O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, anunciou recentemente uma significativa reformulação em suas políticas ambientais, marcando um distanciamento das diretrizes anteriores. As novas medidas abrangem desde a flexibilização de regulamentações para o setor de energia tradicional até a concessão de prazos adicionais para que sistemas de água se adaptem aos limites de contaminantes químicos perigosos, conhecidos como PFAS. Esta série de ações é justificada pela Casa Branca como um esforço para eliminar "burocracia desnecessária", corrigir supostas falhas da gestão anterior, reduzir custos para os consumidores, dinamizar a economia e fortalecer a segurança nacional.
Nova Abordagem para Poluentes Permanentes (PFAS)
No âmbito da saúde pública e segurança hídrica, a Agência de Proteção Ambiental (EPA), em conjunto com o Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), revelou uma estratégia revisada para gerenciar as substâncias per e polifluoroalquilas (PFAS), comumente referidas como 'poluentes eternos' devido à sua persistência e associações com impactos adversos à saúde. Embora os padrões federais para os tipos mais estudados (PFOA e PFOS) sejam mantidos, a mudança mais notável é a introdução de uma prerrogativa para que sistemas de abastecimento de água qualificados solicitem uma extensão de até dois anos no prazo de conformidade, movendo o limite de 2029 para 2031. Esta prorrogação não será automática, mas condicionada ao cumprimento de critérios rigorosos, visando proporcionar tempo para diagnóstico de contaminação, testes de novas tecnologias de controle, captação de financiamento e permitir que os custos das soluções de remoção diminuam com o avanço tecnológico, evitando impactos financeiros abruptos nas contas dos consumidores.
Complementarmente, o governo destinou cerca de US$ 1 bilhão em subsídios para auxiliar comunidades, especialmente as pequenas ou desfavorecidas, na identificação e remoção desses contaminantes de suas fontes de água potável. Paralelamente, a EPA iniciará uma consulta pública para reavaliar normas de compostos químicos adicionais (incluindo PFHxS, PFNA, GenX e o índice de risco do PFBS), alegando que a administração anterior não seguiu os requisitos legais da Lei da Água Potável Segura (SDWA) ao consolidar etapas processuais sem a devida oportunidade para comentários públicos.
Estímulo aos Combustíveis Fósseis e Desmonte de Regulações Verdes
Em uma frente paralela e igualmente impactante, a administração federal divulgou um balanço de ações focadas em desmantelar regulamentações de transição ecológica, com o objetivo explícito de impulsionar a produção de combustíveis fósseis e a exploração mineral. As medidas visam acelerar projetos e reduzir o que o governo considera entraves burocráticos à indústria energética.
Entre as iniciativas implementadas está o licenciamento expresso, que estabelece um prazo máximo de 28 dias para a aprovação de avaliações ambientais de projetos de infraestrutura energética e minerais críticos, um processo que historicamente consumia anos. Adicionalmente, diversas agências federais removeram o conceito de 'custo social do carbono' de seus processos decisórios, assegurando que considerações climáticas não resultem em aumento de custos para o público.
O Retorno do Carvão e a Redução de Obstáculos
O carvão, um dos pilares da matriz energética tradicional, recebe um novo impulso com a revogação de exigências de relatórios de impacto ambiental para o programa federal de arrendamento. Esta medida encerra oficialmente uma moratória de exploração que abrangia mais de 3 milhões de acres em múltiplos estados. Além disso, a Proclamação 10914 foi assinada para conceder alívio regulatório a 48 empresas, operando 68 unidades geradoras de energia a carvão, permitindo-lhes adiar a conformidade com regras restritivas da administração anterior. O Departamento de Energia (DOE) também eliminou políticas que eram consideradas "discriminatórias" e que impediam o financiamento de projetos relacionados ao carvão.
Revisão das Exigências para Veículos e Abertura de Áreas Naturais
No setor automotivo, o Congresso derrubou as isenções que permitiam à Califórnia impor metas estritas para veículos elétricos. Complementando essa ação, o Departamento de Transportes propôs uma redução nas exigências de eficiência de combustível para níveis que motores tradicionais de combustão interna possam atingir de forma mais realista. A EPA, por sua vez, removeu os padrões federais de gases de efeito estufa para veículos leves, médios e pesados, que serviam de base para o mandato de veículos elétricos da gestão anterior, visando diminuir custos para os fabricantes e promover a acessibilidade. Em uma frente mais ampla, o Departamento de Agricultura iniciou o processo de revogação de uma regra de 2001 que restringia o acesso a florestas e áreas costeiras, sinalizando uma potencial abertura para maior exploração.
Em suma, as recentes mudanças nas políticas ambientais dos Estados Unidos representam uma virada substancial na abordagem regulatória do país. Ao estender prazos para a conformidade com limites de PFAS e, ao mesmo tempo, desmantelar regulamentações voltadas para a transição energética e a proteção ambiental em favor de combustíveis fósseis e mineração, a administração Trump sinaliza uma prioridade clara na desburocratização e no estímulo econômico, alinhada à sua visão de segurança nacional. Essas decisões terão implicações de longo alcance tanto para a qualidade da água quanto para a paisagem energética e ambiental do país.
Fonte: https://g1.globo.com
