Os preços do petróleo iniciaram a semana em trajetória de alta, refletindo a instabilidade geopolítica que domina o cenário internacional. Nesta segunda-feira (12), o mercado reage com cautela às declarações de Donald Trump sobre um suposto “cessar-fogo energético” entre Rússia e Ucrânia, enquanto, na prática, os relatos de violações e novos ataques mantêm a volatilidade das cotações em patamares elevados.
Impactos do cenário ucraniano no mercado de energia
O mercado global de energia segue atento aos desdobramentos do conflito no Leste Europeu. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no domingo (11) que as partes teriam concordado com a interrupção de ataques a instalações energéticas. Contudo, a promessa foi rapidamente colocada em xeque pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que denunciou um ataque russo contra uma usina termelétrica em Kharkiv logo na segunda-feira.
A tensão é agravada pela rejeição do Kremlin a uma proposta de cessar-fogo de 60 dias apresentada por Zelensky, com o governo russo sinalizando preferência por um acordo de paz mais amplo. Paralelamente, a estratégia dos Estados Unidos para conter a inflação dos combustíveis inclui um acordo para a compra de diesel russo, com o fornecimento imediato de 300 mil toneladas e a expectativa de envio de mais 3 milhões de toneladas, dependendo da capacidade das refinarias russas.
Escalada de ataques no Oriente Médio
Além da crise na Europa, a segurança no Oriente Médio permanece como um fator crítico de pressão sobre os preços. No sábado (10), um ataque com mísseis realizado pelos rebeldes houthis contra Riade, na Arábia Saudita, resultou em 12 mortes e deixou mais de 300 feridos, conforme dados da Autoridade de Aviação Civil local. Entre as vítimas, foram confirmadas nacionalidades de diversos países, incluindo cidadãos dos Estados Unidos, Jordânia, Palestina, Síria, Sudão, Egito e Bangladesh.
O ministro da Energia da Arábia Saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman, classificou os eventos das últimas semanas como extremamente sérios. Durante a abertura do 25º Congresso Mundial de Energia (WPC), em Riade, o príncipe afirmou que o reino deve oferecer uma resposta “igualmente séria” às agressões, sinalizando que a instabilidade na região produtora de petróleo está longe de uma solução diplomática imediata.
Reflexos nas cotações internacionais
A combinação desses fatores mantém o mercado em estado de alerta. Por volta das 8h40, o barril tipo Brent, referência global, registrava alta de 1,2%, sendo cotado a US$ 106. No mesmo período, o WTI, padrão norte-americano, também avançava 1,2%, atingindo US$ 93 por barril. A persistência desses conflitos, somada à incerteza sobre o cumprimento de acordos, sugere que o preço do barril deve continuar pressionado no curto prazo.
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