Uma extensa operação policial, denominada "Falsa Ordem", culminou na desarticulação de uma sofisticada quadrilha criminosa que movimentou mais de R$ 4,2 milhões através de golpes do “falso advogado” e furtos de cartões. A ação, liderada pela Polícia Civil da Bahia, resultou na prisão de quatro indivíduos no estado de São Paulo, um deles em Jaguariúna, apontado como o hacker responsável por municiar o esquema com dados judiciais cruciais.
A Prisão Estratégica em Jaguariúna
O principal alvo das investigações em Jaguariúna (SP), um homem de 22 anos, foi detido em circunstâncias notáveis: em um hospital da cidade, no momento do nascimento de seu filho. A Polícia Civil o identifica como o elo tecnológico da organização, encarregado de invadir sistemas e captar informações privilegiadas de processos judiciais. Esses dados eram posteriormente utilizados para conferir veracidade e credibilidade aos golpes aplicados, tornando as vítimas mais vulneráveis à manipulação.
Além da prisão, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão na cidade de Jaguariúna, e um em Pedreira (SP), resultando na coleta de diversos materiais que auxiliarão na continuidade das investigações. Entre os itens apreendidos estavam computadores, celulares, chips de cartão de crédito e até uma pequena quantidade de entorpecentes. O indivíduo detido em Jaguariúna foi encaminhado à Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi Guaçu para os procedimentos cabíveis.
Os Esquemas de Fraude Detalhados
A quadrilha operava com dois principais métodos de fraude, ambos engenhosos e visando extrair dinheiro de suas vítimas. O primeiro, conhecido como “golpe do falso advogado”, explorava a vulnerabilidade de pessoas com processos judiciais em andamento. Os criminosos, munidos das informações reais obtidas pelo hacker, entravam em contato com as vítimas, passando-se por advogados ou representantes de escritórios renomados. Utilizando linguagem técnica e dados específicos, convenciam-nas a realizar transferências bancárias sob a justificativa de liberar valores judiciais, quitar custas processuais ou desbloquear alvarás, forjando uma urgência e legalidade para a transação ilícita.
Paralelamente, o grupo também é investigado por furtos de cartões bancários em grandes eventos na Bahia. Neste modus operandi, os criminosos se disfarçavam de vendedores ambulantes e, durante o momento do pagamento das compras, trocavam os cartões das vítimas, utilizando-os posteriormente para saques e compras indevidas. Esta dupla frente de atuação demonstra a complexidade e a diversidade das atividades ilícitas da organização.
Operação Falsa Ordem: Uma Resposta Interestadual
A Operação Falsa Ordem representa o ponto culminante de aproximadamente um ano de investigações meticulosas conduzidas pela Polícia Civil da Bahia. A apuração revelou a natureza interestadual da quadrilha, com ramificações em diversos estados brasileiros, incluindo Rio de Janeiro, Pernambuco, Paraná e Rio Grande do Norte, evidenciando a necessidade de uma ação coordenada entre as forças de segurança.
No total, a operação cumpriu 32 mandados de busca e apreensão e os quatro mandados de prisão nos estados de São Paulo e Rio Grande do Norte. Em São Paulo, as ações se concentraram em cidades como São Paulo capital, Jaguariúna, Pedreira, Cubatão, São Vicente, Praia Grande, Diadema, Guarulhos e São José do Rio Preto, demonstrando a capilaridade da rede criminosa. O êxito da operação é um passo significativo no combate a fraudes financeiras e crimes cibernéticos no país.
Próximos Passos da Investigação
Com os líderes e principais articuladores do esquema sob custódia, as investigações prosseguem em ritmo acelerado. A análise detalhada dos materiais eletrônicos e documentos apreendidos é crucial para aprofundar o conhecimento sobre a estrutura da quadrilha, identificar novos integrantes e mapear todo o fluxo financeiro da organização. O rastreamento de ativos e a colaboração entre as diferentes unidades da federação serão fundamentais para desmantelar completamente a rede criminosa e garantir que todos os envolvidos respondam por seus atos.
Fonte: https://g1.globo.com
