A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) anunciou a prisão de dois homens suspeitos de envolvimento em um audacioso roubo de aproximadamente R$ 1 milhão ocorrido em uma luxuosa residência no Lago Sul, área nobre de Brasília. O crime, perpetrado em 8 de agosto de 2024, chocou a comunidade pela astúcia dos criminosos, que se infiltraram no imóvel disfarçados de prestadores de serviço.
As investigações, conduzidas pela Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) da Coordenação de Crimes Patrimoniais (Corpatri), apontam para um esquema complexo que envolveu a utilização de informações privilegiadas e um histórico de golpes.
Infiltração e o Planejamento Detalhado
Segundo a PCDF, a quadrilha era composta por quatro indivíduos, e a chave para a invasão foi a atuação prévia de um dos suspeitos. Ele, proprietário de uma empresa de vidraçaria, havia prestado serviços na residência dias antes do roubo. Essa oportunidade foi crucial para observar a rotina da família, identificar pontos vulneráveis e localizar bens de alto valor, repassando todas as informações ao grupo criminoso.
No dia do crime, os criminosos chegaram à porta da casa em um veículo, com conhecimento profundo da dinâmica local. O delegado Alexandre Araújo detalhou que eles chamaram o caseiro pelo nome, demonstrando familiaridade. Ao se aproximar do portão, o funcionário foi rendido sob a mira de uma arma, oficializando o início do assalto.
O Cativeiro e o Saque Milionário
Uma vez dentro da propriedade, os criminosos agiram com brutalidade e eficiência. As vítimas – mãe, filho, o caseiro e a faxineira – foram rapidamente imobilizadas com lacres plásticos e trancadas em um banheiro nos fundos da casa. Essa tática garantiu a liberdade de ação para que o grupo pudesse revirar o imóvel minuciosamente em busca de itens de valor.
O inventário do roubo revela a dimensão do prejuízo. Foram levados nove relógios de luxo de marcas renomadas como Rolex e Breitling, além de uma significativa quantia em dinheiro, que incluía dólares, pesos argentinos e reais, totalizando a estimativa de R$ 1 milhão em bens subtraídos.
A Perseguição Policial e o Passado Criminoso
Para a fuga, os assaltantes utilizaram um carro com placa clonada, uma tentativa de despistar a polícia. Contudo, a astúcia dos investigadores da PCDF permitiu que a placa original fosse rastreada, levando ao proprietário do veículo. Este, ao ser interrogado, confirmou ter emprestado o automóvel a um dos suspeitos no dia do roubo, fornecendo um elo crucial para a identificação dos envolvidos.
Aprofundando as investigações, a PCDF descobriu que o grupo possui um extenso histórico criminal, com mais de 20 ocorrências policiais por estelionato. Era comum que eles iniciassem serviços de vidraçaria, recebessem o pagamento, mas não concluíssem o trabalho, apropriando-se do dinheiro das vítimas, o que demonstra um padrão de conduta desonesta e enganosa.
Indiciamento e o Próximo Capítulo da Justiça
Os dois suspeitos detidos foram formalmente indiciados pela Delegacia de Roubos e Furtos por roubo circunstanciado. A qualificadora se dá devido ao uso de arma de fogo, à participação de múltiplos indivíduos e, principalmente, pela restrição da liberdade das vítimas. Adicionalmente, enfrentam a acusação de adulteração de sinal identificador de veículo, em decorrência da placa clonada utilizada na fuga.
Ambos os indiciados estão agora à disposição da Justiça, aguardando os próximos trâmites legais. A PCDF reitera que as investigações prosseguem ativamente com o objetivo de identificar e prender outros possíveis envolvidos neste crime de grande repercussão, garantindo que todos os responsáveis sejam levados à justiça.
Fonte: https://g1.globo.com