A Câmara Municipal de Nova York aprovou, nesta quinta-feira (22), a proibição definitiva das tradicionais carruagens puxadas por cavalos nas ruas da cidade e no icônico Central Park. A medida, com encerramento das atividades programado para junho de 2028, marca o fim de uma longa atração turística e de um setor comercial histórico na metrópole norte-americana, gerando intensos debates políticos e repercussão internacional.
O projeto de lei obteve ampla maioria entre os parlamentares locais. Dos 51 vereadores que compõem o legislativo municipal, 40 votaram a favor da restrição, enquanto apenas sete se posicionaram de forma contrária e dois optaram pela abstenção. A iniciativa contou com o apoio político do prefeito Zohran Mamdani, que já havia sinalizado publicamente no início do mês que a atividade centenária estava com os dias contados na paisagem urbana da cidade.
Segurança, acidentes e pressão pública
O ímpeto definitivo para a aprovação da lei ganhou força após um trágico acidente ocorrido durante o verão. Na ocasião, o jovem turista indiano Romanch Mahajan, de 18 anos, foi arremessado de uma carruagem e não resistiu aos ferimentos, falecendo no dia 17 de junho. O episódio ocorreu após o animal disparar repentinamente no momento em que o condutor se afastou momentaneamente para registrar uma fotografia da família da vítima.
O caso mobilizou defensores dos direitos dos animais e moradores locais, que há anos questionavam a segurança e o bem-estar dos cavalos submetidos ao trânsito caótico e intenso da metrópole. A discussão sobre a vulnerabilidade tanto dos animais quanto dos pedestres e passageiros tornou-se central nos debates da câmara municipal, acelerando a tramitação do texto restritivo.
Repercussão política e o debate sobre tradição
A decisão não passou sem controvérsias no cenário político nacional dos Estados Unidos. O presidente americano Donald Trump utilizou sua plataforma digital Truth Social para criticar abertamente a medida adotada pela administração municipal de Nova York, questionando os critérios utilizados pelos legisladores locais para banir a atividade turística.
“Quando ocorre um acidente de trânsito na região — e eles são frequentes —, ninguém proíbe a entrada de carros no parque. Então, por que proibir as carruagens? Era uma grande tradição. Mais um pedaço da história que se vai. Fará falta!”, publicou o mandatário, cujo complexo empresarial está localizado a poucos minutos de distância da área verde protegida, colocando em pauta o peso da preservação histórica frente às novas demandas urbanas.
Planos de transição e destino dos animais
Diante do impacto socioeconômico da proibição, a legislação aprovada estabelece diretrizes para mitigar os prejuízos aos trabalhadores diretamente afetados pelo fim do setor. O texto legal determina que a prefeitura elabore, até o mês de abril, um plano estruturado de transição profissional voltado aos operadores e condutores das carruagens.
Além da reorientação profissional, o planejamento governamental deve contemplar mecanismos de compensação financeira pelos negócios encerrados, bem como garantir o direcionamento adequado e seguro dos animais. Pelas diretrizes estabelecidas no projeto, o abate dos cavalos está terminantemente proibido, assegurando salvaguardas para o destino dos animais após o encerramento oficial das atividades turísticas.
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