A ciência brasileira ganha um novo patamar de representatividade no cenário global. A cientista Denise Pires de Carvalho, atual presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), foi nomeada para o cargo de Vice-Diretora-Geral de Ciências da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Trata-se de um marco histórico, sendo a primeira vez que uma brasileira ocupa esta posição desde a fundação da ONU, em 1945.
Trajetória e reconhecimento internacional
A indicação de Denise Pires de Carvalho pela Unesco não ocorreu por acaso. A organização internacional ressaltou a vasta experiência da pesquisadora em gestão de programas científicos e sua capacidade de liderança em cooperação internacional. O trabalho da cientista é reconhecido por integrar dimensões sociais fundamentais, como o acesso equitativo ao conhecimento, a promoção da igualdade de gênero e a implementação de políticas de governança institucional inclusivas.
Com uma carreira sólida, a nova vice-diretora é médica, com mestrado e doutorado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), instituição onde atua como professora titular no departamento de Biofísica. Em 2019, ela quebrou barreiras ao se tornar a primeira mulher a ocupar o cargo de reitora da UFRJ. Sua experiência inclui ainda a passagem pela Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (MEC) entre 2023 e 2024, além de presidir o Conselho Científico do Institut de Recherche pour le Développement (IRD), na França.
Ciência como pilar do desenvolvimento nacional
Ao assumir o novo posto, Denise Pires de Carvalho reforça seu compromisso com o multilateralismo. Ela defende que a ciência deve ser voltada para as necessidades das pessoas, com foco especial no desenvolvimento de nações em vulnerabilidade social. Para a cientista, o progresso de um país está intrinsecamente ligado ao investimento em pesquisa acadêmica.
“Quem nega a ciência, nega o desenvolvimento da nação. Não há país independente sem universidades. Não há país independente sem ciência”, afirmou a pesquisadora. Ela destaca que o Brasil tem trilhado um caminho de fortalecimento da cooperação Sul-Sul, ampliando a internacionalização da pós-graduação e estreitando laços acadêmicos com países da América Latina, do Caribe e do continente africano.
Impactos da cooperação científica global
A chegada de uma brasileira à vice-diretoria da Unesco sinaliza um alinhamento estratégico com as políticas de fomento à pesquisa que o Brasil tem buscado consolidar nos últimos anos. A atuação de Denise Pires de Carvalho à frente da Capes serviu como um laboratório para a visão que ela pretende levar à esfera global: a de que a soberania nacional passa, obrigatoriamente, pela autonomia científica.
A nomeação é vista por especialistas como um reconhecimento da qualidade da produção intelectual brasileira e da resiliência das instituições de ensino superior do país. A expectativa é que, sob sua gestão, a Unesco intensifique programas que combatam a desigualdade no acesso ao conhecimento científico, promovendo um intercâmbio mais justo entre o Norte e o Sul globais.
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