar esse panorama, as pesquisadoras formularam recomendações práticas direcionadas à gestão da saúde mental dos servidores, que incluem:

  • Fortalecimento e maior divulgação interna do Programa Rosa dos Ventos
  • Ampliação do acesso a atendimentos psicológicos em todas as unidades
  • Criação de canais confidenciais para denúncias de assédio
  • Adição de horários flexíveis para minimizar os impactos da dupla jornada

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