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Mali Enfrenta Onda de Ataques Coordenados na Capital e Interior do País

G1

O Mali foi palco de uma série de ataques coordenados na manhã deste sábado (25), atingindo a capital, Bamako, e diversas regiões do interior. A ofensiva, que o Exército malinês descreveu como envolvendo múltiplos grupos militantes, sinaliza um recrudescimento da instabilidade em um país já profundamente afetado por insurgências e conturbado por recentes golpes militares. Os incidentes, que ocorreram quase simultaneamente, geraram alertas e reforços de segurança em pontos estratégicos.

Ataques Simultâneos em Várias Frentes

A ação começou antes das 6h da manhã, hora local, com relatos de duas fortes explosões e intensos tiroteios nas proximidades da principal base militar do Mali, localizada em Kati, nos arredores de Bamako. Testemunhas descreveram a rápida mobilização de soldados para bloquear estradas e conter a situação na área. Simultaneamente, distúrbios semelhantes eclodiram em outras partes do país, como Sevaré, na região central, e as cidades de Kidal e Gao, no norte, onde um morador relatou "tiros por toda parte", evidenciando a escala e a coordenação da investida.

Atores e Reivindicações em um Cenário Complexo

O Mali tem sido um campo de batalha para diversos grupos, incluindo afiliados da Al-Qaeda e do Estado Islâmico na África Ocidental, além de lidar com a longa história de rebeliões tuaregues no norte. No rescaldo dos ataques de sábado, o Exército malinês emitiu um comunicado alertando sobre ações de "grupos terroristas não identificados" contra várias posições na capital e em outras regiões, pedindo calma à população enquanto os combates prosseguiam. Mohamed Elmaouloud Ramadane, porta-voz da Frente de Libertação de Azawad (FLA), uma aliança rebelde dominada por tuaregues, usou as redes sociais para reivindicar o controle de posições em Kidal e Gao, embora essa informação não tenha sido verificada independentemente pela Reuters. Além disso, quatro fontes de segurança sugeriram o envolvimento do Jama'at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM), afiliado regional da Al-Qaeda, que frequentemente ataca instalações militares no Mali. No entanto, nem o JNIM nem o Estado Islâmico no Sahel (ISSP) fizeram reivindicações imediatas de autoria pelos eventos deste sábado.

Implicações Políticas e a Presença Estrangeira

Os recentes ataques sublinham os desafios de segurança enfrentados pelos líderes militares do Mali, que ascenderam ao poder por meio de golpes em 2020 e 2021 com a promessa de restaurar a estabilidade. Apesar dessas promessas, militantes continuam a realizar ofensivas frequentes contra forças armadas e civis. A complexidade da situação é agravada pela geopolítica regional, incluindo a presença de mercenários russos, que apoiam o governo liderado por Assimi Goita. Tiros foram ouvidos perto de um acampamento militar próximo ao aeroporto de Bamako, onde esses mercenários estão alojados, segundo um morador anônimo. Enquanto o governo malinês inicialmente evitava a cooperação militar com países ocidentais, tem buscado recentemente uma aproximação com os Estados Unidos. Em março, foi reportado que Mali e EUA estavam próximos de um acordo que permitiria a Washington retomar voos de vigilância sobre o espaço aéreo malinês para coletar informações sobre grupos jihadistas.

A onda de ataques coordenados em todo o Mali reforça a percepção de uma segurança frágil e um cenário político e militar intrincado. Com múltiplas facções ativas e a presença de atores internacionais, o caminho para a estabilidade no país africano permanece incerto e desafiador para o governo de transição.

Fonte: https://g1.globo.com

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