Pressão inflacionária sobre o orçamento familiar
O custo de vida em Campinas, no interior de São Paulo, sofreu uma nova elevação em setembro, colocando o orçamento das famílias sob maior pressão. Segundo dados recentes do Observatório PUC-Campinas, o valor da cesta básica atingiu a marca de R$ 882,86. O montante representa uma alta de 5,99% em comparação ao mês de agosto, quando o conjunto de itens essenciais custava R$ 832,99.
Este cenário de encarecimento aproxima o indicador do seu recorde histórico, registrado em junho de 2026, quando a cesta alcançou R$ 902,12. Ao analisar o comportamento dos preços em uma janela de 12 meses, a variação é ainda mais evidente: em relação a setembro de 2025, houve um aumento de 14%, o que se traduz em um gasto adicional de R$ 108,49 para o consumidor campineiro.
Fatores climáticos e o impacto nos hortifrútis
O principal motor desta alta recente foi o setor de hortifrutigranjeiros, com destaque absoluto para o tomate. O item registrou um salto expressivo de 57,57% em seu valor de mercado. De acordo com o economista Pedro de Miranda Costa, coordenador do levantamento, a instabilidade climática foi determinante para esse resultado.
O ciclo produtivo foi severamente afetado por um período de frio prolongado, que retardou o amadurecimento dos frutos, seguido por um volume de chuvas acima da média que dificultou a colheita e prejudicou a logística de distribuição. A batata, outro item essencial na mesa do brasileiro, também sofreu reflexos diretos das condições meteorológicas, registrando uma alta de 30,02%.
Composição da cesta e comprometimento da renda
A pesquisa monitora 13 produtos fundamentais, seguindo a metodologia do Dieese, que estabelece o que seria necessário para a subsistência de um trabalhador adulto durante um mês. Além dos itens que puxaram a alta, como o arroz (5,92%), óleo (2,98%), pão francês (2,95%) e carne (1,38%), outros produtos apresentaram alívio aos consumidores, como o feijão (-5,14%) e a banana (-8,18%).
O impacto no bolso é significativo quando confrontado com o salário mínimo vigente de R$ 1.621,00. Atualmente, a cesta básica consome 54,4% do rendimento mensal de um trabalhador. Para uma família composta por dois adultos e duas crianças, o custo para garantir a alimentação básica chega a R$ 2.648,59, evidenciando o desafio que o cenário inflacionário impõe à gestão financeira dos lares.
Metodologia e transparência na apuração
O Observatório PUC-Campinas realiza o monitoramento mensal desde setembro de 2022, coletando preços em 28 estabelecimentos situados no entorno do centro da cidade. Para garantir a isenção dos dados, as coletas ocorrem sempre entre a segunda e a terceira semana de cada mês, evitando distorções causadas por promoções sazonais ou flutuações de curto prazo.
Para acompanhar mais desdobramentos sobre a economia regional e outros temas de relevância para o seu dia a dia, continue acompanhando o Canal 1 de Notícias. Nosso compromisso é levar informação apurada, contextualizada e de qualidade para manter você sempre bem informado sobre os fatos que impactam a sua realidade.
Mais sobre este assunto
Livros de Sally Rooney são retirados do Reino Unido após apoio a grupo pró-palestino
Dia Mundial da Alimentação destaca inovação como pilar contra a crise global
Especialista aponta uso de tecnologia como ferramenta de pressão de Trump sobre Zelensky
Zelensky retoma ofensiva contra refinarias russas e dispara críticas contra plano de Trump


