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Padre Acusado de Abusos Sexuais em SP: Polícia Pede Prisão e Defesa Aponta Omissão da Igreja

G1

A cidade de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, é palco de um caso delicado envolvendo o padre Mário Reis da Silveira, investigado por crimes sexuais contra coroinhas. A Polícia Civil solicitou à Justiça a prisão preventiva do religioso após concluir o inquérito que apurou as denúncias. Paralelamente aos desdobramentos legais, a defesa das vítimas vocaliza uma forte crítica à Igreja Católica, apontando uma suposta omissão no acolhimento e proteção dos denunciantes ao longo dos anos, uma acusação que a Arquidiocese nega.

Inquérito Concluído e Pedido de Prisão Preventiva

A investigação policial, que corre sob segredo de Justiça, culminou com o pedido de prisão preventiva do padre Mário Reis da Silveira, formalizado na última quinta-feira (13). Afastado de suas atividades na igreja de Bonfim Paulista desde março, o religioso é agora alvo de uma solicitação que o impediria de responder em liberdade. O inquérito policial concluiu que o padre cometeu crimes de estupro de vulnerável e importunação sexual contra os coroinhas. A partir de agora, a decisão sobre a denúncia formal recai sobre o Ministério Público, que analisará as provas e emitirá seu parecer, sem prazo estabelecido para tal manifestação.

Acusações de Omissão Institucional e Resposta da Igreja

Em meio ao processo judicial, a defesa das vítimas, representada pelo advogado Felipe Silveira, levanta sérias questões sobre a conduta da Igreja Católica. Silveira repudiou veementemente a "total omissão" da instituição em dar amparo aos denunciantes, que, segundo ele, procuraram a igreja diversas vezes para relatar os abusos, mas tiveram seus pedidos negligenciados. "Em vez de acolhimento e proteção, o que se viu foi negligência acobertando a dor de quem já estava em situação de extrema vulnerabilidade", declarou o advogado.

Em contrapartida, a Arquidiocese Metropolitana de Ribeirão Preto já havia se manifestado, negando as acusações de omissão. Em nota, a instituição afirmou ter adotado as providências cabíveis desde o conhecimento das denúncias, instaurando procedimentos canônicos e cooperando com as autoridades. A Arquidiocese reiterou sua política de "tolerância zero" contra qualquer forma de abuso sexual, especialmente contra crianças, adolescentes e pessoas vulneráveis. Questionado pela reportagem, o Vaticano, por sua vez, orientou a tratar da questão diretamente com a diocese local, reforçando a descentralização de tais investigações.

As Provas da Investigação e Relatos das Vítimas

A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), responsável pela apuração, revelou que a perícia forense dos celulares do padre Mário Reis da Silveira forneceu elementos cruciais para a conclusão do inquérito. Fontes ligadas à investigação indicaram que materiais como trocas de mensagens e imagens de cunho íntimo, envolvendo menores de idade, foram extraídos e corroboraram os relatos das vítimas. Ao longo da apuração, pelo menos seis pessoas foram ouvidas pela polícia. Seus depoimentos detalharam episódios de toques em partes íntimas, beijos e tentativas de beijo, com ocorrências que remontam a cerca de 20 anos atrás e outras mais recentes. As vítimas também relataram que os abusos frequentemente ocorriam quando o religioso as convidava para conversas particulares após as missas. O padre, interrogado de forma remota, negou todas as acusações apresentadas contra ele.

Contrapontos das Defesas e Expectativas Legais

A defesa do padre Mário Reis, conduzida pelo advogado Pedro Brichi Seixas dos Reis, manifestou-se criticamente em relação à conclusão da investigação policial. Em nota, a defesa argumentou que o relatório final do inquérito "não constitui acusação formal, tampouco juízo de culpa", caracterizando-o como uma peça de natureza opinativa, produzida unilateralmente e sem o devido contraditório ou ampla defesa. A defesa do religioso reafirmou sua confiança nas instituições e no Poder Judiciário, prometendo que todos os pontos serão devidamente esclarecidos nos autos do processo, e que não se manifestará sobre detalhes da investigação em respeito ao segredo de justiça.

Do outro lado, a defesa das vítimas aguarda ansiosamente a decisão do Ministério Público sobre o oferecimento da denúncia. Seu foco, conforme declarado, é garantir a efetivação da justiça criminal, a responsabilização institucional da Igreja, caso comprovada a omissão, e a reparação que as vítimas merecem. O caso, marcado por complexas implicações legais e morais, continua em aberto enquanto as instituições aguardam a próxima etapa processual.

Próximos Passos e a Busca por Justiça

Com a remessa dos autos ao Ministério Público, o processo entra em uma fase crucial. Caberá ao órgão decidir se há elementos suficientes para formalizar a acusação contra o padre Mário Reis da Silveira, transformando o inquérito policial em uma ação penal. A complexidade do caso, envolvendo denúncias antigas e recentes, evidências periciais e o debate sobre a responsabilidade institucional, coloca em destaque a urgência da justiça para as vítimas e a necessidade de clareza sobre a conduta das instituições. A sociedade acompanha os desdobramentos, esperando por respostas e pela garantia de que a accountability prevaleça neste delicado cenário.

Fonte: https://g1.globo.com

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