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O estado do Amazonas enfrenta uma crise ambiental de grandes proporções, com ao menos 36 municípios em situação de emergência oficializada pelo governo federal. O reconhecimento, formalizado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) no último sábado (10), reflete a gravidade dos incêndios florestais que assolam a região e comprometem a qualidade do ar em diversas localidades, incluindo a área metropolitana de Manaus.
Força-tarefa e mobilização de recursos contra o fogo
Diante do avanço das chamas, uma operação de combate foi montada para conter o avanço do fogo. A estratégia conta com o suporte de aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB), que iniciaram suas operações na segunda-feira (12). Além do apoio aéreo militar, a logística de combate inclui quatro aviões do modelo Air Tractor e dois helicópteros, fundamentais para acessar áreas de difícil alcance.
Em solo, a linha de frente é composta por 290 brigadistas federais. Esses profissionais atuam diretamente no controle dos focos de calor, em um esforço coordenado para proteger tanto as áreas de preservação quanto as comunidades próximas aos locais de maior incidência das queimadas.
Disparada nos focos de incêndio e impacto ambiental
Os números revelam um cenário alarmante: nos primeiros dez dias de outubro, o Amazonas registrou um aumento de 271% nos focos de incêndio em comparação ao mesmo período do ano anterior. De acordo com o Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), foram contabilizadas 1.380 ocorrências, contra 372 registradas em 2025. Até o domingo (11), o monitoramento apontava 1.521 incêndios ativos.
A análise dos dados indica que a maioria das ocorrências, totalizando 1.186, concentra-se em áreas públicas, enquanto 93 foram identificadas em propriedades privadas. O levantamento também aponta que 174 desses focos estão diretamente relacionados ao desmatamento, evidenciando a pressão humana sobre o bioma em um período de vulnerabilidade climática acentuada.
Qualidade do ar e riscos à saúde pública
A fumaça proveniente das queimadas tem gerado um impacto direto na rotina da população. Cidades da região metropolitana de Manaus registraram, no último domingo (11), níveis de poluição classificados como “péssimos”. Segundo o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), o índice de poluição superou a marca de 125 µg/m³, um patamar que exige cuidados redobrados com a saúde.
Para mitigar os danos respiratórios, as autoridades recomendam que a população evite atividades físicas ao ar livre, mantenha portas e janelas fechadas durante os picos de fumaça e utilize máscaras de proteção. Grupos vulneráveis, como crianças, idosos e gestantes, devem redobrar a atenção e buscar atendimento médico imediato em unidades de saúde caso apresentem sintomas de desconforto respiratório.
O combate a essa crise exige não apenas a atuação estatal, mas também a conscientização coletiva. O governo reforça a proibição de práticas como a queima de lixo, o uso de fogo no pasto e a soltura de balões, fatores que potencializam o risco de novos focos. O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional segue monitorando a situação para novos desdobramentos.
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