As autoridades espanholas deram início, no domingo (10), à complexa operação de retirada de passageiros do navio de cruzeiro MV Hondius, que se encontra ancorado nas proximidades de Tenerife, nas Ilhas Canárias. A bordo, 147 passageiros estão sendo repatriados após a detecção de um surto de hantavírus, em um esforço coordenado que envolve diversas nações e protocolos de saúde rigorosos para conter a disseminação do vírus.
Início da Repatriação e Protocolo Espanhol
A ação teve início com a entrada de equipes de saúde no cruzeiro para uma inspeção final antes do desembarque. Os primeiros a deixar a embarcação foram os cidadãos espanhóis, que foram transportados em pequenos grupos de cinco pessoas para a costa. Dali, seguiram em ônibus diretamente para o aeroporto local, onde embarcaram em um voo militar com destino a Madri. As autoridades enfatizaram que este procedimento garante que os passageiros não tenham contato com o público geral, assegurando a máxima precaução sanitária.
Contexto da Crise e Medidas de Contenção
O navio MV Hondius havia zarpado de Cabo Verde na quarta-feira anterior (6), e a operação de evacuação foi solicitada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela União Europeia (UE) à Espanha, para coordenar a resposta ao surto. A Agência de Saúde Pública Europeia classificou todos os passageiros como contatos de alto risco, uma medida preventiva, embora tenha assegurado que o risco para a população em geral permanece baixo. Essa avaliação científica rápida sublinhou a importância das ações coordenadas para evitar qualquer propagação potencial.
Logística Internacional da Evacuação
A repatriação dos passageiros é um esforço multinacional sem precedentes, com vários países enviando aeronaves para buscar seus cidadãos. A ministra da Saúde da Espanha, Mónica Garcia, confirmou que os Países Baixos, por exemplo, enviariam dois aviões, sendo um deles um 'avião de resgate' para qualquer passageiro remanescente. Os próximos a desembarcar, após os espanhóis, foram os passageiros neerlandeses, alemães, belgas e gregos, que compartilharam um mesmo voo. Subsequentemente, seguirão os cidadãos da Turquia, França, Reino Unido e Estados Unidos.
A fase final da operação envolve o voo mais complexo, vindo da Austrália, que buscará seis indivíduos de nacionalidade australiana, neozelandesa e de outros países asiáticos, com chegada prevista para a tarde seguinte. As autoridades espanholas garantiram que nenhum passageiro deixaria o navio antes da chegada de seu respectivo avião de evacuação, mantendo o controle total da operação.
Condições a Bordo e Futuro do Navio
Antes de ancorar em Tenerife, o MV Hondius passou por todas as inspeções sanitárias necessárias, conforme relatório do Ministério da Saúde da Espanha. Especialistas que embarcaram confirmaram que as condições de higiene e ambientais a bordo eram adequadas, e não foram detectados roedores, o que diminui a probabilidade de transmissão do hantavírus por exposição direta a esses animais na embarcação. Após o desembarque de todos os passageiros, trinta membros da tripulação permanecerão no navio, que seguirá para os Países Baixos, onde será submetido a um processo completo de desinfecção.
Conclusão da Operação e Perspectivas
A operação de desembarque e repatriação do MV Hondius representa um modelo de cooperação internacional em uma crise de saúde pública. A coordenação exemplar entre a Espanha e as nações envolvidas, aliada à aplicação de rigorosos protocolos sanitários, tem sido fundamental para garantir a segurança dos passageiros e da população em geral, mitigando os riscos associados ao surto de hantavírus. Com a conclusão gradual das evacuações, a atenção se volta para o monitoramento da saúde dos repatriados e a desinfecção do navio, encerrando este capítulo de emergência sanitária com um esforço logístico bem-sucedido.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br