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8 de Março em SP: Milhares de Mulheres Marcham por Fim da Violência e Jornada Digna

© Elaine Patrícia Cruz/ABr

Apesar da forte chuva que caiu em São Paulo no último domingo, 8 de março, milhares de mulheres ocuparam a Avenida Paulista em um potente ato que marcou o Dia Internacional da Mulher. A mobilização na capital paulista, que incluiu uma caminhada até a Praça Roosevelt, ecoou o clamor por direitos e justiça, repetindo-se simultaneamente em diversas cidades brasileiras. Com sombrinhas abertas e faixas em punho, as manifestantes entoavam cânticos de luta, transformando a adversidade climática em um símbolo da resiliência feminina diante dos desafios.

Vozes Unificadas Contra a Violência de Gênero

No epicentro dos protestos estava a exigência pelo fim da violência contra as mulheres, especialmente o feminicídio. As ativistas pediram medidas concretas e orçamento público para o combate efetivo, alertando que meros pactos e notas de apoio são insuficientes sem ações robustas dos poderes Executivo, Judiciário e Legislativo. Essa demanda por políticas públicas eficazes reflete a insatisfação com a percepção de falta de avanço nas estruturas de proteção.

Simbolismo e Legislação Proposta

Durante a manifestação, a Avenida Paulista se tornou palco para instalações artísticas impactantes. Uma delas exibiu diversos sapatos femininos, cada par representando uma vítima de feminicídio no país. Outra intervenção, posicionada em frente ao Fórum Pedro Lessa, utilizou bonecas para denunciar o sofrimento infantil decorrente da misoginia, incluindo referências a casos controversos no judiciário. Alice Ferreira, coordenadora do Levante Mulheres Vivas, enfatizou a importância de combater o discurso de ódio online e a necessidade urgente da aprovação de um projeto de lei que tipifique a misoginia como crime, visando reverter a lógica de impulsionamento de discursos misóginos em plataformas digitais, enquanto vozes feministas são boicotadas. Essa criminalização é vista como um passo fundamental para iniciar a reversão de uma cultura permissiva à hostilidade contra as mulheres.

A gravidade da situação é sublinhada por dados alarmantes. No estado de São Paulo, por exemplo, o registro de 270 mulheres mortas em um ano recente marcou um aumento expressivo de 96,4% na comparação com 2021, configurando um número recorde de feminicídios desde o início da série histórica em 2018.

A Luta pela Jornada Justa e Autonomia Feminina

Além do fim da violência, as manifestantes também levantaram outras pautas cruciais, como a defesa da soberania e autodeterminação dos povos, o combate à violência política e ao extremismo que busca controlar corpos e vozes femininas. Um dos grandes destaques foi o pedido pelo fim da escala de trabalho 6×1. Luana Bife, da direção da Central Única dos Trabalhadores (CUT) de São Paulo, explicou que essa demanda é vital para as mulheres, muitas das quais são as principais responsáveis pelo cuidado e sustento de suas famílias, enfrentando uma “escala 7×0” devido à dupla jornada.

Para as trabalhadoras, o fim da escala 6×1 e a redução da jornada representam não apenas um período de descanso físico e autocuidado, mas também a chance de ter maior autonomia para decidir como desejam conduzir suas vidas. Esta mudança é vista como um passo essencial para mitigar a sobrecarga feminina e promover uma distribuição mais equitativa do tempo e das responsabilidades.

Políticas Públicas: Um Clamor Permanente

A ativista Luana Bife ressaltou que problemas estruturais como a violência contra as mulheres e a falta de garantia de direitos exigem respostas igualmente estruturais. Ela defendeu que a pauta de defesa da vida das mulheres deve ser permanente e fundamentada em políticas públicas robustas. Essas políticas, segundo ela, precisam transcender os governos e as mudanças políticas, garantindo um combate contínuo e eficaz às violências que afetam mulheres e meninas em todas as esferas.

Mobilização Abrangente e Resiliência

O ato, intitulado “Em Defesa da Vida das Mulheres”, demonstrou a força da união e da diversidade dos movimentos sociais e sindicais. Entre as organizações que participaram ativamente estavam a União Nacional por Moradia Popular, o Movimento de Mulheres Camponesas, a União Nacional dos Estudantes (UNE), a Marcha Mundial das Mulheres, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). A presença massiva, mesmo sob chuva, reforçou a determinação das mulheres em lutar por um futuro de mais igualdade, segurança e autonomia.

A jornada da Avenida Paulista à Praça Roosevelt não foi apenas um trajeto físico, mas uma demonstração simbólica da persistência feminina em busca de mudanças sistêmicas. O 8 de Março em São Paulo se consolidou como um dia de reafirmação de demandas essenciais, mostrando que a luta por uma sociedade mais justa e igualitária para as mulheres está mais viva e organizada do que nunca.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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