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Caso Atakarejo: investigação aponta elo entre seguranças e tráfico após morte de tio e sobrinho

Caso Atakarejo: investigação aponta elo entre seguranças e tráfico após morte de tio e sobrinho
Reprodução / g1.globo.com

O caso que chocou a Bahia e gerou ampla repercussão nacional sobre a segurança privada e seus limites legais segue sob rigorosa apuração das autoridades. A morte de Bruno Barros e Yan Barros da Silva, tio e sobrinho, após serem flagrados furtando carne em uma unidade da rede de supermercados Atakarejo, em Salvador, revelou um esquema de violência que ultrapassa a esfera administrativa das empresas. As investigações da Polícia Civil apontam que os seguranças do estabelecimento, em vez de acionarem as forças de segurança pública, entregaram os suspeitos a integrantes do tráfico de drogas da região do Nordeste de Amaralina.

A dinâmica do crime e a atuação da segurança privada

De acordo com a delegada Andréa Ribeiro, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), as vítimas foram mantidas em uma sala de segurança dentro do supermercado após o flagrante do furto. Em um desdobramento que chocou a opinião pública, os seguranças teriam exigido o pagamento de R$ 700 para a liberação dos dois homens. Diante da impossibilidade de pagamento, os funcionários acionaram traficantes locais. Bruno e Yan foram levados para o Nordeste de Amaralina, onde sofreram tortura e foram executados. Os corpos foram posteriormente encontrados na localidade da Polêmica, dentro do porta-malas de um veículo.

A Polícia Civil confirmou que, em nenhum momento, a Polícia Militar ou a Polícia Civil foi chamada para intervir no caso de furto. A empresa limitou-se a registrar uma ocorrência administrativa interna. “Eles não têm poder de polícia para punir ninguém, muito menos mandar matar. Eles tinham a obrigação de acionar a polícia”, afirmou o então secretário de Segurança Pública da Bahia, Ricardo César Mandarino, durante coletiva de imprensa sobre a operação que resultou na prisão dos envolvidos.

Responsabilidade corporativa e histórico de violência

O inquérito revelou que a conduta dos seguranças não foi um evento isolado. A Secretaria de Segurança Pública identificou um padrão de ação na unidade, citando um caso ocorrido em outubro do ano anterior, envolvendo uma adolescente de 15 anos que também sofreu violência física após cometer um furto no mesmo supermercado. Naquela ocasião, a vítima não denunciou o crime por medo, o que permitiu a continuidade das práticas abusivas dentro do estabelecimento.

Para especialistas em Direito, a rede Atakarejo enfrenta um cenário de grave responsabilização civil. O ex-secretário Ricardo César destacou que, mesmo que o crime tenha sido executado por terceirizados, a empresa possui o dever de vigilância e treinamento sobre seus prestadores de serviço. Em nota oficial, a rede de supermercados afirmou que não comenta decisões judiciais, reiterou a solidariedade às famílias das vítimas e declarou que não tolera qualquer tipo de violência, mantendo-se à disposição para colaborar com as autoridades.

Desdobramentos e busca por justiça

A operação policial, que culminou na prisão de três seguranças e outros quatro suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas, representa apenas uma fase das investigações. A Polícia Civil segue em busca de identificar outros indivíduos que possam ter participado da ação delituosa. O caso trouxe à tona um debate necessário sobre a atuação de empresas de segurança privada e a necessidade de maior fiscalização estatal sobre esses serviços, visando evitar que conflitos patrimoniais sejam resolvidos por meio da violência extrema.

O Canal 1 de Notícias continua acompanhando os desdobramentos judiciais e as investigações sobre este caso, mantendo o compromisso de levar aos nossos leitores informações apuradas, transparentes e relevantes sobre a segurança pública e os direitos fundamentais em todo o país. Acompanhe nossas atualizações diárias para se manter informado sobre os fatos que impactam a sociedade.

Para mais detalhes sobre as investigações em curso, consulte o portal oficial da Polícia Civil da Bahia.

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